quarta-feira, 13 de julho de 2016

Conversando sobre Literatura infantil...


No comentário de 13 páginas (quase um elogio) que meu artigo sobre os 'Dicionários infantis de Pedro Bloch' recebeu, o/a analista começa com um comentário quase melancólico, que ressente pela falta da citação ao grupo de escritores infantis da revista Recreio e dos anos 1970 (Ana Maria Machado, Joel Rufino, etc), que segundo o aparecer, conversariam sem maior dificuldade com o trabalho de Bloch.

É verdade, sim, mas em relação àqueles 'Dicionários',nesse primeiro momento, preferi não pensar o Bloch como autor de livros infantis, porque isso ele também foi mesmo e muito, mas eu quis destacar (até como fontes de pesquisa) os dicionários e os anedotários bloquianos como um grupo autônomo da produção literária infantil de Bloch, afinal eu percebo que nesse grupo de anedotas e compêndios, vejo que as crianças aparecem não só como destinatárias, mas como co-autoras dos livros e isso é o que me chama atenção. Mas é claro que, se as crianças puderam ser efetivas co-autoras daquelas obras, isso tem relação direta com um oxigênio de ideias que circulava desde aquela década de 1970 e por isso os autores citados serão lembrados em outros trabalhos meus, frutos da pesquisa de pós-doc. Afinal aqueles foram SIM os autores que eu li na infância (especialmente a Ana Maria Machado e a Ruth Rocha - as quais eu leio até hoje). E são deliciosos os livros daquela galera, não?

Sobre esse grupo, achei na internet um texto delicioso aqui.

terça-feira, 12 de julho de 2016

Balanço do 1o. ano do pós-doc "Anedotas infantis de Pedro Bloch: Narrativas de história cultural do humor e da criança (1952 - 2002)"


Esse grupo de livros (anedotários) escritos por Pedro Bloch e publicados entre 1963 e 1998 são a primeira parte das fontes de pesquisa que estou usando no  pós-doutorado “Anedotas infantis de Pedro Bloch: Narrativas de história cultural do humor e da criança (1952 - 2002)"em História Cultural, por Camila Rodrigues e em desenvolvimento pela  USP.

Nesse primeiro ano da investigação (julho de 2015- julho 2016) eu garimpei essas publicações e descobri que existe muito mais livros do Bloch (sobre foniatria, livros infantis, peças dramatúrgicas, etc), mas os que atendem aos critérios do meu filtro (dedicam-se aos ditos infantis) acho que são esses mesmo.

Sobre Criança diz cada uma!,  título que julgo sintetizar a ideia de Pedro Bloch em reunir historinhas de crianças, reescrevê-las e  publicar na  imprensa e em livros. Também com esse nome sei que  existem muitos volumes, alguns até em edições de bolso, contendo diversas historinhas de crianças, mas como preciso filtrar, escolhi o volume de 1963,  que seria o primeiro anedotário infantil bloquiano ao qual tive acesso.

Pensei muito sobre esse material, e a respeito de outras publicações de Bloch sobre falas de criança, mas em forma de compêndios, escrevi o artigo "Dicionários infantis de Pedro Bloch: compêndios sobre a graciosa sabedoria da criança" que foi considerado (em seus alcances e limitações) pelos avaliadores e que agora está no prelo da Revista Tempo (UFF). 

Agora é me dedicar ao segundo grupo de fontes sugeridas no pós-doc, que é um recorte da coluna Criança diz cada uma! publicadas na Revista Manchete (escolhi a  década de 1970 para recortar essas colunas).   

Parece que está tudo dando certo.  Sigamos.

terça-feira, 5 de julho de 2016

Leandro Karnal no Roda Viva

Com Leandro Karnal no centro a Roda Morta renasceu momentaneamente ...

sexta-feira, 1 de julho de 2016

"As siglas em cores no Trabalho das passagens, de W. Benjamin" de Willi Bolle e a História da minha vida!

