quarta-feira, 20 de abril de 2016

Benjamin e o politicamente correto em 1929



"As crianças querem evidentemente conhecer tudo. E se os adultos só mostram a elas o lado bem comportado e correto da vida, elas logo vão querer conhecer o outro lado por si mesmas. Por outro lado, ninguém nunca ouviu falar de crianças que tenham se tornado malcriadas por causa de Max e Moritz ..." Walter Benjamin. "Theodor Hosemann, p. 99

terça-feira, 19 de abril de 2016

Carta a presidente Dilma, por Maria Rita Kehl

O texto "Querida presidente Dilma"mde  Maria Rita Kehlvocê pode ler aqui. Ou aqui:
Querida presidente Dilma18/04/2016 02h00Compartilhar803 
Querida presidente Dilma, escrevo após a triste votação na Câmara dos Deputados que autorizou a abertura do processo de impeachment de seu mandato.
Já me declarei publicamente contra o eventual (no momento, quase certo) impedimento, motivado por argumentos duvidosos e conduzido por uma Câmara cujo presidente, Eduardo Cunha, é réu no Supremo Tribunal Federal, sob acusação de corrupção e lavagem de dinheiro.
O que mais me entristeceu, presidente, foi sua declaração de que, depois de efetuado o golpe que pretende destituí-la da Presidência, a senhora será uma "carta fora do baralho". Bem, fora desse baralho ensebado, feito de cartas marcadas, a senhora estará, sim. Por conta de seus méritos, não de seus defeitos.
O lugar que ocupará na história do país, porém, está garantido, presidente Dilma, e será positivo. Não listarei as virtudes de seu governo, entre as quais o fato óbvio, não reconhecido por seus detratores, de que, pela primeira vez "na história deste país", um governante não usou de seus poderes de manipulação e chantagem para evitar a investigação de crimes envolvendo seu partido. Será que ninguém se pergunta por que a Lava Jato, apesar de sua evidente falta de imparcialidade, nunca encontrou obstáculos durante seu mandato?
O que a coloca definitivamente, a meu ver, como personagem fundamental na história do Brasil foi o fato de a senhora ter sido responsável pela criação da Comissão Nacional da Verdade.
Sei que a lei que instituiu a comissão foi votada pelo Congresso Nacional, mas não somos ingênuos de pensar que os deputados e senadores fariam isso por conta própria. Foi preciso que o país elegesse para presidente uma mulher corajosa, que militou contra a ditadura, foi presa e torturada (sem delatar companheiros), para que se criasse, com muito atraso em relação aos outros países latino-americanos, uma Comissão da Verdade no Brasil.
Antes tarde do que nunca. Em função dessa demora, todavia, a reação da sociedade brasileira à divulgação de nossos trabalhos foi decepcionante. Foram poucas as manifestações públicas de apoio.
Com exceção dos incansáveis grupos de familiares dos mortos e desaparecidos, a sociedade não se mobilizou para exigir que o Estado brasileiro revelasse as condições da morte e a localização dos corpos dos 243 desaparecidos políticos.
Assim, as Forças Armadas não se sentiram moralmente obrigadas a admitir a participação de agentes do Estado em crimes de tortura, assassinatos e ocultação de cadáveres.
Assistimos, consternados, à presença de alguns (poucos) jovens, no mínimo ignorantes, a ostentar cartazes em favor de uma "intervenção militar" no país. Como se autoritarismo e repressão fossem sinônimos de ordem e paz social, e não o contrário.
E agora, a provar que a história se repete como farsa, nos vemos diante da iminência de uma nova catástrofe: a cassação de uma presidente séria, comprometida com o combate à corrupção, por uma Câmara comandada por um deputado acusado de vários crimes e repudiado pela população.
Talvez o pior não aconteça. Talvez o Brasil acorde durante o julgamento no Senado e perceba a gravidade do que está por vir. Ou então assistiremos, estarrecidos, à repetição de um golpe em nome da moralidade pública.
MARIA RITA KEHL, 63, psicanalista, foi integrante da Comissão Nacional da Verdade. É autora de "Processos Primários" (Estação Liberdade)

