segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

VACINADA : Dose de reforço

 



Hoje tomei a dose de reforço da vacina contra Covid. Viva a ciência, viva o SUS! 
Venceremos essa pandemia!

sábado, 18 de dezembro de 2021

MELHORES 2020 (Foi bem defasado, mas teve pelo menos um bicampeonato!)

 


Como no ano passado, passando  o meio de dezembro, já dá para contar as melhores coisas que, apesar de tudo, experimentei nesses meses pandêmicos. Sim, tem coisas que merecem um prêmio por me ajudarem nesses tempos tão difíceis. A diferença maior está mesmo nos quesitos, que tive que alterar ou anular, porque faltaram candidatos, mas  a maioria segue bem:

1 Rolê - Não teve! 

É verdade que agora, no fim do ano, tivemos festas, até uma festa do Bloco Lua Vai (vencedor de melhor rolê nos últimos três anos!), mas eu não estou saindo ainda e acabei nem indo. A vida não tá fácil, não, mas sigamos agradecendo por estarmos vivos e bem de saúde! Assim que as coisas acalmarem a gente volta a conversar sobre rolês.

Música/ musicista - Disco "Do cóccix até o pescoço", da Elza Soares /PRINCE

Como não foi um ano fácil, a princípio achei que eu, pessoalmente, nem tinha ouvido músicas, mas não é verdade, afinal música é vida! Aprendi muito sobre música acompanhando o perfil do Guilherme Arantes no Facebook, que muito generosamente, dividia com a gente parte do seu vasto conhecimento musical! Porque ganhei uma reforma em um PC velho que eu tinha aqui, com toda memória disponível, consegui baixar muita música, voltar a ouvir discos inteiros como se fossem uma música só, dai veio de tudo:  Discografia completa de Jorge Ben, Caetano Veloso, Roberto Carlos (essa é imensa), Michael Jackson, etc. Se ano passado ouvi muito samba, até porque passava em frente a uma roda quando ia caminhar,  nesse ano fiquei em casa ou academia e preferi os pagodes, muitos deles, como quando eu tinha 12 anos e já amava o Art Popular! Como escolher uma música? Para ser honesta, me lembro de pensar "quero ouvir isso agora" muitas vezes e não foi uma música, mas sim um álbum todo, o primoroso "Do cóccix até o pescoço", disco de 2002 da Elza Soares! Em que pese a maravilhosidade dos  últimos álbuns cheios de atitude da cantora, esse disco é uma delícia insuperável! Quem não se arrepia todo ao ouvir ela cantar "a carne mais barata do mercado é a carne negra"? Para mim é a prova que o grito já estava lá, desde sempre, mas em 2002 veio aveludado, e só se aperfeiçoa! Ouvi tanto que aprendi a cantar todas as músicas, algumas vezes até dancei sozinha em casa! Que sorte termos a Elza Soares! Elza, sua linda, a sua biografia foi o livro que escolhi para terminar o ano e meu 2021 também é seu, vesti sua camisa!

Sobre o musicista do ano, até poderia ser o Guilherme Arantes, pelos motivos que expliquei acima, mas se não foi ele, pelo menos foi alguém  que voltei a ouvir com mais acuidade por causa  de um post do  Guilherme, inclusive. Falo de  Prince Rogers Nelson, meu crush! Quando Prince estava vivo, fez show no Brasil, eu era uma criança que ouvia Ilariê, não fazia ideia do tamanho da genialidade desse cara! Nesse ano, já bem madura, me deliciei não com discos (ainda é difícil ter acesso aos discos de Prince, mesmo com ele morto!), mas assisti zilhões de vezes a todas as apresentações ao vivo disponíveis no Youtube e, juro, me encantaram sempre de novo e de novo! Não só pelo SOM maravilhoso, mas também pelas performances, era SHOW mesmo, na concepção própria da palavra! Em outubro, até a camisa da sua apresentação no Super Bownl em 2007, com aquelas cores que só ele sabia usar, aquela delicadeza, todo o charme! Escolhi essa camisa porque, com ela, eu posso abraça-lo, como na foto, pois ele  foi mesmo minha paixão de 2021.Quanto amor ! 

