sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Um instante lendo Bolle com Luiz Costa Lima ...

Em uma resenha do livro "Grandesertão.br" escrita em 2005, Luiz Costa Lima nos diz:
 
"Willi Bolle tem seu mérito, muito raro entre os estudiosos da mesma direção, de reconhecer a função do ficcional. Permanece, contudo, fundamentalmente ligado à abordagem documentalista que tem marcado a literatura e os estudos literários latino americanos e brasileiros, desde o XIX. Por isso não estranha que o paralelismo com os mais famosos 'retratos' do país reduza o romance rosiano a colaborador de seus resultados"
LIMA, Luiz Costa. Riobaldo: culpa e luto. Revista USP no. 65, março/maio2005, pp.189-93
Quando li esta resenha eu estava começando o mestrado e tinha me alimentado demais do livro de Bolle. Uma das questões que eu coloquei na época foi  : Por que Bolle  problematiza várias possibilidades de diálogo entre o romance de Rosa e as  vertentes mais recentes da historiografia, como a Micro História - se afastando da tradicional narrativa da História -  e até  dá um super salto (mortal?) lendo,com a profundidade de um especialista, o romance a partir da historiografia de  Walter Benjamin - que seria uma perspectiva ainda mais avançada -,  para no final todo aquela obra literária monumental que é o Grande sertão : veredas  (com suas referências, sons, imagens, ficcionalidade...) ser resumida a  mais um Retrato do Brasil?
 
Como podem ver, Costa Lima me deu a resposta na citação acima e, de quebra, me mostrou caminhos dificultosos de serem trilhados por interpretes de literatura; além disso, também apontou  caminhos a serem trilhados que percorro até agora, com o de destacar o caráter ficcional no texto rosiano e, a partir disso,falar de História ...
 
O cara é um mestre mesmo!

sábado, 2 de fevereiro de 2013

"Música de Brinquedo" de novo e sempre !

"Ouvir uma coisa que você conhece muito bem e aquilo ter um frescor..." ... é que aqui elas também foram tocadas pelas  crianças ... isso que foi levado ao extremo por este projeto e que condiz com as ideias  nas quais se acredita hoje em dia  nos estudos sobre infância (da diluição até o máximo possível da separação entre adulto e criança e na aposta de que ambos atuam na configuração da realidade e na produção de culturas que não são nem "de criança" nem "de adulto", são híbridas e legítimas). É caro que hoje temos projetos de MÚSICAS PARA CRIANÇAS MARAVILHOSOS (que respeito é aquele da dupla Palavra Cantada pelas temporárias limitações infantis, pela estrenheza com a qual elas recebem o mundo? É louvável e deve existir para sempre). Mas estou falando de outras coisas, outras frentes que se abriram, e incluíram a criança (e tudo o que ela é, não s´o que pode vir a ser...) como elemento de sua composição, como neste disco do Pato Fu e todo seu frecor. Isso não tem  em discos infantis  como o Par ou Ímpar, do   Kleiton e Kledir,  mas não tem mesmo... ali só temos  músicas inéditas, só que a sonoridade é de um grande "mais do mesmo",  apesar do esforço em se voltar ao público infantil, ao ouvir ninguém tem dúvidas de que se trata da boa e velha dupla Kleiton e Kledir, como se o contato com o mundo infantil não tivesse interferido em nada ...
É certo que as crianças continuam sendo crianças, como sempre foram, mas a maneira que   nós as  entendemos e como lidamos com elas   mudou e muda (tem historicidade). Acho que estamos em outro momento, onde não mais cabe, sem certo estramento, apresentar a elas (seres em formação) discos completos, fofos e lindos feitos "para crianças" (onde a particiapação delas limita-se a ouvir), estes já  nos soam tão... ultrapassados, tão coisa pré era digital... e olha que tudo apareceu assim tão rápido (o disco Adriana Partimpim é de 2004, nem tem ainda uma década completa) e já estamos respirando outros ares, não tão tatibitati, mas de maior interatividade com os infantes e as coisas produzidas para eles. Não cabe mais  ver a  criança como se ela  fosse "apenas alocada em um sistema de relações que é anterior a ela e deve ser reproduzido eternamente" (COHN, Clarice. Antropologia da criança, p. 28), não permitindo que ela  interaja na construção do seu meio...  Será que é isso mesmo?

Música Da Antiguidade

Estas são músicas que eu ouvi numa aula sobre Cultura Popular no meu último semestre de graduação em 2003. Muito perturbadoras estas sonoridades rituais de um tempo tão antigo ... coisas da etnomusicologia, (etnografia da música, de Seeger em 1992), que estuda instrumentos e sonoridades perdidas no tempo. Legal é que os sons ainda causam estramento e até certo pavor...às vezes estudar História é tão legal!

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

O Cinquentenário da revista O Tico Tico, em 1955


Achei uma reportagem sobre o cinquentenário de O Tico Tico aqui.
Preciso achar esta edição, mas acho que só tem no Rio de Janeiro.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

O Palhaço - Filme ... novamente


Quando assisti esse filme  no cinema já abordei muito aqui. Mas agora, por conta da minha pesquisa de doutorado  estou revendo o DVD e os extras para tentar entrar mais profundamente nesse clima e nesta pesquisa. No livro sobre o filme o diretor/ator Selton Mello deixa o seguinte depoimento que justifica deste filme para minha  pesquisa sobre infância
:


Também porque eu  acho (sempre achei, mesmo bem antes deste filme) que a cultura circense é fundamental para quem quiser entender nossa terra. Isso porque, também a história do Brasil, é aquela dos que se locomovem para garantir a sobreviência, o brasileiro é antes de tudo um  nômade... mesmo que possa não ser no sentido exato de deslocamento do corpo, ele é um nômade interior ... é sobre isso que trata o maravilhoso filme de Selton Melo. Transcrevi um texto do ator Paulo José, lido pelo Selton  nos extras do DVD que dá conta de tocar ligeiramente a experiência do circo e do seu rei que é o palhaço :

"Os palhaços raramente eram apenas palhaços. O palhaço tinha outras técnicas: podia ser a música; a acrobacia; o malabarismo; ser amestrador de animais. Meu pai sempre dizia que não se começava sendo palhaço, isso vinha depois. A primeira coisa era aprender um ofício, uma técnica. E com a vida, com a experiência do contato humano e com o gosto do contato humano, lentamente, a técnica ia se tornando menos importante e o mais importante ficaria sendo a personalidade.O fato de se morar dentro da cerca e ter pouco contato com o mundo lá fora, faz com que a convivência familiar seja mais intensa.
O palhaço permanece sempre no absurdo, sempre no imaginário, no paradoxo, no grotesco. O palhaço deve fazer rir e pensar, sonhar e refletir. O palhaço não tem psicologismos: sua lógica é física, ele pensa e sente com o corpo. Na medida em que o mundo, cada vez mais,  perde a capacidade de brincar e se reinventar, ainda mais fundamental se torna a figura do palhaço, este ser viajante no tempo e na história da humanidade."Paulo José  

 Ainda no  livro sobre o filme,  tem uma crítica linda :


Sempre  fui e vou me tornando  cada vez mais uma fã deste filme, por isso nem ligo que ele acabou nem indo ao Oscar ...quem tem esse repertório cultural e emotivo não precisa de uma estatueta...