segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

XVII SEMINÁRIO DE TESES EM ANDAMENTO (SETA) DO IEL -UNICAMP: EU FUI!



Este ano eu participei do "XVII Seminário de teses em andamento (Seta)", desenvolvido pelo IEL da UNICAMP entre 30 de novembro e 2 de dezembro de 2011. Ainda estou tentando "realizar" o fato de ter mostrado um pedacinho da minha pesquisa a uma das mais conceituadas pesquisadora de Rosa, a Susi Sperber, e ter recebido dela comentários e um dos os autógrafos mais bonitos que já recebi:
Como acontece sempre em todos os debates,foi muito legal discutir as idéias nas quais você acredita, quando isto acontece com interessados e conhecedores, é fantástico! Na mesa que eu participei e que tinha a Susi como debatedora, tínhamos plateia e me deixaram mostrar TUDO que eu tinha preparado, todas as imagens, li todas as citações. Acho que porque eu era a voz da alteridade ali (não era nem da UNICAMP, nem das letras), para mim foi bacana ver que era mesmo algo inovador fazer leituras dos cadernos de Rosa, ainda mais com a perspectiva que estou usando, Susi Sperber disse que quando ela estudou a biblioteca de Rosa não havia cadernos, mas que ela pensava que eles eram mais uma questão de praticidade, para não usar folhas avulsas, mas eu não entrei na discussão na hora porque ainda estou pesquisando e não conclui nada ainda, mas sempre questiono ser só uma questão de praticidade, até porque no arquivo também existem muitass folhas avulsas de Rosa.No debate final, conversei com Erich Soares Nogueira (um outro doutorando em Rosa), que já trabalhou com infância no mestrado e que achou muito "delicada" a minha apresentação. Trocamos figurinhas muitas sobre figurações da voz, sobre vocalidade, Zumthor e Meschonnic, silêncio, "paisagem sonora", demais!Outra coisa muito legal foi que eu pude falar aos espeialistas sobre minha oficina com as crianças, sobre minhas hipóteses a respeito das mudanças de recepção e discutimos um pouco sobre isso fiquei bem satisfeita. Para além dos resultados científicos, conheci a galeria do IEL (amigos do meu namorado), gente muito bacana! Resumindo, foi muito legal minha passagem pela UNICAMP esse ano!Às vezes é tão bom pesquisar o que se ama e momentos assim fazem tudo valer à pena!

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Não é muito feio um mundo que esvazia de sentido uma de suas maiores escritoras, como esse ano os brasileiros fizeram com Clarice Lispector? Porque para mim ela ainda é repleta de significados eu insisto em colar esta crônica que considero um dos seus melhores textos...se alguém ai ainda tiver coragem: ouça!

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Série Encontros : Entrevista com Eduardo Viveiros de Castro



Renato Sztutman : Você acredita que sua obra possa contribuir para uma antropologia da sociedade brasileira?

