"Um samba mais negro : Os Afro Sambas de Baden Powell e Vinicius de Moraes (1966)", mais um texto meu sobre a cultura afro , no blog da Loja Axé. Leiam, compartilhem e comentem.
sexta-feira, 5 de outubro de 2018
sexta-feira, 28 de setembro de 2018
Sobre política
Essa semana o Nico Araújo me disse que meu texto
“O
simbolismo afro-brasileiro no cancioneiro de Jorge Ben” é extremamente
político. Embora esse não seja nunca o
meu primeiro objetivo, confesso que adorei! Na verdade foi um grande presente,
porque me lembrou a importância da individualidade do leitor, ou em outras palavras, mostrou que Nico sabe que política não é só uma questão partidária, mas
é a forma de organizar o estar no mundo. Mostrar esse conhecimento, neste
contexto texto das eleições mais tensas dos últimos tempos (ocorre em meio ao
golpe) tem todo o significado.
Nesse sentido, a existência
da minha coluna “História Cultural” no Blog
da Loja Axé, e também todo o meu trabalho como pesquisadora em História (especialmente o pós-doutorado
sobre Pedro Bloch e o poder do diálogo com as crianças), em maior ou menor intensidade, é e
sempre foi político. Sobretudo a extensa pesquisa sobre a obra de Guimarães Rosa, que negava o discurso “anti-humano”
da política, mas se orgulhava se ser
diplomata, profissional da harmonização. E esse tipo de posicionamento,
expresso na década de 1960, não é extremamente histórico e por consequência,
muito político? Eu acho que é sim.
Nessa semana, em virtude da
urgência do tema, eu também, escrevi um texto contra Jair Bolsonaro que não assinei, mas que foi publicado como um
posicionamento institucional, e do qual muita gente gostou muito. Eu gostei
menos. Embora ali esteja o meu posicionamento legítimo, não me reconheço
naquela forma de expressar tão direta. Não sou da “palavra de ordem”. Mas claro
que isso não quer dizer que não tenho posicionamento político, como comecei
alertando.
Termino setembro com esse ato político, até
para muito além do #EleNão, mas que é fundamental que ele não, isso é!
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segunda-feira, 10 de setembro de 2018
Segunda é dia de Exu
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| Exu |
SOU EXU
Não sou preto, branco ou vermelho
Tenho as cores e formas que quiser.
Não sou diabo nem santo, sou exu!
mando e desmando,
traço e risco
faço e desfaço.
estou e não vou
tiro e não dou.
sou exu.
Passo e cruzo
Traço, misturo e arrasto o pé
Sou reboliço e alegria
Rodo, tiro e boto,
Jogo e faço fé.
Sou nuvem, vento e poeira
Quando quero, homem e mulher
Sou das praias, e da maré.
ocupo todos os cantos.
sou menino, avô, maluco até
posso ser João, Maria ou José
Sou o ponto do cruzamento.
durmo acordado e ronco falando
corro, grito e pulo
faço filho assobiando
sou argamassa
De sonho carne e areia.
sou a gente sem bandeira,
o espeto, meu bastão.
o assento? O vento!..
sou do mundo,nem do campo
nem da cidade,
não tenho idade.
Recebo e respondo pelas pontas,
Pelos chifres da nação
Sou exu.
sou agito, vida, ação
sou os cornos da lua nova
a barriga da rua cheia!...
Quer mais? Não dou,
Não tô mais aqui!
(Jorge Amado)
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sábado, 8 de setembro de 2018
Ora Ei Ei Ô Oxum
Sou Oxum. Transparecendo doçura venci todos os meus inimigos. Resisti com meu povo à escravidão, à fome, à humilhação. Minhas filhas, essas mulheres tão lindas, essas negras que exalam o doce perfume do macassá, sofreram as mais terríveis violências. Corpos expropriados, almas destruídas, ventres violados. Chorei ao parir esses filhos. Filhos da pior desgraça, filhos do medo, do abuso, da crueldade. Filhos que nem sempre pude amamentar, mas que amei como minhas mais belas joias, como minhas maiores riquezas.