As siglas em cores nos manuscritos de Passagens, de W. Benjamin, interpretados por Willi Bolle

Depois de algum tempo a  gente vai descascando a cebola e achando alguns motivos das coisas. 
Li "As siglas em cores no 'Trabalho das passagens', de W. Benjamin", de Willi Bole,  em 2003 ou 2004, quando eu já estava formada, queria estudar Guimarães Rosa e ministrava uma oficina sobre ele com as CRIANÇAS.
Ai conheci o trabalho do Willi Bolle e, por consequência ,Walter Benjamin. 
Não que minha ficha tivesse caído imediatamente, eu achei tudo tão nebuloso, mas Benjamin e seu universo me pareceram sensacionais, foi amor a primeira vista.

Neste texto,  Bolle fala de uma consulta aos MANUSCRITOS BENJAMINIANOS, e das misteriosas CORES  encontradas nele, que segundo a leitura de Bolle, poderiam ser uma representação da  HISTÓRIA.

Lembro que aquela pesquisa que eu chamo de PESQUISA DA VIDA,que ainda vou fazer, é uma consulta aos manuscritos de Benjamin, para estudar as referências a infância neles. Não dá para dizer que a leitura desse texto não me influenciou, né?

Mas qualquer semelhança com as ideias que desenvolvi depois, especialmente na  tese "Escrevendo a lápis de cor : Infância e História na escritura de Guimarães Rosa", não são mera coincidências (mas também não são diretas, juro que só me dei conta agora!).





domingo, 26 de junho de 2016

"História. Ficção. Literatura." de Luiz Costa Lima



Quem esteve na defesa da minha tese ou me acompanhou durante o doutorado deve se lembrar como eu pirei com esse autor e esse livro, não é?
No caso dessa publicação, mais do que seu conteúdo - resultado parcial de longa pesquisa sobre Ficção que ainda está se desenvolvendo -, chamou  a minha atenção o título:



História. Ficção. Literatura.

Temos aqui representados, três tipos diferentes  de discursos, que de comunicam e  interagem, embora nenhum chegue a se transformar no outro (cada um tem seu próprio ponto final, que demarcando seu limite).


Se começamos admitindo que a  História é o discurso que se apresenta como verdade dos fatos. Terminamos na Literatura, que é o discurso que se apresenta como verdade da arte da palavra.
Entre elas está a FICÇÃO, que é um processo complexo  de INTERMEDIAÇÃO CRIATIVA entre a realidade histórica e a arte literária.

Eu ainda gosto dessa ideia e a considero mais complexa e respeitosa com as peculiaridades de cada discurso do que  tentar nivelar tudo em comparações grotescas.
Mas essa é apenas a minha opinião, não é uma verdade absoluta. 

SOBRE AS RELAÇÕES ENTRE HISTÓRIA E LITERATURA, NOVAMENTE

Guimarães Rosa escrevendo
Na última vez que ouvi Carlo Ginzburg falar sobre as relações entre História e Literatura (em 2007, no contexto do lançamento de O fio e os rastros, na FFLCH), ele se colocou contra o estabelecimento do que chamou de "relações 1 a 1" (que entendi serem relações diretas entre os discursos).
Adorei isso, porque, pensando em minha longa pesquisa histórica sobre Guimarães Rosa, acho que o projeto literário rosiano é grande, minucioso e poderoso por si só. Compará-lo diretamente a textos sociológicos ou a historiografia é uma boa forma de não compreendê-lo.
Também penso que cobrar dele militância ou posicionamentos mais objetivos é desprezar (ou rejeitar mesmo) sua mais profunda forma de expressão, que está escorada nos movimentos da linguagem, e é dali que ele pode expressar melhor a sua voz.
E não acho pouco. Tanto que até hoje buscamos compreende-lo em sua plenitude.
Viva a literatura. Viva a literatura de Guimarães Rosa.

sábado, 25 de junho de 2016

Respostas engenhosas de crianças

O Catraca Livre publicou um site com respostas engenhosas de crianças.
Uma delas me chamou a atenção especialmente:

Tudo a ver com a "carta enigma" que o Guimarães Rosa escreveu para a irmã quando menino:  o pensamento da criança  de dividir palavra por palavra - escrita e falava- se lambuzando na linguagem ... sensacional!