Visti a camisa deles em 2021 ❤️💜

3 Livros -" Pedro Páramo", de Juan Rulfo e  "O Avesso da Pele", de Jeferson Tenório



Como postei aqui, li muito nesse ano em cárcere e muitos livros ótimos, não deu para escolher somente um, então elegi dois, um clássico e um contemporâneo. O contemporâneo já tinha escolhido assim que terminei de ler, só estava esperando para ver se leria um melhor, o que não aconteceu. Quando ele venceu o Prêmio Jabuti de melhor romance literário 2021, eu só pude dizer "Grande coisa, esse prêmio aqui do Pequenidades ele já tinha levado faz tempo. Que livro lindo e importante, que mensagem significativa : se o racismo mata a alma, a literatura pode ajudar a sobreviver! Que leitura MARAVILHOSA!



Mas achei muito chato botar esse livro lindo de Tenório, tão atual, para concorrer com "clássicos" como Jorge Amado e Gabriel Garcia Márquez, Lygia Fagundes Telles, que foram autores que li e reli mais um volume esse ano, inclusive. Então percebi que tinha encontrado uma obra para a qual eu tinha me preparado toda a minha vida de leitora, que é o excepcional "Pedro Páramo", do mexicano Juan Rulfo. Ele, que influenciou tanta gente que eu amo, precursor do "realismo maravilhoso" na América Latina, de Gabo ao Guimarães Rosa, chegando até a um autor europeu como José Saramago, e ligou os pontos e me fez mais feliz. Que livro importante, todos amantes de literatura deviam conhecer. 


4 Filme - Descobrindo Sally, Canadá/Etiópia, 2020 dir Tamara Dawit

Descobrindo Sally

Esse ano vi poucos filmes, só os da Mostra de Cinemas Africanos mesmo, gostei muito de vários. Posso destacar  o belo sudanês "Você morrerá aos 20" e o intrigante e surpreendente filme ugandês "A garota do moletom amarelo" , que me inspirou até no look que usei no meu aniversário em outubro
Garota do moletom amarelo! 

Mas para explicar o motivo de que um documentário da etiópia tenha sido escolhodo como meu filme favorito do ano devo lembrar de uma conquista, um  grande presente que recebi logo no início de 2021, que  foi o resultado do meu exame de DNA Ancestralidade, que comentei aqui, no qual reconheci minha linhagem muito brasileira: ibérica e africana. A parte africana é traços em vários lugares, mas para minha alegria, está no meu DNA inclusive a África Oriental, minha Etiópia que tanto admiro. Precisava saber mais desse lugar de gente dourada e esse ano li literatura e assisti filmes que me ensinaram muito sobre aquele lugar, sua história tão diferenciada, inclusive se pensarmos na África. Quando assisti esse filme pensei que era o filme africano que eu sempre sonhei assistir. Adorei.

5 Foto - Vacina! 


Desde o início da pandemia essa era a foto que todo mudo queria tirar, ela significa tanta coisa, significa que estamos sobrevivendo à pandemia, com a ajuda da ciência e do SUS! Não importa se eu não estava bonita naquele dia, pois eu vinha de meses de sofrimento e a vacina me deu esperança, força e vontade de viver de novo. Depois até tomei outras doses para reforço, mas essa, a primeira, foi a imagem do ano!  

6 Bebidas/Comidas - Pipoca (Bicampeonato), desta vez com canela 


Nesses anos pandêmicos tudo o que queremos é buscar saúde e isso foi louvado nas pipocas como comida do ano em 2020 e 2021: Atotô Obaluaê! Esse ano descobri temperos possíveis e canela deu a pipoca um sabor diferencial, como se fosse um doce, uma sobremesa, que deu sabor e perfume e garantiu que essa praga ficasse longe desta casa! Gratidão infinita a Deus e aos orixás!

