Não sou de fazer propaganda de posts de outros blogs, isso porque eu não sou propriamente uma leitora assídua de blogs, apesar de acompanhar alguns ( que significa conferir diariamente as últimas atualizaçãoes, mas muito dificilmente eu acesso o link para ler o texto completo, admito).
Uma atualização no blog do Saramago, no dia 11 de março, parecia merecer ser lida com atenção, coisa que eu só fui fazer hoje ... e não me arrependi!
Saramago falava sobre a beleza do sentimento de SOLIDARIEDADE, que ele exergava vivo em sociedades que foram vítimas de crueldades e anulações violentas, como a argentina e a espanhola. Penso que esse fenômeno - de aprender a ser melhor com experiências cruéis - não se deu no Brasil, porque aqui a herança da ditadura militar, por exemplo, sempre foi, é, e sempre será marcada pela tentativa de anular ou diminuir a intensidade da questão, quando no fundo alguns poucos dentre nós sabemos bem quanto de resquício nossa mentalidade ainda carrega daqueles momentos. Acho que quem pode abrir os olhos das pessoas são os professores (não só eles...). Quando eu dei aulas de sociologia, no ano passado, eu tratei bastante da herança da Ditadura Militar e a relação com a idéia da solidariedade...
Se eu tinha cerca de 100 alunos, considerarei um luxo se ao menos 10 se lembrarem dessas questões no futuro (na verdade, pra mim 1 que seja já é lucro). O que não pode acontecer nunca é deixar de alertar a quem puder, quando puder, sobre coisas que aconteceram, estão acontecendo e acontecerão, por debaixo dos panos....
Nessa travessia escritores como Saramago me acompanham. Confiram a beleza do que ele escreveu aqui!
domingo, 15 de março de 2009
UM POST MARAVILHOSO
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sábado, 14 de março de 2009
MINHA DEFESA DE MESTRADO OU O LANCE DOS ESQUEMAS
ESTOU TRABALHANDO DURO NA REVISÃO DO TEXTO DA MINHA DISSERTAÇÃO DE MESTRADO, MAS NÃO QUERO DEIXAR DE FALAR DA DEFESA, AINDA TENHO COISAS A DIZER, COMO NÃO ESTÁ DANDO TEMPO, EU POSTO AQUI O TEXTO QUE EU FALEI NO COMEÇO DO EVENTO, PARA QUE QUEM NÃO LEU O TEXTO INTEGRAL(MAIORIA) SOUBESSE UM POUCO DO QUE EU ESTAVA FALANDO. AGORA TODOS MEUS LEITORES PODERÃO SABER:
"A dissertação procura encontrar um lugar legítimo para a história em Tutaméia, livro que Guimarães Rosa publicou em 1967
NA INTRODUÇÃO que chamei Mãos vazias e pássaros voando – Começo contando a anedota da desativação da Estrada de Ferro Bahia Minas, em 1966, que foi tema de muitos discursos artísticos e memorialísticos, nenhum historiográfico. Eu li essa narrativa como a do contexto imediato de escrita e publicação de Tutaméia. Aqui explico o título do trabalho, que é uma desconstrução do dito popular "melhor um pássaro na mão do que dois voando", que foi usado no texto de Rosa para comentar tentativas de anulação da dificuldade em sobreviver quando pouca ou nenhuma oportunidade é ofertada e as pessoas acabam sobrevivendo com "mãos vazias", mas os pássaros da imaginação continuam voando.
NO CAPÍTULO 1 que chamei A História nas Estórias - insiro os dois temas centrais do trabalho: as relações entre História e Literatura em Guimarães Rosa e o objeto de estudo que é o livro Tutaméia. Isso foi abordado a partir do que encontrei nos cerca de 101 textos de recepção do volume ainda nos anos 60 - que estão disponíveis no Fundo Guimarães Rosa no IEB USP - e também no que encontrei sobre História na Fortuna Crítica rosiana em geral. Também falei das idéias de alguns teóricos que se debruçaram sobre o tema da relação entre os diversos tipos de narrativa (como a historiografia e a anedota) e apontei a temática lúdica e infantil que observei em Tutaméia.
