domingo, 6 de maio de 2012
Aniversário do meu mestre...
Já são tantos anos de relação com este professor maravilhoso, que se tornou também o melhor orientador do mundo... e além disso, com seus orientandos, me deu muitos amigos, uma espécie de outra família de pessoas com afinidades eletivas rodeadas em torno deste historiador maravilhoso e cheio de humor!
Neste dia em que ele entrou na "sexalecência" (rs) a "família" voltou a se reunir para homenagear, celebrar e agradecer a ele por todas as coisas maravilhosas que junto dele vivemos! Pedimos a ele um 'discurso' e ele então disse algo como: "depois dos sessenta anos nossos sonhos se tornam reprises" (rs)
Para "comprovar" uma de suas orientandas, que é boleira de mão cheia e tinha feito um bolo no formato do seu livro de sua livre docência "Raízes do Riso" à época de sua publicação, repetiu o feito porque alguns orientandos não tinham 'comido o livro' ( É que quando alguém dizia a ele que ainda não havia lido o "Raízes do Riso" ele respondia : "Mas pelo menos você o comeu?" rs)
Agora todos provaram o gosto do "riso"e até da versão 'lembrancinha" dele:Muito bom poder ter participado de mais este momento especial do professor Elias Thomé Saliba, que é tão importante para todos nós!
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terça-feira, 1 de maio de 2012
Eu sempre fui uma aluna tipo"copista". Não me arrependo disso, ainda mais quando encontro um caderno do curso de História da Cultura que assisti em 2002 (dez anos atrás!) com o Sevcenko.
Ali eu fiquei sabendo de trabalhos sobre etnomusicologia, que estavam tentando resgatar sons da Roma Antiga, como neste:
Também naquele curso, cujo tema era Cultura popular/oral (muito Havelock) Nicolau dizia coisas como:
"A CRIANÇA SE COMUNICA, ANTES DE TUDO, PELA VOZ DA MÃE (VOZ FEMININA), dai vem a idéia de que, no imaginário popular oral, é a mulher e sua voz a figura responsável por guardar os elementos que vão alimentar a memória coletiva, pois é o SOM da sua voz que funciona como elemento de contágio e desencadeia o que chamamos de COMOÇÃO (SOM+EMOÇÃO) COLETIVA. Um exemplo disso está na estória 'Sorôco sua mãe sua filha', onde a voz da mãe e da filha que entoam aquela canção que "a cantiga não vigorava certa, nem no tom nem no se-dizer das palavras" e que conseguiu COMOVER A COMUNIDADE QUE ANTES O REJEITAVA: "A gente se esfriou, se afundou - um instantâneo.
A gente... E foi sem combinação em ninguém entendia o que se fizesse: todos, de uma vez, de dó do Soroco,. principiaram também a acompanhar aquele canto sem razão.
E com as vozes tão altas! Todos caminhando, com ele, Soroco, e canta que cantando, atrás dele, os mais de detrás quase que corriam, ninguém deixasse de cantar." (Guimarães Rosa)
Como percebem, ali os bichinhos da cultura oral em Guimarães Rosa devem ter me mordido e até agora, no doc, estou imersa nele!
Ali eu fiquei sabendo de trabalhos sobre etnomusicologia, que estavam tentando resgatar sons da Roma Antiga, como neste:
Também naquele curso, cujo tema era Cultura popular/oral (muito Havelock) Nicolau dizia coisas como:
"A CRIANÇA SE COMUNICA, ANTES DE TUDO, PELA VOZ DA MÃE (VOZ FEMININA), dai vem a idéia de que, no imaginário popular oral, é a mulher e sua voz a figura responsável por guardar os elementos que vão alimentar a memória coletiva, pois é o SOM da sua voz que funciona como elemento de contágio e desencadeia o que chamamos de COMOÇÃO (SOM+EMOÇÃO) COLETIVA. Um exemplo disso está na estória 'Sorôco sua mãe sua filha', onde a voz da mãe e da filha que entoam aquela canção que "a cantiga não vigorava certa, nem no tom nem no se-dizer das palavras" e que conseguiu COMOVER A COMUNIDADE QUE ANTES O REJEITAVA: "A gente se esfriou, se afundou - um instantâneo.
A gente... E foi sem combinação em ninguém entendia o que se fizesse: todos, de uma vez, de dó do Soroco,. principiaram também a acompanhar aquele canto sem razão.
E com as vozes tão altas! Todos caminhando, com ele, Soroco, e canta que cantando, atrás dele, os mais de detrás quase que corriam, ninguém deixasse de cantar." (Guimarães Rosa)
Como percebem, ali os bichinhos da cultura oral em Guimarães Rosa devem ter me mordido e até agora, no doc, estou imersa nele!
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sábado, 28 de abril de 2012
O andar do bêbado e como o ACASO determina nossas pesquisas em história!
