quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Os rolezinhos e o "Grande Sertão: veredas"

Guardando as devidas propoções,  com todo este incômodo causado pelos "rolezinhos" eu  não pude deixar de lembrar do catrumanos - os miseráveis do Grande Sertão: Veredas -, e especialmente o medo absurdo que Riobaldo sente deles:

"E de repente aqueles homens podiam ser montão,montoeira, aos milhares mis e centos milhentos,vinham se desentocando e formando, do brenhal, enchiam os caminhos todos, tomavam conta das cidades. Como é que iam saber ter poder de serem bons, com regra e conformidade, mesmo que quisessem ser? Nem achavam capacidade disso. Haviam de querer usufruir depressa de todas as coisas boas que vissem, haviam de uivar e desatinar." 
João Guimarães Rosa. Grande Sertão: Veredas, p. 553"

Diante deste medo tão profundo de que, de repente, os miseráveis saíssem das margens, tomassem a cidade, os espaços sempre negados a eles,  o jagunço chegou a declarar que nunca mais ia rir na vida... Sobre este medo de Riobaldo - que seriao grande medo do brasileiro -  Ettore Finazzi-Agrò falou no Seminário em homenagem aos 50 anos do romance em 2006, texto que foi publicado com o título "Pós tudo : banimento e abandono no Grande Sertão", na revista do IEB no. 44, p. 159-172

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

O Projeto A arca de Noé, de Vinicius de Moraes


No livro  "Histórias e Canções: Vinicius de Moraes", escrito por Wagner Homem & Bruno De La Rosa que foi publicado em 2013 pela editora Leya, há um capítulo só sobre o projeto "A arca de Noé", contando a história que muito me interessa. Interessa a mim, especialmente, este trechinho:
A arca de noé" foi  o último trabalho em disco de Vinicius. Desde 1950, ele escrevia esporadicamente poemas para crianças, eventualmente publicados em jornais. Em 1970  Vinicius reuniu seus poemas infantis no livro " A arca de noé" , dedicado a seus filhos - Susana, Pedro, Georgiana, Luciana e Maria -, pela editora Sabiá, com poemas já publicados e outros inéditos". (p. 169) 

Procurei esta edição nas Bibliotecas da USP, mas só encontrei a da Cia das Letrinhas, dos anos 90 (estranho não?)... no catálogo das bibliotecas públicas de São Paulo encontrei em três delas... vou procurar consultar, porque quero ver demais como foi que a Sabiá editou aqueles poemas para crianças ... no novo (e completíssimo) site do Vinicius temos as seguintes informações :

"A ARCA DE NOÉRio de Janeiro, Sabiá, 1970Mais conhecidos pelo disco feito para crianças, os poemas da A Arca de Noé foram escritos por Vinicius muitos anos antes de sua primeira edição. Eram feitos para seus filhos Suzana e Pedro de Moraes. Por muitos anos, eles ficaram guardados. Só em 1970, o conjunto de poemas infantis ganha o mundo. Seu lançamento ocorre na Itália, país onde a presença do poeta era constante, seja através de diversas visitas e temporadas ou de traduções de sua obra.

É lá, justamente quando Vinicius conhece um amigo de Chico Buarque chamado Toquinho, que o disco com os poemas infantis é preparado. O disco é chamado

É lá, justamente quando Vinicius conhece um amigo de Chico Buarque chamado Toquinho, que o disco com os poemas infantis é preparado. O disco é chamado É lá, justamente quando Vinicius conhece um amigo de Chico Buarque chamado Toquinho, que o disco com os poemas infantis é preparado. O disco é chamado É lá, justamente quando Vinicius conhece um amigo de Chico Buarque chamado Toquinho, que o disco com os poemas infantis é preparado. O disco é chamado É lá, justamente quando Vinicius conhece um amigo de Chico Buarque chamado Toquinho, que o disco com os poemas infantis é preparado. O disco é chamado É lá, justamente quando Vinicius conhece um amigo de Chico Buarque chamado Toquinho, que o disco com os poemas infantis é preparado. O disco é chamado L’Arca. No mesmo ano, seus poemas musicados na Itália são lançados em livro no Brasil. Dez anos depois, dois discos dedicados ao conjunto de poemas infantis de Vinícius também são lançados no país, com o mesmo nome do livro. 
A Arca de Noé tornou-se um dos livros mais populares de Vinicius de Moraes por ter criado um laço com as crianças. Todas as gerações têm nos seus poemas uma porta de entrada no mundo da literatura e da música popular brasileira. Ao mesmo tempo, no âmbito musical, foi o primeiro trabalho que apresentou a ele Toquinho, parceiro até o fim da vida.
            NOTA BIBLIOGRÁFICA
           Capa e ilustrações de Marie Louise Nery"

Inclusive, no site do Vinicius a gente pode ver a capa do livro de 1970 :

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

A Casa de Vinicius de Moraes


Comprei esse livro porque tem um capítulo SÓ SOBRE A ARCA DE NOÉ! Nele são contadas aquelas histórias sobre o projeto que eu já sabia (do fato de, ao final, ter durado 30 anos, etc) e também tem comentários e as historinhas de algumas canções... como a minha preferida A CASA ...
Que a tal casa existe de verdade em Montevidéu, se chama "Casapueblo" e é projeto do artista Carlos Páes Vilaró e depois virou um hotel, com um quarto com o nome de Vinicius de Moraes e o mais interessante: a cantiga foi composta naturalmente, em uma das estadias do poeta, onde ele brincava com as filhas de Vilaró dizendo: "Era uma casa muito engraçada, não tinha teto não tinha nada" e terminava com os versos "Mas era feita com pororó (termo indígena que significa palavras ocas, lenga-lenga)/ Era a casa de Vilaró. " 

Wagner Homem & Bruno de La Rosa - "Histórias e Canções- Vinicius de Moraes", p. 172-3 

Não é fofo demais? 

domingo, 29 de dezembro de 2013

Astolfinho e o travesseiro



.... eu pedi: me traga um travesseiro que tenha sido usado por um Rei...

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Nu, de botas, Antonio Prata


Ontem terminei de ler o delicioso livrinho de Antonio Prata e, claro, super recomendo a leitura a todos, especialmente aos que não tem medo (e tem interesse) de experimentar novamente as percepções infantis da vida. É muito difícil representar o mundo todo estranho que uma criança vai sentido, e ainda mais fazer isso sem  tornar a narrativa chata ou intragável... Prata conseguiu em seu livrinho  muito gostoso de ler. Na contracapa  Gregorio Duvivier alerta que a gente vai rir e chorar nessa viagem, e é verdade porque,  afinal  TODO MUNDO TEVE INFÂNCIA... 
Para deixar uma amostrinha, não destaco momentos engraçados, porque eles são muitos e não pude escolher apenas um, então preferi citar o  último parágrafo da obra com sua derradeira  imagem :

"Naquela noite, tive pela primeira vez um sonho que se repetiu até o fim da infância, me seguiu pela adolescência e ainda hoje, vez ou outra, volta a me visitar. Eu acordo, saio de casa, pego a perua, desço na escola, cruzo o pátio, subo a escada , entro na classe, paro diante dos meus colegas e fico ali, em pé, pelo que parece ser muito, muito tempo, todos me olhando em silêncio e eu esperando o momento em que se darão conta do que, surpreendentemente, demoram tanto a perceber : que eu estou nu, nu, de botas."  
Antonio Prata. "Nu de Botas" P.140