NO CAPÍTULO 2 que chamei A Hora da palavra – me debrucei sobre a linguagem de três estórias escolhidas, em dois momentos para cada uma– no primeiro momento fiz uma paráfrase explicativa para que no segundo momento pudesse apresentar minha interpretação. Para Lá, nas campinas interpreto a partir da temática da memória; para Os três homens e o boi dos três homens que inventaram um boi interpreto a partir da temática da invenção; para Palhaço da boca verde interpreto a partir da temática da temática da não-história. Correlata a essas análises, indiquei relações com outras formas interpretativas do texto rosiano, como a música. Ao final, apontei a necessidade de abordar detalhadamente as formas representativas ficcionais usadas por Guimarães Rosa para entender as relações entre a história e a ficção nessa obra.
NO CAPÍTULO 3: que chamei As mãos vazias: Estórias da história do sertão –tratei mais profundamente dos discursos sobre o sertão rosiano, que, na época da escrita de Rosa , já estava em fase de desgaste de todas as suas expressões tradicionais. Considerei igualmente os processos de esvaziamento registrados: anulações ecológicas, históricas e culturais, que fizeram com que as personagens optassem pela migração para garantir sua sobrevivência. Para abordar esse tema, parti das representações das tradições sertanejas e depois tratei das recriações ficcionais das modificações ou mesmo anulações que nelas foram sentidas.
NO CAPÍTULO 4: que chamei Pássaros voando - Por que e como ainda narrar estórias? - retorno a um dos temas abordados no primeiro capítulo: a importância de narrar e as dificuldades de executar este exercício. Tratei de algumas idéias de pensadores importantes sobre o tema do declínio da legitimidade da história no século XX, sobre a filosofia da linguagem, bem como das suas possíveis relações com o texto de Tutaméia e com a temática do humor.
NA CONCLUSÃO que chamei Nem mãos vazias, nem pássaros voando: invariáveis projetos? – voltei a tratar da anedota da desativação da Estrada de Ferro Bahia- Minas e as dificuldades de representação e vivência no sertão mineiro, tema da na introdução destacando a opção constante de projetar saídas definitivas para o cenário de privações que identificamos em meu recorte nas estórias de Tutaméia. "
"A dissertação procura encontrar um lugar legítimo para a história em Tutaméia, livro que Guimarães Rosa publicou em 1967
NA INTRODUÇÃO que chamei Mãos vazias e pássaros voando – Começo contando a anedota da desativação da Estrada de Ferro Bahia Minas, em 1966, que foi tema de muitos discursos artísticos e memorialísticos, nenhum historiográfico. Eu li essa narrativa como a do contexto imediato de escrita e publicação de Tutaméia. Aqui explico o título do trabalho, que é uma desconstrução do dito popular "melhor um pássaro na mão do que dois voando", que foi usado no texto de Rosa para comentar tentativas de anulação da dificuldade em sobreviver quando pouca ou nenhuma oportunidade é ofertada e as pessoas acabam sobrevivendo com "mãos vazias", mas os pássaros da imaginação continuam voando.
NO CAPÍTULO 1 que chamei A História nas Estórias - insiro os dois temas centrais do trabalho: as relações entre História e Literatura em Guimarães Rosa e o objeto de estudo que é o livro Tutaméia. Isso foi abordado a partir do que encontrei nos cerca de 101 textos de recepção do volume ainda nos anos 60 - que estão disponíveis no Fundo Guimarães Rosa no IEB USP - e também no que encontrei sobre História na Fortuna Crítica rosiana em geral. Também falei das idéias de alguns teóricos que se debruçaram sobre o tema da relação entre os diversos tipos de narrativa (como a historiografia e a anedota) e apontei a temática lúdica e infantil que observei em Tutaméia.
NO CAPÍTULO 2 que chamei A Hora da palavra – me debrucei sobre a linguagem de três estórias escolhidas, em dois momentos para cada uma– no primeiro momento fiz uma paráfrase explicativa para que no segundo momento pudesse apresentar minha interpretação. Para Lá, nas campinas interpreto a partir da temática da memória; para Os três homens e o boi dos três homens que inventaram um boi interpreto a partir da temática da invenção; para Palhaço da boca verde interpreto a partir da temática da temática da não-história. Correlata a essas análises, indiquei relações com outras formas interpretativas do texto rosiano, como a música. Ao final, apontei a necessidade de abordar detalhadamente as formas representativas ficcionais usadas por Guimarães Rosa para entender as relações entre a história e a ficção nessa obra.
NO CAPÍTULO 3: que chamei As mãos vazias: Estórias da história do sertão –tratei mais profundamente dos discursos sobre o sertão rosiano, que, na época da escrita de Rosa , já estava em fase de desgaste de todas as suas expressões tradicionais. Considerei igualmente os processos de esvaziamento registrados: anulações ecológicas, históricas e culturais, que fizeram com que as personagens optassem pela migração para garantir sua sobrevivência. Para abordar esse tema, parti das representações das tradições sertanejas e depois tratei das recriações ficcionais das modificações ou mesmo anulações que nelas foram sentidas.