Eduardo Viveiros de Castro : Não estou excessivamente familiarizado com a antropologia da sociedade brasileira. Fui fazer etnologia para fugir da sociedade brasileira, esse objeto pretensamente compulsório de todo cientista social do Brasil. Como cidadão, sou brasileiro e não tenho objeção a sê-lo. Ou melhor, para dizer a verdade, frequentemente me vejo sentindo grande vergonha de sê-lo; não faltam motivos, passados como resentes, históricos como cotidianos, para isso. Mas sempre lembro que se fosse natural de qualquer outro país, teria motivos tão bons ou melhores para sentir vergonha, e é isso que me faz não ter realmente objeções ao fato de ser brasileiro. Porque, em última análise, tanto faz. Ser humano, perante os demais viventes, já é complicado o bastante. O que não quer dizer que a consciência de ser brasileiro não me mobilize eticamente, não me interpele politicamente, nem me faça experimentar a mistura ambivalente de sentimentos e de disposições associadas a qualquer pertença objetiva.
Fico aliás pensando que talvez seja nisso que consiste realmente o sentimento de pertencer a uma nação: ter motivos todos próprios para se envergonhar, tão próprios quanto (senão mais que) os sempre lembrados motivos de se orgulhar. Isso quando os ditos ‘motivos’ não são, como suspeito que quase sempre são, os mesmos motivos. Todo orgulho confessa uma vergonha. E toda vergonha clama por (a) pagamento.
Enfim, sou brasileiro e coisa e tal. Raras são as vezes em que penso nisso; e quando o faço, em algumas delas acho até bom. Como disse bem Tom Jobim,ao retornar ao Rio de Janeiro depois de anos morando nos Estados Unidos: ‘lá fora é legal,mas é uma merda; aqui é uma merda, mas é legal...’Grande verdade. De qualquer modo, como pesquisador não acho que seja obrigado a ter como objeto a chamada ‘realidade brasileira’, essa curiosa e intraduzível noção. Não se exige isso dos matemáticos ou dos físicos. Os físicos brasileiros não estão estudando a ‘realidade brasileira’. Estão estudando, salvo engano (meu ou deles), apenas a realidade. Por que um cientista social brasileiro não pode fazer a mesma coisa? O Brasil é uma circustância para mim, não é objeto; entendo, sobretudo, que o Brasil é uma circunstânci para os povos que eu estudo, e não sua condição fundante.” P. 48)

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

O avanço do conservadorismo desinformado

COLO AQUI UM TEXTO DISPONÍVEL EM "EU VI O MUNDO", QUE SÓ PODE SER LIDO POR QUEM TEM CORAGEM :

Maurício Caleiro: O avanço do conservadorismo desinformado
terça-feira, 8 de novembro de 2011

Reações a doença de Lula e à PM na USP evidenciam crise ideológica e cultural

por Maurício Caleiro, em seu blog, sugerido pela Maria Frô


As reações, na internet, a dois eventos recentes – o anúncio de que o ex-presidente Lula está com câncer e a atuação da PM na USP – têm causado perplexidade e repulsa pelo modo agressivo com que se expressam e pelo que evidenciam de falta de educação, preconceito e inadaptabilidade ao debate democrático. Mas, como veremos, há mais pontos em comum entre essas duas manifestações de intolerância do que à primeira vista sugerem.

Agressões ao doente

Receber a notícia de que alguém está com câncer – ou com outra doença tida como grave – costuma despertar compaixão no ser humano. Alguns atribuem tal reação a uma suposta bondade inerente à nossa espécie, acreditando que por baixo das máscaras que adotamos para a vida em sociedade vicejam corações plenos de boa intenção; os não-rousseaunianos, mais reticentes, afirmam tratar-se de uma reação ditada pelo instinto de preservação: o temor de que venhamos a padecer da mesma enfermidade faz com que nos identifiquemos com a dor alheia como forma de esconjurá-la.

Seja como for, considera-se que festejar e regojizar-se com o anúncio da doença alheia é reação que ultrapassa todos os limites do bom senso e da convivência em sociedade. É por isso que o que se viu, na internet mas também nas redações, logo após o anúncio de que Lula está acometido de um câncer na laringe, marca um dos pontos mais baixos do debate público no Brasil. No momento de maior fragilidade do ex-mandatário, deu-se vazão a todo o ódio e preconceito de classe acumulado nos anos em que ele esteve no poder.

O texto definitivo sobre o caso veio da pena cada vez mais afiada de Maria Inês Nassif, que entre outros pontos relevantes apontou que não é de hoje que o respeito mínimo devido a todo presidente eleito não tem lugar quando se trata de Lula da Silva – e que entre os que através de tal procedimento desrespeitam a própria instituição da Presidência está a própria mídia, que deveria dar o exemplo.

Insultos aos estudantes

Pois nem bem as forças democráticas se recuperavam de tais excessos agressivos – que levaram até jornalistas notadamente conservadores a reclamar – e o país já se via diante de um novo efeito-manada, uma onda de insultos contra estudantes da USP que, em reação contrária à decisão (tomada em assembleia própria) de desocupar o prédio administrativo da FFLCH (Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas) decidiram ocupar a Reitoria para continuar protestando contra a ação da PM no campus, com revistas constantes, que culminaram na prisão de três alunos de Filosofia flagrados com um cigarro de maconha.

