sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Espelho de Martinho da Vila revela a ancestralidade negra no Brasil

Depois de meses, enfim concluí a leitura da escelente biografia Martinho da Vila: Reflexos no espelho, escrita por Helena Theodoro.
Capa da biografia, pela pela Editora Pallas.
Comprei o livro em janeiro, e em fevereiro, quando fui começar a travessia da leitura,  registrei que quando abri a biografia, achava que o caminho que me levou até ela, e também que me desviou da figura do sambista antes, era segredo só meu. Ainda não sabia que tantas vezes em que esse sentimento solitário me tomava, talvez não fosse só meu,mas de uma coletividade. Só descobri sso ouvindo depoimntos de  outros negros e negras. Então abri o.livro e tem um depoimento manuscrito do Martinho mostrando que ele é o que suspeito "um intelectual bem a seu modo"...fascinante. Mas o que me emocionou mesmo foi uma das dedicatórias da autora Helena Theodoro: 
Desde o início a questão da negritude, ontem, hoje e sempre

Ela "descobriu" o segredo do meu interesse na figura daquele homem. Agora que não estou mais tão solitária, posso começar a leitura propriamente dita! Durante a leitura a imagem do intelectual negro de sucesso veio se consolidando aos poucos, na presença e militante da causa e da cultura  negra de Martinho, como cheguei a comentar neste blog aqui. Ou mesmo as parcerias musicais deliciosas com músicos como João Bosco que eu mal suspeitava, como comento neste post.Apresentando sempre Martinho como mais que um músico, mas um intelectual negro,  o livro registra momentos ímpares como este.  Houve um momento emocionante em que, através de Martinho, o SAMBA foi reconhecido como uma canção de ninar do brasileiro quando uma grande amiga, de outra geração, relatou  que Martinho da Vila a fazia lembrar da infância. Comigo é meio assim também, não propriamente com Martinho, mas com Zeca Pagodinho e especialmente Almir Guineto e outros sambistas de raiz: um portal para minha infância, como se o samba fosse a "canção de ninar" dos brasileiros!

Houve também a narrativa da  bela história de amor entre Martinho e Cleo, que segundo a biógrafa, abriu novos caminhos para a criação de Martinho:  "toda a visão de mundo deste compositor, escritor, poeta se mostra, revelando sua esperança no mundo, seu compromisso com as raízes de sua cultura e seu grande poder de participar da vida, modificando e transformando o nosso existir" (p.34 ).

Por fim conclui que Martinho da Vila fez tanto pelos negros brasileiros, que mal sabem de nada, é emocionante de se saber!  Termino com uma lista de livros escritos por  Zé Fereira, mostrando que ele não é  só um sambista, mas seu perfil intelectual inclui inúmeras camadas  Essa lista de obras de um negro brasileiro de sucesso é sensacional

livros de Martinho

 Sua biografia é, por si só, uma apologia a cultura negra no Brasil.  

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