sexta-feira, 4 de março de 2016

Janusz Korczak e Pedro Bloch : proximidades

Vocês já ouviram falar da trajetória do médico e educador polonês Janusz Korczak, um pioneiro no direito das crianças? Comecei ontem a assistir um  curso sobre ele e embora Korczak seja mais velho (1878 ou 1879 a 1942) e tenha vivido mais de perto os horrores do holocausto, estou achando mesmo que não é possível que Pedro Bloch (1914 a 2004) não conhecesse suas  ideias, pois em principio ambos foram médicos, judeus,  humanistas e me parece que pensavam as  crianças de maneira muito semelhante, como percebemos nessas imagens:  Primeiro um detalhe do  monumento a Janusz Korczak em um museu de Varsóvia, depois a ilustração de Jodi para um dos livros do Pedro Bloch. Nas imagens, em volta das cabeças de e ambos, uma porção de crianças  ...

Detalhe do monumento de Varsóvia eterniza o trabalho de Korczak em defesa das crianças
Ilustração de Jordí para o livro "Esses meninos de ouro"(1983)




  

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Será que nada acontece por acaso?

O DISCO DEDICADO AO MENINO RÚBIO E SUA DIFERENCIADA PERCEPÇÃO LINGUÍSTICA EM MI(lton)NAS(cimento).

Emoticon heart.
SERÁ QUE NADA ACONTECE POR ACASO? E  a gente quase nunca atina para isso. Só agora, depois de mais de quase duas semanas estudando, me ocorreu um possível motivo inconsciente pelo qual escolhi (sem nunca ter sequer pensado em outro disco de verdade) o disco "Minas" para representar todo o "Clube da Esquina" no meu texto, mesmo que eu continue achando o disco "Clube da Esquina" de 1972 o mais representativo do movimento, mas é que eu preciso iluminar outra face do Clube - a do frescor num contexto de tanta escuridão como devia ser o Brasil em 1975 -, no caso do Bituca de "Minas", cabe destacar que ele respondeu lindamente com jovialidade ao fato de ter tido seus dois discos anteriores de 1973 e 1974 mutilados pela censura. Eu venho pensando nessas pessoas que, em contexto de trevas do século XX, acharam na jovialidade uma saída luminosa... ai, cada qual a seu grau, posso pensar nas mais diversas figuras : de janusz korczak a Guimarães Rosa, passando por Pedro Bloch e Bituca! Humanistas.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Janusz Korczak e um pensamento novo sobre a criança e a infância no século XX

Estou matriculada neste curso de Extensão sobre Janusz Korczak lá na FFLCH. Tenho expectativas com ele : do pouco que agora eu conheço sobre Janusz Korczak, ele me parece ser uma das personagens que foram diretamente perseguidas e estiveram muito próximos ao pior horror do século XX (Segunda Guerra, extermínio, crueldade em massa e tal), e entretanto isso não os fez mais azedos, muito pelo contrário, acabou tornando seu legado mais humano e com destaque para o frescor da visão das crianças. Em tonalidades diferentes, eu também percebia algo nesse sentido com Guimarães Rosa e até mesmo de forma um pouco mais suave, com o doutor Pedro Bloch. 
Acho que essa possibilidade começou a ser pensada por mim há alguns anos com a leitura do sensacional "Ver:Amor" de David Grossman. , que como sabem, considero um livro importantíssimo e que me ajudou a começar a pensar na hipótese de que a partir de perfis como esse podemos perceber uma "justificativa" para que a infância assumisse novas tonalidades no século XX (hipótese central da minha pesquisa de pós doc). Vamos ver se isso vai se confirmar.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

100 % não existe!

Vi isso  na TV Cultura e me identifiquei super! Detesto quando me taxam 100% alguma coisa, acho que tá na minha cara que eu sou uma grande mistura, não é?

100% não existe em lugar nenhum, muito menos no Brasil, né gente?

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Desenredo - João Guimarães Rosa


Colo aqui o texto completo da estória Desenredo, de Guimarães Rosa (original está no livro "Tutaméia:Terceiras estórias". Rio de Janeiro: José Olympio, 1967, p. 38-40), que encontrei nesse link.




Desenredo –  Guimarães Rosa
Do narrador seus ouvintes:

– Jó Joaquim, cliente, era quieto, respeitado, bom como o cheiro de cerveja. Tinha o para não ser célebre. Com elas quem pode, porém? Foi Adão dormir e Eva nascer. Chamando-se Livíria, Rivília ou Irlívia, a que, nesta observação, a Jó Joaquim apareceu.