Daí em diante o que se viu, mesmo entre autointitulados esquerdistas, foi uma onda de protestos contra o que chamam de “os maconheiros da USP”. Mesmo deixando de lado a generalização descabida, há, em pleno século XXI – quando as principais democracias reconhecem que o uso de maconha é questão de foro pessoal e do âmbito da saúde, não da segurança pública – algo de intrinsecamente anacrônico no uso do ajetivo “maconheiro” como forma de promover estigmatização e desqualificação. Além disso, assim como ocorreu com a doença do ex-presidente, o que o fenômeno da reação virulenta à invasão da Reitoria da USP nos traz é, uma vez mais, o ódio de classe e os recalques de fundo psicológico, vindos à tona de forma agressiva e com vocabulário tosco. A internet enquanto catarse.

A herança do desmanche

A realidade, porém, é bem mais complexa do que os histéricos querem fazer crer. Como explica de forma detalhada o professor da USO Pablo Ortallado, em ótimo artigo, a violência na instituição está diretamente ligada a um processo de restrição cada vez maior do exercício da democracia interna. Por meio deste, a USP é, hoje, uma das universidades públicas brasileiras em que professores, servidores e alunos têm o menor peso nas decisões importantes, a cargo de colegiados de membros de estâncias burocráticas superiores que se transformaram em verdadeiros feudos, onde o poder se perpetua nas mãos de poucos.

Em decorrência disso, cerceia-se ao máximo o raio de ação política dentro das regras do jogo por parte de alunos, professores e funcionários. Ora, quem já pássou por uma ditadura sabe: quando as regras reprimem o exercício da democracia, é dever do democrata desobedecer e lutar pela modificação delas. Achar que a brutal repressão institucional a que a USP vem sendo submetida nos últimos 20 anos iria ser aceita passivamente é subestimar a inteligência dos uspianos.

Agrava essa situação o modelo urbanístico adotado pela universidade paulista, que é criticado, entre outros, pela arquiteta e professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU/USP) Raquel Ronik, o qual colaboraria para a segregação social no campus e entre moradores da cidade e uspianos, como apontam os alunos de Relações Internacionais Leonardo Calderoni e Pedro Charbel, em artigo que denuncia a forma manipuladora como o conceito de autonomia é instrumentalizado pela mídia e pelas autoridades universitárias.

O PSDB tem um papel preponderante nesse estado de coisas, não só porque, à frente do governo de São Paulo há 17 anos, é co-responsável pelo estágio urbanístico-social-institucional da USP, mas porque José Serra – que não nomeou o candidato a reitor que ocupava o primeiro lugar na lista tríplice, preferindo o polêmico Rodas – e Geraldo Alckmin estavam a cargo do governo nas duas vezes em que a Tropa de Choque da PM, num ato inimaginável numa verdadeira democracia, invadiu o campus – a mais recente na manhã de hoje -, utilizando de violência desmedida contra estudantes desarmados.

PM no campus

A reação de apoio à ação da polícia, mesmo nas raras vezes em que é expressada de forma polida e educada, evidencia o profundo conservadorismo que marca a sociedade brasileira atual. Trata-se de um paradoxo: no momento mesmo em que 28 milhões deixaram de ser miseráveis e 40 milhões ascenderam à classe média, e que o Brasil tornara-se efetivamente um player na política internacional, o debate sobre questões internas involui não apenas na forma (a difamação e os ataques pessoais substituindo o diálogo civilizado e a argumentação), mas também no conteúdo (com pressupostos que há pouco eram exclusivos de fanáticos de direita tornando-se de uso corrente entre os estratos médios e altos).

Seria preciso uma alta dose de auto-engano para não se aperceber que o país, tanto em termos culturais quanto ideológicos, claramente retrocedeu, se comparado àquele de 40, 50 anos atrás. Não há como comparar o nível das discussões públicas hoje, no Brasil, àquele que se deu, por exemplo, no bojo do processo de redemocratização do país.