Abençoei a luta dessas mulheres. Com mel e água curei suas chagas. Mesmo as dores mais profundas, abrandei. Nascer mulher é uma sina, um castigo? Que homem disse isso? Só quem desconhece a força da vida é capaz de negar o poder feminino. Sou Oxum, sou mulher. Sou a grande dama da sociedade, a Iyalodê! Sou rainha, sou mãe, sou feiticeira
Vim das terras de Ijexá e Oxobô, da Nigéria, da África. De lá transborda meu rio, o Rio Oxum, de águas douradas e calmas que se expandem e tomam muitas formas, que se transformam e se confundem, que se ampliam e desaguam. Águas sinuosas, um dia calmas, outro revoltas, mas nunca as mesmas.
Oxum é como as águas do rio que parecem límpidas e calmas, mas que sem o menor aviso se transformam em uma corredeira violenta que deságua em uma cachoeira de si.
Ser filha de Oxum é ser tudo isso e ter todo esse turbilhão de água ao seu redor e conseguir a calma necessária para superar todos os obstáculos
Gratidão ao universo por ser filha desta grande mãe
Oxum é como as águas do rio que parecem límpidas e calmas, mas que sem o menor aviso se transformam em uma corredeira violenta que deságua em uma cachoeira de si.
Ser filha de Oxum é ser tudo isso e ter todo esse turbilhão de água ao seu redor e conseguir a calma necessária para superar todos os obstáculos
Gratidão ao universo por ser filha desta grande mãe
Ora ye ye ye ooooo Oxum
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segunda-feira, 3 de setembro de 2018
Show dos 40 anos do disco Clube da Esquina 2
Entre 31 de agosto e 02 de
setembro de 2018 o SESC Vila Mariana promoveu uma mini turnê em comemoração
pelos quarenta anos do disco Clube da Esquina 2 (1978), em três shows de Wagner
Tiso e Flávio Venturini, com convidados : Toninho Horta, Nelson Ângelo e Zé
Renato.
O disco de Milton Nascimento,
como o primeiro Clube da Esquina, em parceria com Lô Borges de 1972, contou com
a presença de um extenso grupo de músicos, todos aglutinados em torno de
Milton, o grande guru do Movimento Musical.
No curso que assisti sobre o Clube da Esquina, a
partir do artigo sensacional “Nada ficou como antes” do professor Ivan Vilela
só foi abordado o primeiro disco e suas saídas musicais criativas, apesar de
nós pedirmos muito para falar do disco 2, para Vilela o segundo disco não
apresentava novidades frescas como o primeiro, seria apenas uma celebração da
ideia daquele movimento musical. Se é verdade ou se é mentira, o certo é que em
determinado momento do curso Vilela, que propunha um método auditivo para
tratar das canções, separou três minutos e meio para ouvirmos a segunda
faixa do segundo disco, ” Nascente” na voz de Milton Nascimento, e todos
ficamos extasiados e emocionados.
O fato é que o disco Clube da
Esquina 2, tanto quando o primeiro disco de 1972, tem seu lugar definido na
memória afetiva e musical dos admiradores
da música mineira daquele álbum composto por vinte e duas faixas e
tantas delas foram interpretadas no show. Como eu tenho o álbum todo preservado
na memória, percebi que não foram interpretadas as faixas mais tristes do disco
(que é também fruto da ditadura, como todo o Clube da Esquina), como “Olho
dágua”, “e daí?”, “cancion por la unidad de latino America”, “Dona Oimpya”, “a
sede do peixe”(essa é outra do meu coração porque tem Rosa),”Toshiro” e “que
bom amigo”(que se eu escutasse ao vivo iria soluçar!)...
