III CONGRESSO INTERNACIONAL DE LEITURA E LITERATURA INFANTIL E JUVENIL II FÓRUM LATINO-AMERICANO DE PESQUISADORES DE LEITURA - PUCRS - de 09 a 11 de maio de 2012
Mais informações aqui.
sábado, 7 de janeiro de 2012
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
O mundo da criança
Mundo da Criança
Toquinho
É sempre colorido, muitas vezes de papel
Com arcos, flechas, índios e soldados
Cheinho de presentes feitos por papai noel
O mundo da criança e iluminado
Baleias gigantescas, violentos tubarões
Mistérios de um espaço submerso
Espaçonaves passam por dez mil constelações
O mundo da criança é um universo
O mundo da criança é um universo
Pipas, peões, bolas, balões, skates e patins
Vovó, vovô, mamãe, papai, família
É fácil imaginar uma aventura
Dentro de uma selva escura
Com perigos e armadilhas
Viagens para encontrar minas de ouro
Piratas e um tesouro enterrado numa ilha
Imagens, games, bate-papos no computador
O tempo é cada vez mais apressado
E mesmo com todo esse imenso interativo amor
O mundo da criança é abençoado
O mundo da criança é abençoado
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quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
As aventuras de Pinóquio: História de um boneco - Carlo Collodi
Vocês souberam da edição especial da história original do Pinóquio, escrita por Carlo Collodi que a editora Cosac Naify preparou em dezembro de 2011? Pois é tudo de bom!!!!Vale muito ver, especialmente aos historiadores, afinal começamos a aprender a importância do tal bonequinho para a história ao lermos o texto "O país dos brinquedos - Reflexão sobre a história e sobre o jogo" que está no livro "Infância e História"de Giorgio Agamben?
Ali ficamos sabendo que até as coisas mais prosaícas e triviais podem ser um tesouro para análise de um bom historiador...
Nesta edição, segundo lemos no site da editora: "as ilustrações exclusivas de Alex Cerveny são uma atração à parte: o artista brasileiro utilizou a técnica cliché verre, do final do século XIX (contemporânea ao livro), na qual se chamusca uma placa de vidro com uma vela e desenha-se rapidamente sobre esta superfície com um objeto pontiagudo. O resultado são imagens oníricas de um Pinóquio nunca antes imaginado." Além disso também temos um prefácio do Italo Calvino, "só isso"... mal posso esperar para comprar e ler tudo!
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quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
Brincar de tempo-será
Tempo Será
A Eternidade está longe
(Menos longe que o estirão
Que existe entre o meu desejo
E a palma da minha mão).
Um dia serei feliz?
Sim, mas não há de ser já:
A Eternidade está longe,
Brinca de tempo-será. (Manuel Bandeira)
Mas que brincadeira é essa de 'tempo-será'?
Segundo este site, é um jogo de pique que quando o pegador é escolhido, as outras crianças repetem o seguinte diálogo cantado:
— Tempo será.
— De cericecó.
— Laranja da China.
— Pimenta em pó.
— Pinto que pia?
— Pi-pi-ri-pi.
— Galo que canta.
— Cocorocó
— Quem é o durão?
— Só eu só.
— Olha que lhe pego.
— Não é capaz.
— Olha que lhe pego.
— Se for capaz...
Quando acaba todos se põem a fugir do pegador. O primeiro que for pego será o pegador da rodada seguinte. Brincadeira bem brasilira, não? O interessante é pensar nos "tempos outros" das crianças, que no máximo obedecem às temporalidades dos jogos e brincadeiras, estes sempre à parte do tempo cronológico linear dos adultos!
A Eternidade está longe
(Menos longe que o estirão
Que existe entre o meu desejo
E a palma da minha mão).
Um dia serei feliz?
Sim, mas não há de ser já:
A Eternidade está longe,
Brinca de tempo-será. (Manuel Bandeira)
Mas que brincadeira é essa de 'tempo-será'?
Segundo este site, é um jogo de pique que quando o pegador é escolhido, as outras crianças repetem o seguinte diálogo cantado:
— Tempo será.
— De cericecó.
— Laranja da China.
— Pimenta em pó.
— Pinto que pia?
— Pi-pi-ri-pi.
— Galo que canta.
— Cocorocó
— Quem é o durão?
— Só eu só.
— Olha que lhe pego.
— Não é capaz.
— Olha que lhe pego.
— Se for capaz...
Quando acaba todos se põem a fugir do pegador. O primeiro que for pego será o pegador da rodada seguinte. Brincadeira bem brasilira, não? O interessante é pensar nos "tempos outros" das crianças, que no máximo obedecem às temporalidades dos jogos e brincadeiras, estes sempre à parte do tempo cronológico linear dos adultos!
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domingo, 18 de dezembro de 2011
(UM) CRIME DELICADO

Estou lendo o romance "Um Crime delicado", de Sérgio Sant'Anna e estou adorando!
Eu não esperava muito, confesso, mas estou me surpreendendo em cada vez maisudo bem que estou ainda no começo porque (para minha grande surpresa até) é bem densa (nunca chata!)...
