segunda-feira, 22 de março de 2021

"Me Chamo Samuel", Quênia, 2020 dir. Pete Murimi

 

Sinopse da Mostra de Cinemas Africanos : “Samuel cresceu na zona rural queniana, onde a tradição é valorizada acima de tudo. Ele é próximo de sua mãe, mas seu pai, um pastor local, não entende por que ele ainda não casou. Depois de mudar para a capital do Quênia em busca de trabalho e uma nova vida, Samuel se apaixona por Alex e encontra comunidade e pertencimento. O amor deles floresce, apesar do fato de que as leis do Quênia criminalizam qualquer um que se identifique como LGBTQ+. Apesar das ameaças de violência e rejeição, Samuel e Alex se movimentam entre seus mundos
coexistentes, esperando obter aceitação em ambos.

 

Um filme lindinho demais, uma verdadeira história de amor entre dois homens, amigos e companheiros. Porque se passa no Quênia e eu me lembro do filme Rafiki, o tempo todo, eu tive medo do fim ser trágico, apesar de todas as dificuldades que um casal de homossexuais encontra no Quênia. Mas aquela relação é real, é amor de verdade e ele, de “gêmeos”, passaram a ser companheiros, fazer parte da família. Nesses tempos difíceis que passamos, em plena pandemia, um filme assim acende uma esperança de que coisas boas também podem acontecer, apesar de tudo. Printei várias cenas porque foi o último dessa seleção e vou sentir muita saudade dos Cinemas Africanos, que se despedem de mim agora com essa mensagem de esperança de que o amor existe.




Cuidado na mãe 

Pais maravilhosos

Nairobi 



Mãe maravilha

Uma bela menina

Um homem bonito

Galinha e seus pintinhos

Samuel e a filha

Samuel e a mãe



Trabalho na construção

Nairobi 

Casa da avó 

Bolo de aniversário



Avó linda


domingo, 21 de março de 2021

"Vamos Conversar", Egito, 2019 dir Marianne Khoury

 


Sinopse da Mostra de Cinemas Africanos : "Uma mãe e sua filha exploram juntas quatro gerações de mulheres da mesma família, uma família egípcia originária do Levante,na qual a vida e o cinema sempre estiveram, e continuam a estar, intrinsecamente ligados. Essa é uma história intimista entre filmagens de arquivo pessoal onde realidade e ficção se interligam com os filmes
autobiográficos de Youssef Chahine. De Alexandria ao Cairo, passando por Paris e Havana, uma mãe e filha nos levam a uma viagem pessoal,tanto visceral quanto visual, enquanto questionam suas emoções e destinos."

É um belo doc, centrado em uma pergunta que quase nunca é formulada: qual é a importância de uma mãe na vida de uma filha?
Marianne filma para tentar  entender como eram as mulheres da família e faz isso porque ela é mulher e tem uma filha. Sua relação com a mãe, Iris, é bastante abordada, aquela que era uma uma mulher que alternava sempre entre ser forte e ser vulnerável e que, no fim da vida, deprimiu-se e optou pela vulnerabilidade, no entanto, para Marianne, que sabe que a mão desejou abortá-la, é claro que foi preciso que a sua mãe morresse para que ela vivesse e se torna-se mãe.
Mas Iris reapareceu quando a filha Sara nasceu e a ela identificou na criança características da mãe, o que a intrigou .
A filha cresce, se muda para Cuba, se torna independente e ela tem que aprender a lidar com isso.
Na cena final  toca uma música árabe com letra muito bonita :
"Oh contador de histórias
Nos conte um história 
Seria melhor se fosse um conto
Conte das pessoas de tempos atrás
Conte sobre as 1001 noites
Sobre  Loundja , a filha da Ogra
E sobre o filho do sultão 
Nos conte uma história 
Leve-nos para um lugar distante na Terra
Nos conte uma história 
Todos nós temos uma história dentro do coração 
Conte-nos e esqueça que somos adultos
Nos veja como crianças que  acreditam em tudo
Conte-nos sobre a terra e o céu e sobre o pássaro que nunca voou
Nos ensine os significados da vida 
Nos conte um história 
Leve-nos para um lugar distante na Terra"

Algumas fotos:
Marianne e os filhos crianças

Sara, quando nasceu

Mariana visita a filha Sara em Cuba

Sara filma Marianne

Cenas de filmes se intercalam com fotos e videos caseiros

Cena final, quando toca a bela canção árabe

Marianne criança, com os irmãos Gaby e Elie

Marianne grávida

A Nona

Iris, no fim da vida

Iris e a filha Marianne

Um tchau de Iris


sábado, 20 de março de 2021

Descobrindo Sally, Canadá/Etiópia, 2020 dir Tamara Dawit

 