Além de boa quantidade de canções
do disco, tocaram músicas simbólicas que estão no primeiro disco como “Clube da Esquina 2”, “Paisagem na janela”
, esta a única que a plateia, visivelmente não composta apenas de clubeiros
(senti isso porque sempre vou a shows do
clubem sei como é quando tem clubeiros) pareceu
cantar com força).
Em geral, Wagner Tiso brilhou no
piano nos arranjos para uma banda muito boa executar e todos se
emocionaram muito. Uma canção, “o que foi feito devera” foi tocada duas
vezes e apesar de ter esquecido algumas
letras, Flavio Venturini se saiu até que bem interpretando as clássicas do
Bituca. Foi el quem contou a anedota mais
saborosa: quando o disco foi lançado, em 1978, a música de trabalho que puxava
o álbum foi a sua composição “Nascente”, que já tinha sido gravada pelo Beto
Gudes no seu primeiro disco “A página do relâmpago elétrico” (‘977), mas na voz
do Bituca tornou-se definitiva. Achei interessante porque hoje, como o Clube da
Esquina 1 e 2 são álbuns clássicos, nunca pensei em quais teriam sido suas músicas de divulgação ...
Como sempre, super valeu ouvir
música mineira, que eu amo, e estar entre clubeiros...
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| Agradecimento final |
sexta-feira, 31 de agosto de 2018
Um livro sobre o Candomblé
Fui la na FFLCH buscar este que é o último empréstimo de livro como ex aluna que me cabe e comecei a ler. Trata-se de "um livro sobre o candomblé", o "Segredos guardados: orixás na alma brasileira" de Reginaldo Prandi. Escrito por um professor e pesquisador (claro que é só uma percepção da coisa, um pouco de fora, bem acadêmica, mas é importante também, especialmente este bem claro, quase didático), uma leitura muito interessante! Só lamento que este, como a maioria das coisas sobre a cultura negra no Brasil seja tão mais caro! Só em biblioteca mesmo para conseguir pelo menos experimentar a leitura, enfim!
Faz tempo que estou fora das salas de aula, nesse país que rejeita seus especialistas, mas tenho muita saudade de dar aula. Recortei esse trechinho do livro porque ele é rico em questões para se discutir, dá panos para mangas, o que acham:
“Mesmo quando o negro se expressa para afirmar a negritude, a condição africana, não resta a ele fazê-lo senão como um brasileiro. Ainda que o passado ancestral perdido seja a África pluriétnica, multicultural, o passado recuperável é aquele que o Brasil logrou incorporar na construção de uma nova civilização, passado que só pode ser reinventado, memória recriada. Entre o Brasil contemporâneo e a velha África, bem como entre a antiga Europa e as perdidas civilizações indígenas, situa-se a nossa própria história, que nos impede ou auxilia no reencontro do nosso ponto de partida, nos meandros da civilização que ela mesma engendrou. Do Brasil de hoje se faz raiz África de ontem, África simbólica que é memória e identidade possíveis dos afro-brasileiros. O candomblé, nesse processo, deixa de ser religião e passa a funcionar apenas como fonte idealizada de identidade, mesmo porque o candomblé não tem a menor disposição de se enfileirar com o movimento de afirmação do negro; pais e mães-de-santo, muitos deles brancos ou mestiços, querem ser apenas líderes religiosos, longe de qualquer outra instituição que possa interferir na comunidade que eles formam e dirigem com mão-de-ferro. Do outro lado, embora alguma parcela do movimento negro possa escolher o candomblé como símbolo de identidade africana, dificilmente o conjunto todo estará disposto a assumir uma religião e submeter-se às suas orientações. Candomblé e movimento negro têm a mesma origem, mas já não podem ser juntados. O candomblé tornou-se religião universal, já não pertence a raça ou etnias definidas, é religião “para todos nós”, para todos os brasileiros. “ Reginaldo Prandi. "Segredos guardados: orixás na alma brasileira", p. 172-3
segunda-feira, 16 de julho de 2018
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