Antes bonita, olhos de viva mosca, morena mel e pão. Aliás, casada. Sorriram-se, viram-se. Era infinitamente maio e Jó Joaquim pegou o amor. Enfim, entenderam-se. Voando o mais em ímpeto de nau tangida a vela e vento. Mas tendo tudo de ser secreto, claro, coberto de sete capas.
Porque o marido se fazia notório, na valentia com ciúme; e as aldeias são a alheia vigilância. Então ao rigor geral os dois se sujeitaram, conforme o clandestino amor em sua forma local, conforme o mundo é mundo. Todo abismo é navegável a barquinhos de papel.
Não se via quando e como se viam. Jó Joaquim, além disso, existindo só retraído, minuciosamente. Esperar é reconhecer-se incompleto. Dependiam eles de enorme milagre. O inebriado engano.
Até que -deu-se o desmastreio. O trágico não vem a conta-gotas. Apanhara o marido a mulher: com outro, um terceiro… Sem mais cá nem mais lá, mediante revólver, assustou-a e matou-o. Diz-se, também, que a ferira, leviano modo.
Jó Joaquim, derrubadamente surpreso, no absurdo desistia de crer, e foi para o decúbito dorsal, por dores, frios, calores, quiçá lágrimas, devolvido ao barro, entre o inefável e o infando. Imaginara-a jamais a ter o pé em três estribos; chegou a maldizer de seus próprios e gratos abusufrutos. Reteve-se de vê-la. Proibia-se de ser pseudo personagem, em lance de tão vermelha e preta amplitude.
Ela -longe- sempre ou ao máximo mais formosa, já sarada e sã. Ele exercitava-se a agüentar-se, nas defeituosas emoções.
Enquanto, ora, as coisas amaduravam. Todo fim é impossível? Azarado fugitivo, e como à Providência praz, o marido faleceu, afogado ou de tifo. O tempo é engenhoso.
Soube-o logo Jó Joaquim, em seu franciscanato, dolorido mas já medicado. Vai, pois, com a amada se encontrou -ela sutil como uma colher de chá, grude de engodos, o firme fascínio. Nela acreditou, num abrir e não fechar de ouvidos. Daí, de repente, casaram-se. Alegres, sim, para feliz escândalo popular, por que forma fosse.
Mas.
Sempre vem imprevisível o abominoso? Ou: os tempos se seguem e parafraseiam-se. Deu-se a entrada dos demônios.
Da vez, Jó Joaquim foi quem a deparou, em péssima hora: traído e traidora. De amor não a matou, que não era para truz de tigre ou leão. Expulsou-a apenas, apostrofando-se, como inédito poeta e homem. E viajou a mulher, a desconhecido destino.
Tudo aplaudiu e reprovou o povo, repartido. Pelo fato, Jó Joaquim sentiu-se histórico, quase criminoso, reincidente. Triste, pois que tão calado. Suas lágrimas corriam atrás dela, como formiguinhas brancas. Mas, no frágio da barca, de novo respeitado, quieto. Vá-se a camisa, que não o dela dentro. Era o seu um amor meditado, a prova de remorsos. Dedicou-se a endireitar-se.
Mais.
No decorrer e comenos, Jó Joaquim entrou sensível a aplicar-se, a progressivo, jeitoso afã. A bonança nada tem a ver com a tempestade. Crível? Sábio sempre foi Ulisses, que começou por se fazer de louco. Desejava ele, Jó Joaquim, a felicidade -idéia inata. Entregou-se a remir, redimir a mulher, à conte inteira. Incrível? É de notar que o ar vem do ar. De sofrer e amar, a gente não se desafaz. Ele queria os arquétipos, platonizava. Ela era um aroma.
Nunca tivera ela amantes! Não um. Não dois. Disse-se e dizia isso Jó Joaquim. Reportava a lenda a embustes, falsas lérias escabrosas. Cumpria-lhe descaluniá-la, obrigava-se por tudo. Trouxe à boca-de-cena do mundo, de caso raso, o que fora tão claro como água suja. Demonstrando-o, amatemático, contrário ao público pensamento e à lógica, desde que Aristóteles a fundou. O que não era tão fácil como fritar almôndegas. Sem malícia, com paciência, sem insistência, principalmente.
O ponto está em que o soube, de tal arte: por antipesquisas, acronologia miúda, conversinhas escudadas, remendados testemunhos. Jó Joaquim, genial, operava o passado -plástico e contraditório rascunho. Criava nova, transformada realidade, mais alta. Mais certa?
Celebrava-a, ufanático, tendo-a por justa e averiguada, com convicção manifesta. Haja o absoluto amar -e qualquer causa se irrefuta.
Pois produziu efeito. Surtiu bem. Sumiram-se os pontos das reticências, o tempo secou o assunto. Total o transato desmanchava-se, a anterior evidência e seu nevoeiro. O real e válido, na árvore, é a reta que vai para cima. Todos já acreditavam. Jó Joaquim primeiro que todos.
Mesmo a mulher, até, por fim. Chegou-lhe lá a notícia, onde se achava, em ignota, defendida, perfeita distância. Soube-se nua e pura. Veio sem culpa. Voltou, com dengos e fofos de bandeira ao vento.
Três vezes passa perto da gente a felicidade. Jó Joaquim e Vilíria retomaram-se, e conviveram, convolados, o verdadeiro e melhor de sua útil vida.
E pôs-se a fábula em ata.


sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

LUTO : Morre Umberto Eco, um dos que me levou a querer ser historiadora


Quem foi estudar História achando que ia ser como em "O Nome da Rosa", como eu ? Muito, muito obrigada Eco! Fica quem paz!

"Nada ficou como antes", de Ivan Vilela

Pessoas interessadas em Clube da Esquina e ou música popular brasileira. Não sei se já conhecem, mas acabo de ler o artigo "Nada ficou como antes" o professor Ivan Vilela, no qual ele comenta lindamente o Clube da Esquina as modificações que executaram e que não são usualmente creditas a eles. Vale muito a pena ler, para nós fãs (Lucas BleicherCristiano MoreiraBruno GambarottoGiuliana Lima e outros) é emocionante. No texto ele comenta muitas coisas ele comentou no curso que assisti no ano passado, com a diferença que no curso ele colocava as músicas para a gente ouvir, causando maior comoção ... imaginem só! Vale muito a pena! (aperte este link que o  artigo aparece)