quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Oxum Ajagura

Oxum Ajangura

ÒSUN AJAGURA
Uma linda guerreira. Tem um caráter violento, impetuoso.
É ligada à Ogum do qual foi presenteada com a Idá wurá, na nascente de um rio. Foi Ogum que a ensinou a guerrear.
Ela nasce dos rios de águas claras e corrente, regendo as águas revoltas, correntezas, corredeiras e os olhos d’agua que puxam as pessoas para o fundo.
Invariavelmente caminha com Aganju(seu marido) e Ogum e estes devem sempre ser propiciados junto à ela.

Também tem ligações com Ossaim, do qual aprendeu a arte da magia e o conhecimento das ervas e seus ofós. É uma Osun extremamente vingativa e feiticeira.
É uma franca e ardilosa rival de Oyá, que teria também sido casada com Aganju.
Senhora de todas as aves de penas coloridas e aves aquáticas e terrestres. 
É a Yabá responsável direta pelo Ekodidé e pela hora da apresentação do Iyawô à sociedade.
Veste amarelo ouro e rosa bebê. Carrega abebé e alfange no peito dentro do pano da Costa e só o apresenta em atos especiais. 
Seu adê é um dos "únicos que poderiam vir" carregado de Ekodidés.

Come todas as comidas rituais de Osum, mas lhe agrada muito a coelha.
CARACTERÍSTICAS DOS FILHOS DE AJAGURÁ:
Os filhos dessa Osun são amorosos, meigos, detalhistas estáveis, emotivos, vaidosos, intelectuais e sedutores.
Quando amam, amam mesmo. Também são pirracentos, manipuladores, voluptuosos e fofoqueiros.
Possuem grande sabedoria para feitiços.

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Morre Cafi, as capas ficam na história!

2019 começa amargurado e para piorar, a morte de Cafi, um fotógrafo fundamental para a MPB.
Dentre tantas cosas maravilhosas que ele fez, está a capa do disco Clube da Esquina (1972), que é uma das mais belas e que para mim sintetiza o que é o Clube da Esquina.
Clube da Esquina 1972

Bem vindo 2019, obrigada por levar o Cafi para um lugar melhor que esse Brasil onde vamos (sobre)viver. Obrigada Cafi, fica em paz!
Sobre esta morte, o meu querido Beto Guedes, que também teve discos com capas de Cafi se pronunciou desta forma:
Depoimento de Beto Guedes no Facebook

Sigamos .

Toques do Candomblé nação Angola

Belo vídeo dos toques de Candomblé.
Ouvindo, além da vibração que vai levando a sente em um ritmo forte que não à toa leva ao transe, os interessados como eu, vamos  reconhecendo nomes, saudações, ou mesmo alguns versos soltos ... no meu caso, em especial  reconheci os para Oxum, que não sei reconhecer o toque no atabaque, mas deve estar sendo tocados no ritmo Ijexá, como costumam ser para Oxum. Reconheci emcionada que em 12'09" tem o verso do canto de Oxum, que faz parte da canção do Vinicius de Moraes e Toquinho :Nhem-nhem-nhem-xorodô...Fé-fé xorodô. Em 14:42 aparece uma variaçãp do belíssimo canto para Oxum: "Oro mi má/Oro mi maió/Oro mi maió/Yabado oyeyeo/Oro mi má/Oro mi maió/Oro mi maió/Yabado oyeyeo.
De resto é tudo lindo, parece que a gente "entende" o que estão dizendo: é mágico.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

