quarta-feira, 9 de julho de 2025

"Oito baixos", no primeiro instrumental do ano

 


Inaugurando julho 2025, já enfrentei a primeira terça feira grande do primeiro mês do segundo semestre, numa friaca observável.

Depois de uns dias de dor e queda de auto estima, decidi sair toda bonitinha e não é que consegui? Até parecia uma menina 


Precisava muito aumentar a auto estima. Usei Rosa 

Precisando.tanto de mais amor, pedi em voz alta ao universo 
O AMOR É ROSA: Neste inverno pretendo
usar muito rosa. Quero atrair mais amor
pra minha vida😍

Fui na terapia assim ,todo trabalhada de boneca cor de rosa, mas achei que seria dolorido, como foi angustiante a semana... Mas não foi. Fui ouvida, compreendida apoiada e até elogiada : parabéns, vc aguentou a dor, a angústia, a raiva (da vida por me colocar naquela situação) e não joguei tudo fora. Eu também devolvi o que tinha que devolver para quem me feriu e ele sentiu também. Não estou sozinha nessa.  Ainda há coisas para viver. Eu amadureci! Na dor, mas amadureci, amadurecemos.

No Sesc, tomei minha sopinha, afinal estava frio ❄️ 

Não era a melhor,mas a que tinha 

E aí veio o show, de forró pé de serra e muito bom o som, aprendi e me diverti muito. O show você pode assistir 

Adorei de verdade.Meu comentário final :


OITO BAIXOS: Quando reservei o ingresso achei que seria um grupo de baixistas. Nem foi. É um grupo maravilhoso de forró pé de serra,numa apresentação deliciosa, que aqueceu essa noite fria de São Paulo. Pelo que entendi, essa banda acompanha um grupo de oito sanfoneitos que tocam a tradicional sanfona de oito baixos,cada uma em sua afinação peculiar. Para o show de hoje, só deu tempo de trazerem quatro deles e eu AMEI! Novamente o Instrumental não decepcionou 😍

Algumas fotos









Terminei o dia com um pouco mais de auto estima 


BATOM : Fazia tempo que eu não ousava  usar um tão ousado, andava preferindo os nudes. Mas não é que ouvi varias vezes "gostei do seu batom 💄"? Foi como se eu tivesse dado uma reavivada no visual nesse dia frio. ADOREI, 😍


quarta-feira, 2 de julho de 2025

A tuba de Thiago Bernardes

 

A tuba de Thiago Bernardes 

Estava muito frio de verdade no primeiro dia de julho, mas fui no Instrmental! Não vou repetir junho, quando não quis enfrentar o frio, quase hibernei e pirei o cabeção! Bora ouvir música boa 😍😍😍 

Foi muito bom, me arrumei toda bonitinha e quentinha. Quis usar prata e preto, acho que a velha Camila vaidosa voltou...

Saindo pro Instrumental! falei "boa noite" pro cobrador do ônibus,
ele respondeu "Boa tarde"! 🤣😂 É que está escuro já 😛😛


Fazia tanto tempo que não vinha ao Instrumental de casa , que estou maravilhada  e fotografei as obras de arte,como se estivesse vendo pela primeira vez.
Acima minha "irmã leitora" no  metrô República.
Abaixo detalhe exposição Centenário Portinari no metrô Higienópolis 


Vamos ao show? Foi  muito maravilhoso e realmente diferente , tinha clima de música clássica, de opereta (teve até uma atriz), de concerto de jazz, de música africana e era profundamente o que os instrumentistas chamam de música brasileira ❤️, como você pode conferir :
                                

Na volta eu escrevi meu comentário sentadinha  no busão :
 
INSTRUMENTAL:A tuba de Thiago Bernardes e banda deu um ar de elegância aos shows do Instrmental. Na verdade foi um concerto inesquecível! Muitos instrumentos, todos os músicos muito elegantes  vestidos para um concerto clássico, mas o som foi do popular ao erudito! A  voz divinal da cantora Tabata interpretando Nanã do Moacir Santos, junto com Thiago, foi especial . Que bom que eu vim 😍

Na volta vim embalada por aquele som tão peculiar, como era desde o começo, quando caminhava até o metrô Santa Cecília pensando que o instrumental era.  um presente que dava a mim mesma. E era.
Acho que a velha Camila que frequenta o instrumental desde 2016 voltou😍

