segunda-feira, 31 de março de 2014

Haroldo de Campos fala sobre Guimarães Rosa

Vale MUITO cada um dos mais de 40 minutos... especialmente os 10 ou 5 finais, onde ele  fala de "Meu tio o Iauartê" e  esclarece uma coisa que eu sei que acontece no Rosa o tempo todo, mas que eu não tenho capacidade de comentar direito:  tem que ouvir o Rosa, nos ruídos mesmo, porque o conteúdo não está só no plenamente verbal, existem muito mais informações ali... é na renda das palavras que a gente se aproxima daquela escrita que, vocês sabem, não tem igual para mim!

quarta-feira, 26 de março de 2014

Documentário com depoitmentos de exilados no Chile

Quando secar o rio de minha infância - Frei Tito de Alencar



Não podemos esquecer do Frei Tito, vejamos um poema que ele escreveu antes de sucumbir à loucura da tortura:

Quando secar o rio da minha infância
Quando secar o rio de minha infância,
secará toda dor.
Quando os regatos límpidos de meu ser secarem, minh’alma perderá sua força.
Buscarei, então, pastagens distantes
Irei onde o ódio não tem teto para repousar.
Ali, erguerei uma tenda junto aos bosques.
Todas as tardes me deitarei na relva,
e nos dias silenciosos farei minha oração:
Meu eterno canto de amor: expressão pura de minha mais profunda angústia
Nos dias primaveris, colherei flores para
meu jardim da saudade.
Assim, exterminarei a lembrança de um passado sombrio.
Tito de Alencar
Paris, 12 de outubro de 1973

segunda-feira, 24 de março de 2014

Rodrigo Campos:uma descoberta


Ontem, domingo 23, o programa Supertônica (apresentado por Arrigo Barnabé na rádio Cultura AM) recebeu o Rodrigo Campos para ser entrevistado. Como ouvi o  Campos pela primeira vez através do sample suave no refrão na pesadíssima música "Duas de cinco" do Criolo, ai pensei que ele também fosse  um rapper paulisano, ok... mas na entrevista vi que não é bem assim... Campos está mais ligado a tradição das rodas de  samba de São Mateus, na Zona Leste  e ele também  tem trabalhos na área cultural, teatro, etc. Este disco, vale muito ouvir na íntegra, eu curti (parece que o Arrigo Barnabé também gostou)...   
Ouçam: 

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Nossos Ossos, Marcelino Freire



Um aperitivo do texto de Marcelino Freire, um profundo estranhamento, menos de linguagem do que de circunstância... é um texto duro, duríssimo, mas necessário:

"Fazíamos teatro com as vértebras, com os trapézios, lisos e carecas, a gente limpava o que tivesse ficado de pelo e pele, dos restos alheios eram construídos brinquedos, bolotas de fibras fósseis, nossas rodas, moeda de troca, às vezes eu saía por detrás da cacimba vestido igual a um cangaceiro.
Capa de couro bovino, espada de fêmur, saiote de cóccix e uma máscara natural, a minha cara borrada de carvão, gesticulava feito um demônio, assustava a todos com a minha voz de trovão saída do estômago, EM PÉ, EU, SOBRE UMA PEDRA, NO DESERTO QUE FOI A MINHA INFÂNCIA.
Minha dramaturgia veio daí, hoje eu entendo, desses falescimentos construí meus personagens errantes, desgraçados mas confiantes, touros brabos, povo que se põe ereto e ressuscitado, uma galeria teimosa de almas que moram entre a graça e a desgraça."
Marcelino Freire. "NOSSOS OSSOS", p. 26-7

 É a mesma coisa, só que diferente, talvez, mas não pude deixar de lembrar da famosa foto de Sebastião Salgado, mostrando crianças brincando com ossos de animais mortos durante uma seca no nordeste na década de 1980:


... referências e mais referências...

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Memória de infância, com "algum sotaque" de adulto, por Antonio Prata...

Procurei na web, mas não achei a entrevista muito boa do Antonio Prata que assisti ontem (13 de fevereiro de 2014)  no programa  Metrópolis, acho uma pena não ter, porque Prata  falou coisas muito interessantes sobre o seu delicioso livro "Nu, de botas" e sobre como foi escrever a partir de uma perspectiva infantil... me lembro que ele disse algo como: 

"eu, um adulto de 36 anos, escrevendo como se fosse uma criança, devo ter deixado escapar um "CERTO SOTAQUE"...


Achei genial, como muitos comentários, o livro dá pano pra manga para pensar questões de gêneros literários (tipo, eu li como um romance, só depois "descobri" que eram crônicas, mas como o texto é bom, nem me importei tanto...), o próprio Prata explicou que são puras memórias de infância, lembranças recheadas de invenção, quando a memória mesma era apenas um lapso e sozinha não preencheria nem uma crônica ...
Uma pena o site do Metrópolis não ter disponibilizado ainda esta entrevista para revermos ... para os que ainda não leram "Nu, de Botas", mais uma vez fica a dica!