Regredimos?

Antes que as palavras aqui ditas sejam distorcidas, cabe assinalar que não se quer com isso, de forma alguma, sugerir que o ambiente da ditadura era mais profícuo em termos culturais e ideológicos do que os atuais. Ainda que isso seja verdade em alguns períodos – notadamente entre 1964 e 1967, hiato que o crítico literário Roberto Shwarz qualificou como os “anos de hegemonia cultural da esquerda” -, isso se deve mormente ao ímpeto antiditatorial de artistas da coragem e do talento de um Chico Buarque ou de um Vianinha – e à necessidade de unir-se no combate a um inimigo em comum.

Na verdade, a crise ideológica e cultural que hoje uma vez mais se agrava tem como origem justamente a ação sistemática da ditadura contra as formas culturais mais autênticas e mais revolucionárias, em prol do investimento vultoso na constituição de uma sociedade televisiva de massas – uma herança que os civis de direita que marcaram o longo período de transição para a democracia só açularam, muitos com proveito eleitoral.

O preço da desideologização

Há uma década, a centro-esquerda tem sido eleita, é verdade, mas, como as eleições que culminaram com a vitória de Dilma Rousseff evidenciaram de forma inconteste, não foi através de uma proposta programática de perfil ideológico – muito pelo contrário: tal como o “Lulinha Paz e Amor” de oito anos antes, a hoje presidenta submeteu-se ao regime padrão de marquetagem, chegando, ao final da campanha, ante as baixarias desmedidas de José Serra, a retroceder em questões de suma importância, como o aborto.

É precisamente quando se evidencializou de forma mais clara, àqueles que não se recusaram a ver, que a crise ideológica transcendia as questões colocadas pelo neoliberalismo, as quais dominaram o período imediatamente anterior (e, muitas delas, continuam na ordem do dia), e que a crise cultural, como qualquer crise estética, era também uma crise ética.

“Mas o importante é que eles venceram” – dirá o esquerdista pragmático. Sim, venceram, mas o preço que a sociedade brasileira como um todo vem pagando por essa recusa em um debate ideológico é uma despolitização da política, uma desideologização da esfera pública que ao final só beneficia os grandes grupos de mídia corporativa, os quais têm como interesse precípuo obter pontos no Ibope, e não levar cultura e educação ao público espectador, como “exige” a Constituição.

Dieta indigesta

A sobreposição do marketing à política e a naturalização das telecomunicações como meio de entretenimento – seja através das narrativas ficcionais das novelas ou das narrativas protojormalísticas dos telejornais – certamente desempenham um papel fundamental nesse processo de alavancagem do conservadorismo desinformado, pois não há como evoluir ética e ideologicamente com uma dieta de Datenas, Lucianos Huck, CQCs e coisas do gênero. Um país que, há 11 anos, quase para durante meses para assistir a Big Brother Brasil está profundamente enfermo em termos de ideologia, ética e estética – e negar isso em nome de uma suposta pluralidade democrática de escolhas é tapar o sol com a peneira.

E a relação entre política e mídia está diretamente imbricada na questão: cada vez que o governo Dilma demite um ministro após um factoide da Veja, não só estimula um jornalismo-denúncia – forte em escândalo mas fraco em evidências -, mas, ao fortalecer a posição da revista ante o público, está, na prática, incentivando a difusão de um ideário conservador (inerente à publicação) que transcende a política e se torna moeda corrente em questões comportamentais e culturais.

É pelas razões acima expostas que já passa da hora dos governos ditos de centro-esquerda renunciarem à ferrugem neoliberal que emperra o protagonismo do Estado na área cultural e tomarem as rédeas de um projeto de elevação do nível educacional e cultural do povo brasileiro, sob a pena não apenas de serem derrotados eleitoralmente, mas de legarem ao futuro um país ainda mais conservador, ignorante e truculento do que o que herdaram.