Algumas fotos 
Quando entrei:muitos instrumentos ❤️

As cores dos músicos 

Concerto 

Reparei no percursionista elegante 😀

Para a melhor música, a melhor roupa

Percussão chamou minha atenção 
Como sempre

Que beleza 😍

Piano 

Contorno feérico do som

Ai veio a fada :
Primeiro eu olhei muito para ela,
Depois fui arrebatada pela voz



terça-feira, 1 de julho de 2025

Homens pretos não choram, Stefano Volp





Emprestei da Biblioteca do SESC Pompéia e  li "Homens pretos (não) choram" (2022), de Stefano Volp. São dez  contos escritos no contexto da quarentena pela pandemia de COVID 19, os textos tratam da vida de homens pretos, destacando o campo da  afetividade. Partindo desse recorte, Volp consegue abordar temas delicados ou até tabus, como racismo, masculinidade negra, masculinidade tóxica , sexismo, machismo, solidão, traumas, medos, felicidade, etc. Uma leitura excelente para homens, em especial os pretos.
Com dois prefácios,  escritos por Sérgio Motta e Jeferson Tenório, escritores expoentes da literatura negro-brasileira, os autores comentam como foi para eles,homens pretos, a leitura deste textos tão  contundentes. Mas a leitura não interessa apenas a homens pretos. Eu, uma mulher negra, durante a leitura, levava o livro nas mão enquanto esperava o metrô  na estação Trianon MASP  e me surpreendi ao encontrar outro leitor, um homem branco, lendo atentamente o mesmo livro. Ambos os volumes com a etiqueta branca nas lombadas: foram emprestados de biblioteca, esse lugar mágico que une as pessoas por interesses comuns.
Por abordar feridas abertas na sociedade brasileira no século XXI, recomendo a leitura deste livro a todos, em espécie a pretos e pretas.

No Instagram eu fiz um comentário rápido sobre os dez contos e copio aqui:




1 SECO :  Como uma boa introdução ao tema do livro, o primeiro conto ,Seco, conta a história de Heleno, um militar já avô, que sentindo próximo o final da vida e escrevendo seu testamento ao som de Tim Maia, coloca-se em luta dolorosa com a pergunta : o que foi que lhe secou por dentro e o fez incapaz de chorar por toda a vida?



2 VITRINE :  No aplicativo de encontros gay Pinder, Blackurso_31 é o nickname de um capixaba preto, gordo e tímido que trabalhava como  cozinheiro em Copacabana e visitava as vitrines em busca de um match. Quando conseguiu um, ele que era um adaptado na cidade, teve que reagir ao racismo com fúria.



3 Bilola Um poeta negro vive de ofertar poesia no metrô, esperando juntar alguns trocados para se sustentar e é constantemente rechaçado. Um dia um homem lhe faz uma oferta grande, que ele desconfia, pois sua mãe o havia ensinado a não dar pérolas aos poucos.
Um trecho :
"Não havia prazer em acumular rejeições, tampouco  em naturalizá-las.  Ele só não detinha as ferramentas cirúrgicas para sondar e elaborar sua dor. Acumulava-as no pesado saco de sua alma e prosseguia "("Bilola", Stefano Volp, in "Homens pretos (não) choram,p.69


4 DONA TAGARELA :  É um dos meus contos favoritos. Aluízio é um policial que  obrigado pelo chefe a fazer sessões de terapia com Thiago ,um  psicólogo negro,  que lhe explica :"você me paga pra te levar até onde você quiser ir, em qualquer lugar da sua mente. Ao ver as coisas com um ponto de vista treinado, posso ajudá-lo a encontrar sua cura."(P.85)
Embora tivesse medo ,pois  sabia que " armadilha de palavras é uma das coisas mais perigosas do mundo. Um homem envenenado pelas próprias palavras não tem honra alguma"(p. 84), Aluízio acaba soltando as suas palavras e entrando nos labirintos de seus traumas e medos.



5 MEIA NOITE :  Uba espera ansioso pelo dia dos pais para saber se o filho está recebendo bem todo o cuidado com que tem lhe tratado. Cinco minutos antes do grande dia, é visitado pelas dolorosas memórias da relação com seu pai.


6 BARBA : Ricardo é um homem preto casado com Lucinha e frequenta a elegante barbearia de Russo, um albino  o que tem "mãos de fada", cujos clientes fechavam os olhos e entravam em transe". (p.114) Um dia o barbeiro coloca um bilhete na mão do cliente e a trama se inicia... 

