quarta-feira, 14 de junho de 2017

SONHO DE ALICE E DEFESA

Não sei por qual motivo, depois de tantos anos, esta noite sonhei com defesa de tese. A minha tese. Era em um lugar desconhecido e eu cheguei terrivelmente atrasada, a ponto de que a primeira arguição, de um membro que eu não conhecia, já tivesse sido concluída sem a minha presença (sim, não sei a quem a banca arguiu!) e a segunda já peguei na metade (em geral ela parecia repetir a fala do primeiro professor e eu não sei bem de que tratava a MINHA tese!Não respondi nada!). Saímos para o intervalo e eu, julgando que seria melhor estabelecer 'contatinhos", me aproximei do público, cheio de jovens, para me desculpar com o primeiro arguidor pelo atraso, mas ele não pareceu se importar muito, pois estava muito entretido jogando baralho, não respondia logicamente ao que eu perguntava ! Quando acordei, cedinho, achei o sonho super Lewis Carroll - defesa, baralho, e eu querendo agir de forma lógica em um ambiente completamente nonsense- e eu pagando de Alice ! kkk

terça-feira, 13 de junho de 2017

História do Conidiano e a morte do Caio Fernando Abreu

HISTÓRIA DO COTIDIANO - Esses dias eu estava conversando com um amigo  é um jovenzinho sobre porque ouvir Legião Urbana, que eu gostava tanto - tenho todos os CDS mas nunca mais ouvi - é tão difícil para mim agora. Afora a questão de que meu gosto mudou, ouvir Legião me leva para quando eu era adolescente, entre 1995, 1996, e meu falecido irmão trabalhava no transporte de jornais e por isso, todos os dias, em casa tínhamos um exemplar de "O Estado de São Paulo" e de um outro jornal carioca, não me lembro mais qual era. Dai eu ter me tornado uma leitora frequente das crônicas do Caio Fernando Abreu, todas as quintas no OESP. E lembro, com muita dor, de ter acompanhado de perto, pelo jornal, quando ele descobriu que estava com AIDS, a mudança para o Sul para o tratamento ao lado dos pais, o tratamento e, enfim, a morte do cronista. A morte de CFA ficou registrada em mim como a ausência daquela coluna que eu lia como se fosse uma conversa com um amigo, a troca de confidências. Eu disse ao meu amigo que achava que tinha (e tenho mesmo, mas não sei onde) uma ou duas coluna recortadas do jornal na época guardadas entre meus papéis, mas que algumas delas estão publicadas no livro Pequenas Epifanias, que eu adorava, mas que tratavam de tempos muito dificeis: era a AIDS, uma grande peste que estava levando tantos embora, tantos que tinham sobrevivido à ditadura militar e sonhado com novos tempos (o que está claramente exposto no sensacional conto "Morangos Mofados", que depois analisei em um trabalho de História Contemporânea para o Nicolau Sevcenko, falando sobre o gosto meio amargo dos mofados Strawberry Fields de outrora), e que então estavam morrendo, como Cazuza, Renato Russo, Caio Fernando Abreu...quando ouço Legião Urbana hoje em dia, coisa que faço muito raramente, aquilo tudo volta de novo para mim com muita força. Não é fácil. Mas, olhando por outro lado, é uma anedota boa para se falar da História do Cotidiano, não é? Mas é mais fácil contar a história dos outros do que falar de nós mesmos, não é?

sexta-feira, 2 de junho de 2017

No Baile Black do Mano Brown e a dor do não pertencimento



Graças à gentileza de um amigo, consegui comparecer ao baile Black do Mano Brown no dia 01 de junho de 2017... com toda aquela gente preta linda, moços e moças esteticamente belos e alegres... coisa mais linda não há!


Sobre o Mano Brown é  o cara! Que porte, que discurso ...um  homem enorme, exuberante e eu confirmei o que eu pensava antes :não sou tão mulherão para encarar um cara assim, não saberia nem por onde começar...mas chama a atenção, e como chama...

Era meu sonho ir a um baile black e, claro, achei delicioso, encantador. O contato com a  cultura negra, que é parte significativa de mim,  e na qual é comum que me incluam (sem perguntar o que eu sinto, claro) e é um universo que sempre me foi negado e só na  vida adulta que fui resgatar com força  e estudar essa herança. Mas ontem fiz um teste prático e constatei que em meio a todos eles, verdadeiramente, eu também não me senti pertencendo àquilo tudo em nenhum momento.

Sou sempre uma intrusa. Não é nada fácil.

