domingo, 7 de janeiro de 2018

Cores de Van Gogh

Noite de versão - Sol com pontilhado , 1888 - Vincent van Gogh

Muito antes das cores de Almodóvar - lindamente cantada em prosa em verso - o ser humano viu as extasiantes cores de Van Gogh, que "descobriu" sua importância, estudou suas relações e explorou tudo isso em suas telas, para nosso deleite.Especialmente o meu, que sou doutora em cores (minha tese se chama "Escrevendo a lápis de cor", lembram?). Na bio de Vicente me chamou a atenção esse trecho :


"Um dia , o pastor Theodorus (pai de Vicent) lhe escreveu palavras que ficaram gravadas no seu espírito, e ele retoma numa carta (ao irmão Théo) de outubro de 1875: 'Papai me escreveu um dia: Mas não esqueça a aventura de Ícaro, que quis voar até o sol e, tendo atingido certa altura, perdeu as asas e caiu no mar'.Espantosa persistência do pastor ou conhecimento da personalidade do filho, a menos que se suponha da parte deste uma conduta inconsciente tendendo a se conformar a um destino anunciado. Vicente Van Gogh é ícaro; ele de fato se elevará nas asas da pintura até o amarelo, até o ouro absoluto do final do verão de 1888, reencontrará a figura brutal do pai que quis ver em Gauguin, para então, após a queda através das formas rodopiantes de Saint-Rémy, se abismar nos azuis de Auvers-sur-Oise.
David Haziot. "Van Gogh". Trad. Paulo Neves. Porto Alegre: L&PM, 2010, P. 52

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

A bio de Van Gogh

Comecei a ler ontem, estou amando, o livro é muito bem escrito. Logo no começo uma coisa me chamou a atenção, Van Gogh, ou apenas Vicent (como eles padronizaram chamar na bio), nasceu em 1853 num contexto muito estranho para nós que somos tão individualistas no século XXI: nasceu um ano depois de Vincent Willem van Gogh, que era seu irmão mais velho natimorto. 
O autor da bio tenta nos "acalmar" sobre isso dizendo  que isso era mais ou menos comum na época, quando mortes na infância eram muito comuns,mas certamente o fato dele ter lido uma lápide com seu nome logo que aprendeu a ler, não deve ter passado em branco para a sensibilidade do artista. Mas individualidade não era a especialidade dos Van Gogh, já que existiam pelo menos uns quatro Vicente Van Gogh na família de nosso gênio, que para nós é estranho e essa estranheza pontua uma sutil mudança de sensibilidade nas percepções. Resumindo: Já estou pirando

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Sobre a humanidade!



No dia primeiro dia do ano de 2018, que também é o dia mundial da paz, leio  esta entrevista da pensadora Agnes Heller ao El País, que me emocionou muito pois me lembra os belos ideais humanistas de Pedro Bloch e de Guimarães Rosa (um judeu ucraniano que ainda criança veio ao Rio de Janeiro  refugiado no final da década de 1910, fugindo das perseguições históricas ao seu povo  e um cônsul do Brasil em Hamburgo em 1941, quando se operava o massacre dos seres humanos em escala industrial, do qye a humanidade pode se envergonhar) , que na parte final do terrível século XX ousaram acreditar na capacidade criativa  humana em reagir a partir de  outras lógicas, nao tão comuns e racionais (como o Humor, por exemplo) e de alguma forma salvar a humanidade!
Isso é lindo. Isso  é o que eu pesquisei muitos anos. Isso é História, sim. É História das ideias. E não vou abandonar essa "causa" maravilhosa.
Que 2018 abra meus caminhos para repensar essas questões tão importantes, sempre! Feliz ano novo! 

sábado, 30 de dezembro de 2017

Alerta da Defesa Civil: Procure ABRIGO!

Hoje acordei solitária e recebi um SMS: 
"Defesa Civil: Chuvas intensas se aproximam da Grande São Paulo, com raios. Busque abrigo. Evite áreas abertas."
Como tudo anda tão difícil, só pude pensar em encontrar abrigo na música da Marina Lima

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

10 Metas de Camila para 2018



Sobre metas, é sempre bom traçar alguma, não é? Em 2017 eu aprendi a fazer limonada, mousse e caipirinha dos limões que encontrei, eu tinha apenas  a meta de emagrecer com saúde e hoje posso dizer com alegria que  ela foi cumprida plenamente, o que é uma delícia.