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Dias seguintes


Nos dias seguintes a defesa da minha tese em agosto de 2014 senti que me faltava o chão e não sabia o que fazer depois de anos imersa naquele trabalho, agora eu tinha todo o tempo livre e, ao invés de começar a escrever artigos alucinadamente (como manda a lógica fordista que rege a pesquisa científica atual), fui assistir a todos os vídeos e filmes sobre a ditadura militar disponíveis na internet. Era algo que eu sempre queria ter feito, desde a graduação (1999-2003), quando ainda não se falava muito sobre o tema (ressalva ao inesquecível curso da excelente professora Maria Aparecida de Aquino), os arquivos não eram abertos a consultas pública ainda e tínhamos poucas produções às quais dificilmente tínhamos acesso. Agora, já no século XXI tínhamos muitos deles, até mesmo os produzidos pela "Comissão da Verdade" e eu tinha todo o tempo do mundo para assisti-los, então me propus essa jornada dolorida e assisti tudo,, conheci os nomes de perseguidos (como a Inês Etiene Romeu), de desaparecidos (Rubens Paiva, por exemplo), de militares, torturadores como o citado ontem Ustra e não conseguia parar de ver, passava madrugadas vendo tudo , foi uma loucura que contei para o meu orientador e ele comentou ser coisa de historiador essa " absurda sede de conhecimento do passado". E do meu passado. Como já disse muitas vezes, nasci no fim de 1979, quase junto com a abertura política, na minha família não tivemos perseguidos políticos nem nada, mas minhas memórias de infância são repletas de flashs relacionados a redemocratização do Brasil. Lembro de ter visto cenas da manifestação pelas "Diretas Já", mas e essas não sei se vi mesmo (eu tinha só 4 anos) ou se essa lembrança visual foi construída depois quando eu voltei a ver a imagens mais velha, mas o importante é que eu lembro de ter vivido aquilo de algum jeito, e me apropriei daquele acontecimento como memória pura; também lembro, ai eu um pouco mais velha, que assistindo a desenhos da TV, eles eram sempre interrompidos por boletins da "assembleia constituinte". Eu tinha sete anos e não sabia o que era aquilo, mas de alguma forma eu sabia que era algo muito importante. Tempos depois, disso me lembro bem, meu pai chegou em casa me mostrando um livro (sempre ele me trazendo livros!), o nome era "Constituição da República Federativa do Brasil" e na minha cabeça de criança devo ter feito alguma ligação, não lembro qual,  entre ele e os boletins da constituinte. Ai, já adulta, fui estudar História, será que foi à toa? Não me tornei uma pesquisadora de história política, nem de ditadura, mas esse é um dos assuntos base da minha formação profissional e como pessoa. Agora estamos em outro "dia seguinte" e novamente sem muito chão firme para pisar, e não consigo mais ler ou assistir nada, precisava apenas desabafar sobre esse turbilhão que me sufoca. ‪#‎nãovaitergolpe‬ simplesmente porque não poder ter!

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Dilma: Golpe é a tirania dos mais corruptos

Um registro histórico :

'Palavra golpe estará gravada na testa dos traidores da democracia' 

quarta-feira, 13 de abril de 2016

terça-feira, 12 de abril de 2016

Vamos de mãos dadas...

"Rosa e Azul" Renoir (detalhe)

"O presente é tão grande, não nos afastemos
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas" 

Drummond

domingo, 10 de abril de 2016

Aldo Medeiros : possível tradutor


Eu acho (tenho quase certeza) que esse Aldo Medeiros é o tradutor do livro "A Hora das crianças", de Walter Benjamin. Por que eu tenho essa intuição tão grande, se devem existir tantos homens com o nome Aldo Medeiros? É que a tradução é muito boa, muito vivaz, conservando deliciosamente as características da oralidade (eram programas de rádio, né?) e não estranharia nada que tenha sido feita por um violonista (de artistas das cordas eu entendo). Sem mais comentários ...