NO CAPÍTULO 4: que chamei Pássaros voando - Por que e como ainda narrar estórias? - retorno a um dos temas abordados no primeiro capítulo: a importância de narrar e as dificuldades de executar este exercício. Tratei de algumas idéias de pensadores importantes sobre o tema do declínio da legitimidade da história no século XX, sobre a filosofia da linguagem, bem como das suas possíveis relações com o texto de Tutaméia e com a temática do humor.
NA CONCLUSÃO que chamei Nem mãos vazias, nem pássaros voando: invariáveis projetos? – voltei a tratar da anedota da desativação da Estrada de Ferro Bahia- Minas e as dificuldades de representação e vivência no sertão mineiro, tema da na introdução destacando a opção constante de projetar saídas definitivas para o cenário de privações que identificamos em meu recorte nas estórias de Tutaméia. "
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quarta-feira, 11 de março de 2009
MINHA DEFESA DE MESTRADO OU A HISTÓRIA DA CIGARRA E DA FORMIGA, MAIS OU MENOS
Pois então, passadas algumas horas da minha defesa (detesto ser perguntada quando ainda estou em estado de tensão...), acho que já posso tentar formular algum comentário sobre o ocorrido. Minha banca - escolhida a dedo - trazia os nomes que mais me chamaram a atenção em dois quesitos fundamentais: Susana Lages e a opção pelo caminho do estudo da linguagem e Willi Bolle com o suas idéias fenomenais sobre Rosa e a história. Ambos foram ótimos, mas gosto de pensar nas perspectivas que cada um utilizou. Se Bolle deu um show, agradou a todos porque é genial, tem uma cultura de tirar o fôlego e é a pessoa mais sedutora que eu já conheci na vida (todos ficaram seduzidos por ele, suas brincadeiras e erudição)... incrível! A Susana também foi ótima, mas a abordagem dela é diferente, ela presta atenção nos processos do trabalho e oferece ferramentas para que eu me saia melhor nesse aspecto. Hoje concluo que eu não poderia ter escolhido uma banca melhor, pois com ela descobri que ao contrário da que reza a moral da fábula de Esopo, nem a cigarra, nem a formiga saem individualmente vitoriosos ... é preciso que tenhamos os dois lados para que consigamos obter os melhores resultados possíveis. Eu, por exemplo, mergulhei nas perspectivas encantadoras de Bolle, mas sempre com os alertas "de mãe" de Susana, para que eu não seja afogada pelas idéias maravilhosas e pela minha paixão pelo tema.
Tenho muito a aprender ainda, claro, mas uma coisa eu vi que já aprendi: Escolher ao lado de que tipo de pessoas eu quero continuar a caminhada.
terça-feira, 10 de março de 2009
NA CONCLUSÃO...

Defendi meu mestrado ontem. Parece que a cerimônia foi agradável, e os amigos mais queridos assistiram e devem ter gostado, pois foi engraçada e densa. Fui aprovada pelo trabalho com Guimarães Rosa, mas saí pensado em Drummond e não quis comemorar como comemorei tanto as defesas de outros...
"Saí pensando na morte, mas a morte não chegava.
Andei pelas cinco ruas, passei ponte, passei rio,
visitei vossos parentes, não comia, não falava,
tive uma febre terçã, mas a morte não chegava.
Fiquei fora de perigo, fiquei de cabeça branca,
perdi meus dentes, meus olhos, costurei, lavei, fiz doce,
minhas mãos se escalavraram, meus anéis se dispersaram,
minha corrente de ouro pagou conta de farmácia.
Vosso pai sumiu no mundo. O mundo é grande e pequeno."
Como a morte não chegava, ao invés de um bar com companheiros, "comemorei" na academia , fazendo esteira até não conseguir mais, para dormir e deixar que o novo dia chegasse, mesmo que com brilho fraco, e para não abandonar Drummond, em nome dos amigos queridos que estiveram comigo fisicamente ou não, lembro do Elefante, que é um dos meus favoritos:
"E já tarde da noitevolta meu elefante,
mas volta fatigado,
as patas vacilantes
se desmancham no pó.
Ele não encontrou
o de que carecia,
o de que carecemos,
eu e meu elefante,
em que amo disfarçar-me.