Como  agora estamos prestes a adentrar 2018 e  achei interessante  apostar novamente em metas, mas como não é possível pensar somente em uma grande, como foi em 2017, achei legal traçar pelo menos 10 metas  que vou tentar ao máximo cumprir ao longo do ano. Lembrando sempre que, com o tempo, as metas devem e vão se modificar, mas o jogo agora é ver, em dezembro de 2018, quais dos desejos que eu tenho para mim agora foram cumpridos ou não. 
 Vamos jogar? As metas estão numeradas apenas para organizar melhor, não há hierarquia de importância entre elas, já que a ideia é conseguir alcançar todas em 2018: 


10 Metas para 2018
1 - Arrumar um emprego desafiador na minha área para produzir e arrumar grana para prestar  concursos; 

2 - Encontrar o mozão para construir uma relação feliz;


3  Publicar os artigos que não publiquei em 2017 por conta do fim do pós doc;

4 - Continuar frequentando o "Todo Domingo Musical" na Casa das Caldeiras;

5 -  Voltar a assistir frequentemente o Instrumental SESC Brasil toda semana;

6 - Seguir firme no treino seis vezes na semana, pois cansa,mas me fez muito bem;

7 - Continuar minha imersão no  mundo negro em novas músicas e pessoas pois foi muito rico para mim esse exercício de identificação;

8 -Viajar. Se em 2016 fui a MG  e em 2017 ao RJ, para 2018 minha meta é voltar aos dois Estados, ou então conhecer um novo, quem sabe Salvador, para ajudar a cumprir a meta 7?! ;

9 - Assistir a um show do Tom Zé novamente, já que em 2017, ano que vi muitos e muitos shows, o dele eu não  pude ver depois de tantos anos sendo público fiel do meu ídolo;

10 - Ajudar todo mundo a transformar os obstáculos em conquistas  sempre que puder, essa é a meta para a vida!; 

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Xenia de França : Mais samba esquema novo? Oba!

A cantora Xênia França, que lançou disco este ano com patrocínio da Natura Musical. NATURA MUSICAL
Fui conhecer o som da  Xênia por causa deste artigo do  El Pais, que aponta sonoridades "novas" da música brasileira que eles dizem estarem "muito além do samba". Abram a reportagem de Talita Bedinelli, pois ela  é muito interessante, me apresentou realmente músicas que eu não tinha escutado ainda, o que é excelente.
É sobre a primeira indicação da matéria que eu vou falar aqui, trata-se de Xênia França, uma cantora deveras intrigante, o que se percebe pela imagem impactante dessa  negra.
Além da aparência, o  som de Xenia me alegra demais ouvir e vale super a pena, é sem dúvida alguma música de preto, ou para ser mais exata, música de preta.

 Ouvi apenas este single, achei muito chique: ela pergunta "por que tu me chamas se não me conhece?", numa voz deliciosa, de algodão, vai jogando docemente na nossa cara quanto desconhecimento se tem sobre essa rica herança negra que nutre a cultura do Brasil (sim, isso o cancioneiro de Benjor sempre fez). Mas que  preta chique essa! 
Voltando ao  que diz o artigo sobre o som dela no El Pais, é mesmo verdade que o som de Xenia tem "muitos tambores, ambientações tribais flertando com o jazz", mas só para provocar  um pouco, não posso deixar de lembrar que Ben Jor brincou assim no "Samba Esquema Novo", de 1963, que abre com aquela joia que é Mas que nada, que nada mais é que uma canção de terreiro, retrabalhada no jazz do beco das garrafas  e na vivência das rodas de samba. Aquilo continua lindo,  é, sempre foi, samba, mas nesse tal esquema novo. Eu adoro! ... De qualquer forma, obrigada Xenia, por continuar , de alguma forma, a bela e importante trajetória de Ben sobre as vivências culturais negras no Brasil.

Ainda sobre O Menino e o mundo