As 16 caminhos (qualidades) de Mamãe Oxum

Mamãe Oxum e seu Abebé



Que em 2019 o Abebé (espelho)  da Mamãe Oxum mande de volta todo o mal para quem o espalhou! Oraeieiô! 💛👑🌻INFORMAÇÃO:
Qualidades do Orixá Oxum (Outubro 23, 2008 por Manuela) FONTE CLIQUE AQUI
Divindade calma veste-se sempre de cores claras, de preferência amarelas que é a sua cor consagrada; porém, dependendo da qualidade, òsun guerreira pode vestir-se de cor de rosa, òsun velha de branco e azul claro; òsun Ijimu, por exemplo, usa uma saia azul claro, òja e adé cor de rosa. Òsun leva na mão direita seu leque ritual, o abèbé de latão ou qualquer outro metal dourado, com uma sereia, um peixe ou até mesmo uma pequena pomba no centro.
O número de òsun sendo dezesseis, o colar terá dezesseis fios, dezesseis firmas (ou duas, ou quatro) que podem ser de divindades com as quais ela tem afinidade, ou com as quais sua filha estiver relacionada: Òsòsi, Sàngó, Yémánjá, por exemplo. Òsun dança os ritmos ijesa, com passos miúdos, segurando graciosamente a saia.
O toque Ijèsà é ritmado como o balanço das águas tranqüilas, e muito apreciado pelos fiéis. Quando estão Presentes Òsòsi e Logun Edé acompanham òsun. ògún também dança com òsun os ritmos Ijèsà, assim como òsányín. No terreiro jeje do Bogun, òsun (ÍYÁLODE) dança o bravum como Naná. Ela se banha no rio, penteia seus cabelos, põe suas jóias, anéis e pulseiras. No dia do deká de uma filha de Yasan (Oya Bale) daquela casa, òsun manifestou-se para disputar Sàngó, empurrando-a e dançando, provocante, diante do deus do trovão.
São dezesseis qualidades de Òsun;
– ÒSUN ABALÔ é uma velha Òsun, de culto antigo, considerada Iyá Ominibú, tem ligação com Oyá, Ogun e Oxóssi, veste-se de cores claras, usa abebé e alfange.
– ÒSUN IJÍMU ou Ijimú, é outro tipo de Òsun velha. Veste-se de azul claro ou cor de rosa. Leva abèbé e alfange, tem ligação com as Iyamís, é responsável por todos os Otás dos rios.
– ÒSUN ABOTÔ também uma velha oxun de culto antigo, ligada as Iyamís, feiticeira, carrega abebe e alfange, tem ligação com Nanã, Oyá de culto Igbalé.
– ÒSUN OPARÁ ou Apará seria a mais jovem das Òsun, e um tipo guerreiro que acompanha Ògún, vivendo com ele pelas estradas; dança com ele quando se manifestam, juntos numa festa; leva uma espada na m ão e pode vestir-se de cor de marronavermelhado,a Senhora da Espada.
– ÒSUN AJAGURA ou Ajajira, outra òsun guerreira que leva espada, jovem, tem ligação com Yemanjá e Xangô
– YEYE OKE Oxun jovem guerreira, muito ligada a Oxóssi, carrega ofa e erukere
– YEYE ÌPONDÁ é também uma òsun Guerreira ligada a Ibuálàmò. Yeye Pondá é rainda da cidade que leva seu nome Ìponda, leva uma espada e veste-se de amarelo ouro e branco quando acompanha Oxaguiã.
– YEYE OGA é uma òsun velha e muito guereira, carrega abebe e alfange
– YEYE KARÉ é um osun jovem e guereira, ligada a Odé Karè, Logun edé.
– YEYE IPETU é uma Oxun de culto muito antigo, no interior da floresta, na nascente dos rios, ligada a Ossaiyn e principalmente a Oyá dada a sua ligação com Egun.
– YEYE AYAALÁ- é talvez a mais ancestral dentre todas, veste-se de branco, ligada a Orunmilá e as iyamis, considerada a avó.
-YEYE OTIN- Osun com estreita ligação com Ínlè, ligada a caça e usa ofá e abebé.
-YEYE IBERÍ ou merimerin- Oxun nova, concentra a vaidade e toda beleza e elegância de uma Oxun, dizem que ser a Oxun de mãe menininha do Gantois.
–YEYE MOUWÒ- oxun ligada a Olokun e Yemanjá, grande poder das iyamís, veste-se de cores claras e usa abebé e ofange.
–YEYE POPOLOKUN- oxun de culto raro, ligado aos lagos e lagoas,
-YEYE OLÓKÒ- Oxun guerreira , vive na floresta nos grandes poços de água, padroeira do pôço.
Revisão: Fernando D’Osogiyan

domingo, 30 de dezembro de 2018

METAS PARA 2019

metas com glitter, para enganar

Quase não saem as metas para o ano novo. A instabilidade é tamanha que nem dá vontade de projetar nada, mas como o balanço das metas de 2018 foi melhor do que parecia, vamos tentar mais uma vez, mas agora estão reduzidas pela metade, vamos lá:

1 - CONTINUAR VIVA, resistindo num país que está sob um governo que gostaria de exterminar o que eu sou - mulher, negra, historiadora -, e não apenas sobrevivendo, também é importante viver e tentar me divertir sempre que puder, seja no Carnaval, na Casa das Caldeiras, no Instrumental Sesc Brasil, em qualquer lugar;

2 - ACHAR UM MOZÃO é meta da vida, pois não preciso  ser feliz sozinha. Mas sei que estou mais exigente e tal. só que com o tempo fico mais valiosa;

3-   ENCONTRAR  OCUPAÇÕES, pois uma vez viva e alegre, é importante  continuar tentando arrumar um jeito de me manter, minimamente nesse mundo cruel, seja trabalhando, seja estudando, seja escrevendo ou palestrando, porque a vida também é isso;

4- AMPARAR MINHA MÃE, nesse ano em que sua saúde está tão instável e  desafiadora  para nós duas, com a bênção de Deus e de todos os Orixás, vamos conseguir vencer mais esse grande desafio,juntas.

5- TREINAR BASTANTE, pois é o mínimo que posso fazer para me manter saudável. Num ano pesado e dolorido como foi 2018, tenho muito a agradecer por não ter tido nenhum problema com a EM. Em 2019 também estarei vestida com as roupas e as armas de Jorge! Salve Jorge!

sábado, 29 de dezembro de 2018

Oxum Ye Ye Ypondá

Não sei, mas acho que sou Yeye Ypondá... vaidosa, esposa de Oxóssi, come com Iemanjá, usa amarelo e azul, gosta de crianças... muito eu!
OXUM YPONDÁ

Um pouco sobre as passagens de Oxum.

Ypondá

Rainha na cidade de Pondá, dona do rio Pondá, Yeye Ipondá rivaliza com yeye Opará quando seus rios se encontram.

Yeye Ipondá é guerreira, vaidosa ao excesso, aponta sua espada para qualquer um e desafia o intruso. Muito ligada a Owárìs e Igbòálàmà, adora roupas douradas com branco e não responde no jogo mais de uma vez, ou seja, se ela responder entenda rápido pois ela não repetirá o que já respondeu.

Se irrita ao ser puxada numa roda de candomblé, gosta de ser a primeira se tiver outra Oxum na sala e conte com ela sempre quando se tratar de uma criança. Não perdoa um filho que não respeita ou quebra os seus preceitos e sua liturgia.

Ponda ou Ypondá como esposa de Oxossi Ibualama. Porta um leque. É a mãe de Logun-Edé e com sua espada guerreia bravamente. Vive no mato com seu marido. Veste amarelo-ouro e azul-claro na barra da saia. Alguns dizem que é relacionada ao fogo e aos cemitérios e tem ligação com Egun.

A pata é a sua maior quizila, seu bicho de fundamento é a tartaruga.

Tem ligação com Ogum, Oyá, Oxossi e Oxaguiã. Come com Iyemonjá e Oxalá. Alguns dizem ser companheira de Omulu, muito feiticeira tendo ligação com o fogo.

Uma lenda conta que....

“Ypondá e Opará disputavam o mesmo amor. Em um determinado dia, Ypondá deu-se conta de que os olhos de Opará brilhavam muito quando avistava Erinlé, o Odé preferido de Ypondá.

Ypondá muito faceira e perigosa, andava sempre armada com seu par de fisgas (espécie de arpão), chamou Opará e pediu que se ajoelhasse, nesta época Opará era uma espécie de dama de companhia de Ypondá e sempre ficava aos pés de Ypondá.