PS do Viomundo: Em Century of the Self, Adam Curtis trata com brilhantismo da rendição dos democratas (sob Clinton) e dos trabalhistas (sob Blair) à marquetagem e trata das consequências políticas. Quem não viu, veja. Vale a pena.

sábado, 12 de novembro de 2011

O rancor contra a USP






O rancor contra a USP - Marcelo Rubens Paiva








“"Além de maconheiro, você deve ser viado.”
Curiosa associação.
Esta é uma das muitas reações de carinho que recebi ao falar do conflito entre alunos da USP e a PM.
Dos mais de 400 comentários abaixo, o índice de reprovação dos acontecimentos é altíssimo.
E, claro, as agressões pessoais foram a tônica dos leitores: sou maconheiro, esquerdóide, analfabeto, autor de um livro só, cujo acidente me deixou paraplégico e burro, e a quantidade de drogas que tomei queimaram meus neurônios.
Uma fofura…
Ou não se entendeu o que queriam afinal os alunos da USP, ou um rancor contra eles domina parte da sociedade.
Percebi como tem gente que acha um desperdício o investimento do orçamento estadual em uma universidade pública.
Uma, não. Três [USP, Unicamp, Unesp].
Frequentadas por “vagabundos, maconheiros, depredadores dominados por correntes da esquerda radical”.
Um desperdício de dinheiro público.
Imaginei que fosse uma unanimidade a proposta de que o Estado deva investir pesadamente em educação, se quisermos dar um passo, sim, de gigante.
Além de vendermos pedras com ferro, soja e alimentar o mundo, poderíamos nos transformar numa força industrial e tecnológica.
Imaginei que a essência de uma Universidade fosse desenvolver o livre pensar.
As mensagens que os estudantes me passaram foram:
1. Esta PM não nos serve.
2. A política de repressão à posse de entorpecentes faliu.
3. A reitoria abriu mão de resolver os seus problemas, como a violência no campus, desistiu e chamou o Estado.
Leitores reclamaram que estudantes da USP não devem ter privilégios, que esta PM é a que temos. E que eles não querem a PM lá para poderem fumar seus baseadinhos livremente.
O governador do Estado reclamou que deveriam ter aulas de democracia.
Mas continuo concordando com os estudantes.
Não é a PM que deveria voltar à escola e aprender a combater o crime?
Esta PM é falida.
Não consegue lidar com os índices alarmantes de violência urbana. A corrupção corrói da base à cúpula. O traficante NEM acaba de declarar que metade dos seus rendimentos ia para a polícia.
Em todas as cidades existe a sua cracolândia, sinal de que, como disse a revista THE ECONOMIST, perdemos a batalha para o tráfico. Como sanar tal doença?
O DCE da USP entregou à reitoria meses atrás a sua proposta para conter a violência: iluminar o campus, descatracalizá-lo, tornar a Universidade aberta e criar uma guarda universitária focada nos direitos humanos.
E reitoria desprezou. Preferiu chamar a força de repressão que fez de São Paulo uma das cidades mais violentas do mundo.
A cobertura de parte da mídia só alimentou o preconceito. Não se debateram ideias, mas a atitude de vândalos.
Prefiro uma Universidade que continue nos propondo novas ideias. Sim, gratuita. Aceito com orgulho que parte dos meus impostos vá para as universidades públicas.
Já estudei em duas e sei muito bem que elas não servem apenas à elite. Que há convênios com países africanos e latino-americanos. Que se estuda as raízes dos problemas e conflitos sociais. Que há núcleos de combate à violência. E que a força dos movimentos sociais é a alma da democracia e da justiça social.
E que numa Universidade livre, governador, repensa-se o papel do Estado.
Nem na época da DITADURA as ações dos estudantes eram unanimes.
Havia uma maioria silenciosa não engajada que não participava.
Isto não quer dizer que ela estava correta.
Muitos diziam que estudantes estavam lá para apenas estudar.
A História prova que dos estudantes veem as ideias de transformação.
É mais vantajoso escutá-los do que trancá-los ou reprimir com “borrachadas”.
No meio estudantil, longe das forças do mercado, nascem as grandes ideias.
Nasce o futuro. "