Em 2010, ainda no início do doutorado, eu recebi uma bolsa para ser monitora na disciplina Teoria da História II da graduação em História do DH/FFLCH/USP. Foi uma experiência interessante assistir novamente aquelas aulas depois de anos, desta vez não mais como graduanda, e poder perceber como o professor (que agora é também meu orientador ) comentava o tempo todo a bibliografia mais recente sobre o tema! Uma das recomendações mais enfáticas foi a deste livrinho de nome divertido ai. Espero que outros alunos (ainda na graduação) não tenham recebido a recomendação de forma tão descomprometida como eu recebi: Só recentemente eu comprei o volume e estou adorando! Para os que estão se propondo a contar histórias é tão fundamental lembrar que a história - assim como a vida- se desenvolve em vários sentidos, inclusive os aleatórios como o andar de um bêbado e por isso devemos seguir procurando interpretá-los, assim como fazem as crianças quando ainda não se formataram completamente a perspectivas lineares determinadas pelos adultos e ainda podem desfrutar da pura vivência.
RECOMENDO MUITÍSSIMO!
"O título 'O andar do bêbado' vem de uma analogia que
descreve o movimento aleatório, como os trajetos seguidos por moléculas ao
flutuarem pelo espaço, chocando-se incessantemente com suas moléculas irmãs.
Isso pode servir como uma metáfora para a nossa vida, nosso caminho da
faculdade para a carreira profissional, da vida de solteiro para a familiar, do
primeiro ao último buraco de um campo de golfe. A surpresa é que também podemos
empregar as ferramentas usadas na compreensão do andar do bêbado para
entendermos os acontecimentos da vida diária. O objetivo deste livro é ilustrar
o papel do acaso no mundo que nos cerca e mostrar de que modo podemos
reconhecer sua atuação nas questões humanas. Espero que depois desta viagem
pelo mundo da aleatoriedade, você, leitor, comece a ver a vida por um ângulo
diferente, com uma compreensão mais profunda do mundo cotidiano. (...) O desenho de nossas vidas, como a chama da
vela, é continuamente conduzido em novas direções por diversos eventos
aleatórios que, juntamente com nossas reações a eles, determinam nosso destino.
Como resultado, a vida é ao mesmo tempo difícil de prever e difícil de
interpretar."
Leonard Mlodinow.O
Andar do Bêbado : Como o acaso determina nossas vidas. Ed.Zahar,2011.p. 10-2
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sábado, 21 de abril de 2012
Abaixo-assinado pró Guimarães Rosa nas escolas faz projeto cair
Era óbvio, mas ao ler esta reportagem como um pequeno histórico daquela ideia esdruxúla de qualquer maneira e a tentativa de torná-la lei, fica ainda mais flagrante seu conteúdo politiqueiro... repare que não foi que "o projeto caiu porque foi votado e não passou", mas por causa das assinaturas que fizeram com que seu "autor" voltar atrás e retirar o projeto ... por que será, né?
sexta-feira, 20 de abril de 2012
Eu pesquisei aqui e confirmo: aquele projeto de lei que proibe a divulgação em escolas (públicas ou privadas) em Minas Gerais de textos (mesmo os literários!) que não sigam estritamente a NORMA CULTA DA LÍNGUA existe sim, conforme consta no jornal "Diário da Assembléia Legislativa de Minas Gerais". Caso queira conferir, você pode procurar por PROJETO DE LEI Nº 1.983/2011 nesta página http://www.almg.gov.br/opencms/export/sites/default/consulte/arquivo_diario_legislativo/pdfs/2011/06/L20110603.pdf.
Com isso temos a confirmação de que aquele abaixo assinado contrário a ele não é mais uma pegadinha da internet e se você também for contrário ao que define o projeto de lei, pode assinar nesta página : http://www.peticaopublica.com.br/?pi=P2012N23620, com eu fiz ...