Séparei 3 trechinhos logo do começo que eu amei, um sobre narrativa e seu poder; um sobre percepção do amor . Sobre a construção narrativa:
"Não tenho a pretensão de rastrear, reproduzir, aqui, a consciência, a memória em seu fluxo veloz e descontínuo, pois tal procedimento se encontra muito além de minhas potencialidades narrativas, talvez além do alcance das palavras, porque a maior parte desses pensamentos, lembranças e projeções se fazia por meio de sensações e imagens superpostas (AQUI A PERSONAGEM ELENCA IMAGENS DAS QUAIS SE LEMBRA QUE NÃO COLOCO AQUI PRA NÃO ESTRAGAR POSSÍVEIS LEITURAS DE VOCÊS QUE ME LÊEM). Então é preciso organizar esse fluxo, como o tenho feito, para que eu próprio possa segui-lo, dominá-lo ao menos nestas páginas, estas frases que se encadeiam, como se elas, sim, criassem a verdadeira realidade." P. 29-30"
Este romance foi filmado, recebeu o nome de Crime delicado:
Eu não esperava muito, confesso, mas estou me surpreendendo em cada vez maisudo bem que estou ainda no começo porque (para minha grande surpresa até) é bem densa (nunca chata!)...
Séparei 3 trechinhos logo do começo que eu amei, um sobre narrativa e seu poder; um sobre percepção do amor . Sobre a construção narrativa:
"Não tenho a pretensão de rastrear, reproduzir, aqui, a consciência, a memória em seu fluxo veloz e descontínuo, pois tal procedimento se encontra muito além de minhas potencialidades narrativas, talvez além do alcance das palavras, porque a maior parte desses pensamentos, lembranças e projeções se fazia por meio de sensações e imagens superpostas (AQUI A PERSONAGEM ELENCA IMAGENS DAS QUAIS SE LEMBRA QUE NÃO COLOCO AQUI PRA NÃO ESTRAGAR POSSÍVEIS LEITURAS DE VOCÊS QUE ME LÊEM). Então é preciso organizar esse fluxo, como o tenho feito, para que eu próprio possa segui-lo, dominá-lo ao menos nestas páginas, estas frases que se encadeiam, como se elas, sim, criassem a verdadeira realidade." P. 29-30"
As duas outras passagens sobre percepção da espécie de amor são:
"Minhas emoções, tenho certeza, se atropelavam, mas eu podia resumi-las nesse dia seguinte como sentimento de profunda cumplicidade com Inês e o seu destino, desde quando fora traçado com aquele estigma, muito antes de eu conhecê-la, até o momento mágico em que passara a incluir-me e, a partir dele, até onde esse destino fosse conduzir-nos. Nâo seria amor, ou mais?" P. 31
"...mais importante do que o fato de ser Inês uma pintora, medíocre ou não, havia o fato maior de sermos dignos um do outro, pois os espelhos que nos ligavam, inclusive na ausência, refletiam, para além dos corpos - para além, até, daquilo meio secreto em seu corpo -, uma imagem, digamos, do espírito." P.32
Este romance foi filmado, recebeu o nome de Crime delicado:
Não vou assistir antes de terminar de me deliciar com a sua leitura porque só de saber que está no eleco do filme já perdeu a graça de imaginar as personagens... que droga! De qualquer forma, fica aqui as duas indicações...
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sábado, 17 de dezembro de 2011
Cronologia da infância
"A cronologia da infância não segue uma linha reta, mas é feita de sobressaltos. A memória é um espelho opaco e estilhaçado, ou melhor, é feita de conchas intemporais de lembranças espalhadas numa praia de esquecimento. Sei que aconteceram muitas coisas naqueles anos, mas tentar recordá-las é tão desesperador como tentar lembrar um sonho, um sonho que deixou em nós uma sensação, mas nenhuma imagem, uma história sem história, vazia, da qual resta apenas um vago estado de espírito. As imagens se perderam. Os anos, as palavras, as brincadeiras, as carícias se apagaram, e no entanto, de repente, rememorando o passado, alguma coisa volta a se iluminar na sombria região do esquecimento"
- A Ausência que Seremos, Hector Abad
- A Ausência que Seremos, Hector Abad
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quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
Crianças. Nomes. Falas
VI
As coisas que não têm nome são mais pronunciadas
por crianças.
VII
No descomeço era o verbo.
Só depois é que veio o delírio do verbo.
O delírio do verbo estava no começo, lá onde a
criança diz: Eu escuto a cor dos passarinhos.
A criança não sabe que o verbo escutar não funciona
para cor, mas para o som.
Então a criança muda a função de um verbo, ele
delira.
E pois.
Em poesia que voz de poeta, que é voz de fazer
nascimentos -
O verbo tem que pegar delírio.
(Manuel de Barros. Obras Completas. Pp. 300-01)
"nomear algo significa convocar, criar realidade da coisa, ou antes, reconhecer essa realidade. Trata-se do valor mágico da palavra, do poder da palavra, da palavra eficaz."
(Adélia Bezerra de Menezes. Cores de Rosa.P. 233)
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