NÃO CHORAM: Mais uma vez... um trecho do conto "barba". Ricardo, um homem casado, percebe uma ligação diferente com seu barbeiro Russo, que um dia coloca em seu bolso um cartão marcando um encontro. Assustado com isso, pensa logo na esposa ciumenta, com quem tinha a melhor das relações :
"Conhecendo a esposa que tinha,precisou queimar o cartão e jogar as cinzas no bueiro da cidade. Foi ao realizar esse exercício que ele decidiu contar tudo para a esposa. Ela merecia saber. Daria um jeito de dizer que tinha algum problema psicológico. Não entraria em detalhes, nem falaria de Russo, mas, sim, diria que estava pensando em outra pessoa e que isso agora o atrapalhava. Lucinha faria um escândalo, mas ele sabia que, se fosse sincero, poderiam passar por aquilo juntos. A esposa era a pessoa mais incrível que ele já conhecera. Não poderia enganá-la daquela maneira." P.117

Não vou contar o final, só postei para destacar como tem relações amorosas incríveis. AMOR É SORTE!


7 SABONETE :  Wagner é um  adolescente  virgem que ,em busca das primeiras experiências, procura Yara ,a "fácil", que os mais velhos chamavam Sabonete. Com a moça consegue conversar e refletir sobre como os homens são machistas e ele pode pensar com sua própria cabeça .



8 PIO : Outro sobre paternidade e um dos que mais gostei. Conta a história da relação cheia de densidade e comunicação difícil entre o pai solteiro Leo e seu filho Renatinho.


9 SEM : Depois da partidas de futebol, Ramon procura seu pai para perguntar qual a diferença entre abuso sexual e estupro, pois um amigo teria sofrido uma investida desse tipo. Para seu espanto  o pai respondeu que a diferença estava no ato sexual,  mas que nenhum dos dois acontecia com homens.  Mais uma história sobre como a masculinidade tóxica pode oprimir os homens.


NÃO CHORAM - São onze contos no livro Homens pretos não choram, de Stefano Volp. Vou postar um comentário rápido sobre cada um deles.
10 FLORESCER : O mais belo conto do livro, conta a história de Amildo, um homem de poucas palavras, que morava com sua bicicleta Luiza. Por alguma artimanha do destino, acaba indo trabalhar na estufa do Seu Rosa, onde as flores acabarão curando suas feridas mais profundas.






domingo, 29 de junho de 2025

FIANDEIROS DO TEMPO

 


No dia 29 de junho eu fui ao teatro,num dia frio de sol  fui toda trabalhada nos tons de marrom 

Podia ter posto uma cor nesse look

É que eu estava num dia melancólico,mas nunca deixo o romantismo de lado

Ai de mim que sou romântica 😍 


Mas o importante é que tive  a oportunidade de assistir ao espetáculo "Fiandeiros do tempo" , a partir da iniciativa do projeto  "Palco Giratório", que é  uma ação nacional do Sesc voltada para o intercâmbio eca difusão da artes cênicas, uma iniciativa que busca a descentralização e democratização do acesso à produção cultural brasileira.
        

A peça escolhida veio do coletivo acreano Iluminar e conta a história de um ribeirinho e sua cultura às margens dos rios da Amazônia,interpretada pelo ator Vitor Onofre e músico Marcos Antonio no violão.


Enorme é a contribuição desse tipo de pesquisa para os estudos da cultura brasileira, especialmente os dedicados à história oral.


Candidata à foto do ano
Com instrumento tradicional 


Durante o espetáculo é apresentado "espanta-cão",um instrumento musical Popular do Acre. Vitor criado pelos seringueiros do Acre
Vitor Onofre nos conta que durante o ciclo da borracha,nas primeiras décadas do século XXI, a região da Amazônia ficou muito rica e procurou no nordeste mão de obra barata para trabalhar nos seringais.
Quando chegaram ao Norte, se sobreviveram a viagem violenta, os nordestinos quiseram logo tocar o seu forró. Não tendo um instrumento que proporcionasse o ritmo,criaram artesanalmente o espanta-cão com pau e cajado em firma de cruz e um ralador de milho. Atualmente esse instrumento já não é quase mais usado, mas por peças como está, não está esquecido.


Algumas fotos do espetáculo 
Vitor Onofre atuando 

Violão de Marcos Antonio

Em cena 

Espanta-cão atuahdo

Patrimônio imaterial do Acre 

Amor à sua terra

Com essa luz, toda foto fica linda

Detalhe vermelho 


Que maravilha junho me deixou antes de partir !