quinta-feira, 19 de abril de 2012
Assine o abaixo assinado que proibe textos que não sigam a norma culta nas escolas
Vejam se dá para levar a sério isso:
"Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais; Deputado Estadual Bruno Siqueira (PMDB); Deputado Estadual Adelmo Carneiro Leão (PT); Deputado Estadual Almir Paraca (PT); Deputado Estadual André Quintão (PT) O PROJETO DE LEI Nº 1.983/2011, protocolado na Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais pelo deputado estadual Bruno Siqueira (PMDB), proíbe a distribuição na rede de ensino pública e privada do Estado de Minas Gerais de qualquer livro didático, paradidático ou literário com conteúdo contrário à norma culta da língua portuguesa ou que viole de alguma forma o ensino correto da gramática de nosso idioma nacional, bem como conteúdo que apresenta elevado teor sexual, com descrições de atos obscenos, erotismo e referências a incestos ou apologias e incentivos diretos ou indiretos à prática de atos criminosos. A justificativa de tal projeto encontra-se embasada numa concepção do ensino de Língua Portuguesa completamente defasada e obsoleta em relação ao conhecimento científico solidamente acumulado na área de Letras e Linguística. Além disto, caso o projeto seja aprovado, esta lei proibirá a distribuição, nas escolas mineiras, de praticamente todo o riquíssimo patrimônio literário brasileiro edificado no século XX, já que um traço comum à vasta e heterogênea produção literária nacional dos últimos cem anos é exatamente a subversão à norma culta padrão de nossa língua materna. Restaria proibida em nossas escolas a distribuição de livros da autoria de Guimarães Rosa, Clarice Lispector e Mário de Andrade, para ficar em apenas três nomes de uma infindável lista de grandes autores que inclusive satirizaram o ensino da norma culta da língua, como Oswald de Andrade no poema “Pronominais”. Restaria proibida também a distribuição de livros de poetas como Gregório de Matos, que, no século XVII, embora escrevesse conforme a norma culta da língua, eventualmente, usava vocábulos de baixo calão e imagens eróticas em seus textos poéticos. Considerando que o ensino de Língua Portuguesa condizente com um Estado Democrático de Direito deve se pautar pela leitura crítica de textos de quaisquer gêneros discursivos, em vez de encontrar-se restringido por uma lei que representa indiscutivelmente um retrocesso aos regimes mais autoritários de nossa história (lembrando a censura executada pelo regime militar para proibir a circulação de diversas obras literárias acusadas de cometer as mesmas “violações” que o referido projeto menciona), manifestamo-nos contrários à aprovação do PROJETO DE LEI Nº 1.983/2011. "
Infelizmente isso é sério, sim...lembrem-se de que o conflito cultural entre letrados e não-letrados é um dos mais importantes da história do Brasil e cada vez mais determina graus de hierarquia social por aqui... pessoas que tentaram problematizar isso (ou mesmo ressignificar a questão como fez Rosa, mas não só ele ) são cada vez mais indesejáveis... viva a educação brasileira!
Eu só espero que a nossa presidente se lembre de seu "namoro' com o texto todo contra-normas de Rosa em seu discurso de posse...
Assine aqui, eu já assinei!
"Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais; Deputado Estadual Bruno Siqueira (PMDB); Deputado Estadual Adelmo Carneiro Leão (PT); Deputado Estadual Almir Paraca (PT); Deputado Estadual André Quintão (PT) O PROJETO DE LEI Nº 1.983/2011, protocolado na Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais pelo deputado estadual Bruno Siqueira (PMDB), proíbe a distribuição na rede de ensino pública e privada do Estado de Minas Gerais de qualquer livro didático, paradidático ou literário com conteúdo contrário à norma culta da língua portuguesa ou que viole de alguma forma o ensino correto da gramática de nosso idioma nacional, bem como conteúdo que apresenta elevado teor sexual, com descrições de atos obscenos, erotismo e referências a incestos ou apologias e incentivos diretos ou indiretos à prática de atos criminosos. A justificativa de tal projeto encontra-se embasada numa concepção do ensino de Língua Portuguesa completamente defasada e obsoleta em relação ao conhecimento científico solidamente acumulado na área de Letras e Linguística. Além disto, caso o projeto seja aprovado, esta lei proibirá a distribuição, nas escolas mineiras, de praticamente todo o riquíssimo patrimônio literário brasileiro edificado no século XX, já que um traço comum à vasta e heterogênea produção literária nacional dos últimos cem anos é exatamente a subversão à norma culta padrão de nossa língua materna. Restaria proibida em nossas escolas a distribuição de livros da autoria de Guimarães Rosa, Clarice Lispector e Mário de Andrade, para ficar em apenas três nomes de uma infindável lista de grandes autores que inclusive satirizaram o ensino da norma culta da língua, como Oswald de Andrade no poema “Pronominais”. Restaria proibida também a distribuição de livros de poetas como Gregório de Matos, que, no século XVII, embora escrevesse conforme a norma culta da língua, eventualmente, usava vocábulos de baixo calão e imagens eróticas em seus textos poéticos. Considerando que o ensino de Língua Portuguesa condizente com um Estado Democrático de Direito deve se pautar pela leitura crítica de textos de quaisquer gêneros discursivos, em vez de encontrar-se restringido por uma lei que representa indiscutivelmente um retrocesso aos regimes mais autoritários de nossa história (lembrando a censura executada pelo regime militar para proibir a circulação de diversas obras literárias acusadas de cometer as mesmas “violações” que o referido projeto menciona), manifestamo-nos contrários à aprovação do PROJETO DE LEI Nº 1.983/2011. "
Infelizmente isso é sério, sim...lembrem-se de que o conflito cultural entre letrados e não-letrados é um dos mais importantes da história do Brasil e cada vez mais determina graus de hierarquia social por aqui... pessoas que tentaram problematizar isso (ou mesmo ressignificar a questão como fez Rosa, mas não só ele ) são cada vez mais indesejáveis... viva a educação brasileira!
Eu só espero que a nossa presidente se lembre de seu "namoro' com o texto todo contra-normas de Rosa em seu discurso de posse...
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