É começar a vivenciar aquela ideia do Sérgio Buarque: Aqui nesse país miscigenado, somos estrangeiros em nossa própria terra (não somos europeus, não somos indígenas, nem africanos... somos brasileiros mestiços). Isso é lindo, mas como dói.



Mas pelo menos naquela noite eu fingi pertencer àquele grupo e cantei, de coração :
"...eu fui no baile, no baile black... ", sem medo do vazio do dia seguinte.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Criança : humor e ironia



PESQUISANDO O HUMOR DAS CRIANÇAS - Estudos sobre o humor da criança são raros, nos conta a professora Alessandra Del Ré (UNESP Araraquara), mas o que ela e seu grupo de pesquisa NaLíngua, com membros brasileiros e franceses, se propõem a fazer é bastante interessante, especialmente para os estudos de humor em geral. No capítulo Diversão partilhada, humor e ironia (DEL RÉ, A; et al.,2014, p. 50) lemos sobre algumas pesquisas realizadas com algumas crianças brasileiras e francesas em fase de aquisição da linguagem, e o objetivo das pesquisadoras é “identificar as premissas do humor e da ironia na produção de enunciados” daquela meninada e então elas perceberam que os mirins, mesmo pequenos, também podem produzir discurso irônico para fazer adultos e crianças rirem, e isso pode até acontecer, mas é muito raro que tanto um quanto outro cheguem a rir pelo mesmo motivo – o que seria um caso de diversão partilhada -, pois crianças e adultos possuem culturas humorísticas diferentes e a ironia (uma forma de humor) seria uma das formas de tentar aproximar estes estados de percepção.

sábado, 27 de maio de 2017

PEDRO BLOCH : UM PEQUENO FENÔMENO EDITORIAL

Concluindo meu  estágio pós doutoral, que nem foi propriamente  sobre o Pedro Bloch, mas sim sobre o seu trabalho com as crianças,  eu me impressiono com o fato de que não descobri exatamente quantos livros ele  publicou.Quando minha conta passou dos 90 volumes - dentre dicionários, séries de revistinhas, livros de bolso, publicações na área médica, dramaturgia, livros infanto juvenis,anedotários, etc- parei de contar e recortei os que realmente iam me interessar (no caso 13 volumes sobre humor de crianças). Mas ele foi mesmo um fenômeno editorial. Claro que ter uma editora da família ajudou muito na multiplicação de volumes, mas ele publicou em várias outras também (Ediouro,Brasiluso,Pró fono,Nórdica,Revinter,etc).
Um sujeito desses deve ser muito estudado, especialmente por ter vivido no Brasil,não acham? 

terça-feira, 23 de maio de 2017

ORALIDADE E PEDRO BLOCH




ORALIDADE E PEDRO BLOCH  
Em meu relatório final eu não devo  defender que o Pedro Bloch foi pesquisar e trabalhar com foniatria exclusivamente porque era judeu. Isso seria reducionista. Eu vejo o seu caso em um contexto maior: o século XX, a era do florescer dos estudos sobre a linguagem e a fala e o surgimento da própria Foniatria , que é uma área médica nascida na Alemanha em 1905 e que mais tarde foi trazida ao Brasil por pesquisadores como o  próprio Bloch na segunda metade do século XX, e que apostava em uma abordagem interdisciplinar para compreender e tratar distúrbios da fala. Bloch não era um teórico, ele era um judeu,  médico e também um cientista da área médica.
Por outro lado, como sou uma teórica, eu li (e pirei com isso) o Russel Jacoby e a a reflexão sobre a longa tradição judaica que propõe um elogio ao oral, tanto que Jacoby resgata o pensamento de Frtitz Mautner para defender, mais ou menos, que O JUDEU OUVE e ao que ouvir está pensando em história, porque "o ouvido não recebe uma mensagem apenas, ele registra a sequencia do tempo; o som requer duração". E Russel conclui: "o som inclui o tempo e o tempo implica a história" (A Imagem imperfeita, 2007, p. 203).
Eu não sei em que medida esse raciocínio interferiu nas ações de Bloch, mas também não posso afirmar que não esteve presente de nenhuma forma. Devo apontar essas questões, mas de forma leve, colocando mesmo como dúvida: Será que Bloch estudou a linguagem oral porque era judeu, ou porque era judeu foi estudar a oralidade? kkkk
No meio de tudo isso, tem as crianças e elas sempre apresentam outras apreensões para tudo, isso é o mais importante para mim!