Sinopse da "Mostra" : "Descobrindo Sally conta a história de uma mulher de 23 anos vinda da
classe alta etíope que se tornou uma rebelde comunista com o Partido Revolucionário do Povo Etíope. Idealista e apaixonada, Sally foi pega pelo fervor revolucionário de seu país e acabou na lista dos mais procurados do governo militar. Ela foi para a clandestinidade e sua família nunca mais a viu. Quatro décadas após o desaparecimento de Sally, Tamara Dawit reúne as peças da vida misteriosa de sua tia Sally. Ela revisita a Revolução Etíope e o massacre pavoroso que aconteceu em seguida, que resultou em praticamente toda família etíope perdendo um ente querido. Sua busca a leva a questionar noções de pertencimento, convicções pessoais e ideais políticos em uma época em que, de novo, a Etiópia está passando por mudanças políticas importantes."

Gente, que filme! Foi um dos mais impactantes que assisti esse ano. É totalmente histórico e não trata de qualquer história, mas a da Etiópia. Como sempre sobre este país, demorei muito para terminar de assistir, queria pegar cada detalhe, especialmente este , que é meio que um resumo da História contemporânea etíope, através da história dessa família, dessas mulheres lindas, fortes, sofridas! Fiquei muito emocionada! Aquele lindo povo etíope sofre muito, de guerra em guerra, sempre reprimido por todo lado, fome, massacres, militarismo, discriminação.  

Ouvindo a história da Sally, uma tia desconhecida da diretora Tamara, é impossível não lembrar de tantas pessoas que foram perseguidas pelas ditaduras brasileiras, especialmente a militar de 1964, que faz parte do mesmo contexto (Levantes autoritários inseridos no contexto da Guerra Fria nas décadas de 1960/1970) em que Sally foi perseguida. Porém, infelizmente, acho que as coisas na Etiópia me parecem ter sido bem piores do que aqui, porque ao que parece, a violência ali não foi ocultada em nenhum momento, os massacres eram assumidos, os corpos expostos na rua, se dó nem piedade, um horror! O período em que Sally lutou, viveu na clandestinidade e faleceu, ficou conhecido como o “Terror vermelho” e a violência era tamanha que, segundo Dawit, traumatizou a população a ponto de os calar por décadas. O medo era maior.

Achei muito bonito quando Tamara diz que descobrir a história de Sally foi o caminho que ela encontrou para não apenas se reconhecer etíope, como também entender a Etiópia,  ontem e hoje. Foi um mergulho na descoberta de sua identidade. Coisa muito, muito linda. Estou emocionada.

Printei várias cenas, por isso demorei umas das horas para assistir, mas valeu a pena,demais! A imagens:



Pais de Sally, um embaixador e sua esposa

Tselote e Sally, na juventude 

Primeiro Ministro 2018: Será o fim das guerras?

Tia Brutawit (irmã de Sally)

Tamara Dawit se casa com um etíope

Povo da aldeia onde Sally se abrigou na clandestinidade

Sally jovem e os pais em eventos da embaixada

Coquetéis da embaixada

Cova de Sally e de seu marido Tselote

Tamara Dawit: Em busca das origens etíopes

Duas ancestrais que guardam as histórias do doloroso passado

Revolta estudantil frente à fome na era do Imperador Haile Selassie

Primeira imagem da Etiópia no filme

O pai de Tamara Dawit entre as irmãs

Primeira vez que Tamara percebe a foto de Sally 

Mas as fotos dela existiam, como essa ao lado da
 de seu pai , mas ela que nunca tinha reparado

Depois de se formar socióloga do Canadá,
 volta a Etiópia e se alia ao Partido Revolucionário do Povo Etíope PRPE 

Cena linda, etíope lendo jornal

Tia Kibre

Tia Menbie

Etiópia rural

Luta das mulheres etiópes 

Esposa de diplomata 

Sally, anos 70

Primeira grande fome na Etiória, anos 70

Revolta pela grande fome 

Esse edifício lindo em Addis Abeba eu conhecia de "Preço do Amor"

Quando o Imperador foi deposto

Mãe de Sally, anos depois de tudo

Linda mulher 

Tia Tsion ,  a mais jovem

Sally na época da faculdade de sociologia