Exausto de pesquisa,
caiu-lhe o vasto engenho
como simples papel.
A cola se dissolve
e todo o seu conteúdo
de perdão, de carícia,
de pluma, de algodão,
jorra sobre o tapete,
qual muito desmontado.
Amanhã recomeço."
Recomeço? Não sei...
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sábado, 7 de março de 2009
PROCURANDO O SENTIDO DA VIDA EM OUTROS PLANETAS ...

Essa imagem deslumbrante, traz a sensacional legenda :
"O foguete Delta II partiu levando a Kepler em busca de outros planetas como a Terra".
Isso me lembrou o Pequeno Príncipe, que viajou por outos planetas em busca do que era seu, de um lugar ao qual pertecesse, mas descobriu que o sentido de dua vida estava mesmo no seu país, no que ele sentia como dele.
Eu gostaria de viajar pelo espaço, em busca de ou outro planeta que fosse semelhante ao meu pessoal, quem sabe um dia, não é?
Isso me lembrou o Pequeno Príncipe, que viajou por outos planetas em busca do que era seu, de um lugar ao qual pertecesse, mas descobriu que o sentido de dua vida estava mesmo no seu país, no que ele sentia como dele.
Eu gostaria de viajar pelo espaço, em busca de ou outro planeta que fosse semelhante ao meu pessoal, quem sabe um dia, não é?
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sexta-feira, 6 de março de 2009
POR QUE FOI TÃO BOM?
Daqui alguns dias eu defendo meu mestrado em História, sobre Tutaméia.
Termino com certa melancolia, saudade grande de tudo de bom que foi. E foi viu!
Com meu mestrado eu mergulhei fundo no universo de Guimarães Rosa, aquele autor que eu amava mas que, quando me formei em História, achava impossível estudá-lo, a não ser que eu mudase de departamento, ou que ficasse tentanto relações diretas entre Literatura e História. Como a segunda opção eu não faria de jeito nenhum, eu tentei a primeira e entrei no mestrado em 2005, pela Teoria Literária, mas logo vi que precisava voltar para casa e pedi transferência, a partir disso achei meu ninho com os pesquisadores de História da Cultura e comecei a viver toda a graça de estar no Mestrado: Apresentações, eventos, discussões, leituras inesquecíveis, O CEPE/USP,cursos fundamentais e, sobretudo, contatos, pois além de cérebros pensantes, somos também seres humanos.
Foram muitas risadas, muitas lágrimas (de emoção e de tanto rir), muita energia positiva e agora estou concluindo tudo e como disse eu orientador : AGORA É SÓ FESTEJAR !
E ESSA VISTÓRIA, SÓ EU SEI DE QUE TAMANHO É!
Termino com certa melancolia, saudade grande de tudo de bom que foi. E foi viu!
Com meu mestrado eu mergulhei fundo no universo de Guimarães Rosa, aquele autor que eu amava mas que, quando me formei em História, achava impossível estudá-lo, a não ser que eu mudase de departamento, ou que ficasse tentanto relações diretas entre Literatura e História. Como a segunda opção eu não faria de jeito nenhum, eu tentei a primeira e entrei no mestrado em 2005, pela Teoria Literária, mas logo vi que precisava voltar para casa e pedi transferência, a partir disso achei meu ninho com os pesquisadores de História da Cultura e comecei a viver toda a graça de estar no Mestrado: Apresentações, eventos, discussões, leituras inesquecíveis, O CEPE/USP,cursos fundamentais e, sobretudo, contatos, pois além de cérebros pensantes, somos também seres humanos.
Foram muitas risadas, muitas lágrimas (de emoção e de tanto rir), muita energia positiva e agora estou concluindo tudo e como disse eu orientador : AGORA É SÓ FESTEJAR !
E ESSA VISTÓRIA, SÓ EU SEI DE QUE TAMANHO É!
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MEMÓRIA E CANÇÃO...
Ontem eu fui a terapia de manhã e depois fiquei esperando uma amiga no sofá do café da Livraria Cultura, por volta das 13 horas. Fazia muito calor, como sempre, e eu estava com uma energia levemente alegre, depois de muito tempo, nem lembro dede quando e não sei o que me trouxe essa brisa leve... só sei que ontem eu me dei conta dela quando no MP3 tocava a música que adoro da Elba Ramalho,como se alguma coisa me dissesse: "Você tem o mundo nas mãos, usufrua!" Pena ter durando tão pouco, mas a memória e a canção (E por que não a ilusão?) permanecem:
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