Opará muito jovem e sempre afoita mesmo sem entender, cumpriu com o pedido da Osun mais velha e correu para abaixar-se, quando Ypondá fisgou-lhe as duas vistas e arrancou fora os olhos.
Tornando-se então Opará cega. Onira revoltada com tal situação tenta comprar a briga de Opará, lançando raios contra Ypondá, e queimando-lhe os pés.

Ypondá por sua vez muitíssimo inteligente mira o abebé dela contra os raios de Oyá e a cega também. Desde então Opará e Oyá fazem companhia uma a outra, são inseparáveis e Ypondá por sua vez, as guia.A esta Oya damos o nome de Onira que é uma Oya Olodo (ou seja das águas).

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

"Receita para Nostalgia: Rosa e seus leitores"

Outro texto belo de recepção de Primeiras Estórias (1962), encontrado no  acervo João Guimarães Rosa no IEB e retirado dos anexos da tese de 2014. Este escrito por  Dinah Silveira de Queiroz, que estava em uma viagem a Moscou quando leu o lançamento de Rosa e fez considerações maravilhosas.
Foto do recorte encontrado no Fundo JGR no IEB
MOSCOU – Como começa no escritor essa tal nostalgia? – Perguntaram-me, aqui em Moscou, pois correu um zumbido entre pessoas que ela chegava a dar enjoo de estomago, dor de cabeça, distração no trabalho, mau gênio e às vezes até uma pontinha de febre. Tal pergunta nascia de uma conversa em que se tratava seriamente do fenômeno. Alguns usavam tranquilizantes,outros se encharcavam de música brasileira, ainda outros simplesmente se obstinavam a folhear velhos álbuns com menininhas em jardins  mães serenas. É preciso não caçoar da nostalgia – ela existe. Ouvi que russos ai também a sentem. A mesma insônia, a mesma moleza com o calor, aqui tocada pelo recolhimento do frio. E a gente se envergonhando no Brasil perante os que se ressentem da falta da neve. – ‘Pois olhe, meu amigo, verão maior do que este eu passei na Espanha’! Aqui, cidadãos procurarão convercer-nos de que frio, frio mesmo, é da Áustria. Mas voltando à pergunta:’Como começa essa tal nostalgia?’ Direi que ela chega meio imperceptivelmente, quando principiamos a enfeitar demasiado nossa vida quotidiana no Brasil. A tal ponto, que o insólito ruído da Avenida Copacabana,bem lembrado de longe, vira a mais alegre das sinfonias. Remédio para nostalgia? Sim,conheço paliativos; um deles será, por exemplo, ler o gostosíssimo livro de Guimarães Rosa, Primeiras Estórias , editado pelo nosso caro José Olympio e festejado por Luiz Jardim e sua pena feiticeira.
Convém que se peça a algum amigo de boa voz para ir lendo. Então Guimarães Rosa se faz canto da Pátria. Seus bandidos, suas santinhas, seus personagens cercados de mistérios – e vai ver tudo isto é  encantamento simples – pertencem aos ‘causos’, isto é, às ‘Estórias’ contadas e não lidas. Tudo tem graça, tudo é apetitoso, tudo faz nascer em mim a longíqua menina  que ainda sem saber ler chupava a ficção por um canudo :’Conta mais!’ – e se tornava um monstrinho devorador de histórias. Agora, quieta, os olhos cravados no rodopiar das lentas pétalas brancas que caem manso na paisagem , atravesso  o campo branco de neve, abro os olhos para os façanhudos irmãos Dagobé, penetro na misteriosa casa onde Guimarães Rosa montou sua maquininha de assombro e construiu um italiano misterioso que tinha um cavalo empalhado, o pudor de um irmão doente, e morreu por ter feito de verdade, como se desencantado.
Conheço, pois, algum remédio para nostalgia. E pena que ele aqui se torne  racionado, porque ‘Estórias’ como essas, de Guimarães Rosa, bem nos conduzem ao Brasil melhor que existe. Todo ele feito de graça e de cor, e que a gente ama ainda melhor assim de longe, com a perspectiva infinita da distância e a ressonância tão íntima da nostalgia.