7 Shows/Lives - A do lançamento do meu livro!


Ao contrário do ano passado, quando fiquei grudada nas lives, em 2021 eu estava mais cansada das telas e participei ou acompanhei poucas, mas a mais importante foi que tratou da minha grande conquista do ano: a live do lançamento do meu primeiro livro. Na verdade , é a tese sobre infância nos contos de Guimarães Rosa em forma de livro e foi muito bacana falar um pouco sobre esse trabalho que eu fiz com tanto carinho e , este anos depois da defesa, foi publicado, no mesmo ano em que  o prêmio Jabuti de melhor livro infantil e também de o livro do ano foi dado a a obra "Sagatrisuinorana", de João Luiz Guimarães, que trata sobre as tragédias de Brumadinho e Mariana e a importância de preservar o meio ambiente a partir da fábula dos 3 porquinhos e  é também  uma homenagem ao Guimarães Rosa, ou seja, 2021 foi o ano de destacar a infância na obra do nosso autor mais importante (para mim).

8 Roupas e acessórios - Luvinhas de treino


No segundo ano de confinamento, só ficava em casa e quase só usei roupas ou makes antigas mesmo. A novidade foram essas luvinhas de treino para evitar calinhos nos dedos. Para mim elas simbolizam muita coisa: meu retorno os treinos, minha esperança em um futuro melhor, longe da pandemia. Melhor roupa!

9 Conquista do ano - Meu primeiro livro foi publicado! 

Em anos pandêmicos, a melhor conquista é estar vivo, com saúde, que fique bem claro, porém no meio disso tudo, 2021 foi marcado pela publicação da minha tese em livro, sobre a qual já falei acima e isso é um presente para mim e o encerramento, com chave de ouro, da parceria de estudo e amor que eu firmei com Guimarães Rosa lá em 2005, que me ajudou a suportar a Esclerose Múltipla, o racismo, o isolamento, e tantas amarguras da vida. Muito, muito obrigada a vida e a esse autor sensacional,  mesmo! 

10 Preto do ano - Não teve !


Como esse ano não teve rolê, também não teve teste drive, então passei sem pretos na jogada. Que 2022 me traga de surpresa um gato preto na medida para minha alegria !

Parabéns a todos! Que venha 2023!


quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

Lendo biografias

 


Como já disse, biografia não é um o tipo de livro que eu mais gosto, mas já li alguns na vida. 
Nesse posto eu destaco algumas que li (ou estou lendo) desde 2017, quando comecei a me interessar mais pelas questões de negritude. Depois comecei a escrever alguns textos sobre a presença (muitas vezes oculta) da herança cultural negra nas canções brasileiras e algumas biografias me interessaram nesse campo. Nesse ano, por conta de um trabalho que em breve será publicado, tive que ler muito sobre Lima Barreto, nosso grande escritor negro, e por isso li as duas biografias dele! 
No total falo aqui de  cinco livros no total, tratando de três personagens brasileiras negras, que se destacaram no campo cultural.

Destes, o primeiro que li  foi a bio do Tim Maia. Mas como não gosto tanto de bio, eu demorei para começar e terminar de ler, como comentei aqui .  Tim é uma figura fascinante e ler sobre sua vida, ouvindo suas canções, foi uma delicia dobrada. O mais importante que levei ela foi o destaque ao Jorge Ben, meu grande amor! Dele, se houvesse uma biografia, eu também leria!

A segunda bio que li foi a do Martinho da Vila, aquele livro lindo, que comentei aqui , aliás esse comentário, comparado ao não comentário sobre a bio de Tim Maia, marca um avanço da minha visão sobre essas questões, mostra de que de tão inicial lá no começo, desabrochava em problemáticas reais, o que me emocionou de verdade. Conclui que Martinho, que tanto fez pela negritude, tinha essa face oculta, desconhecida pela maioria, que o considerava um simples sambista qualquer (como se fosse pouco), mas nesse sentido,  sua  biografia, por si só, é uma apologia a cultura negra do Brasil. 



Sobre o Lima Barreto, também foi uma paixão recente, que as biografias fizeram aumentar muito. Embora a primeira, escrita por Barbosa, seja mais gostosa de ler, a mais recente, pela Lilia, é um estudo mais detalhado,  quase uma enciclopédia e Lima muito mereceu.

Sobre a da Elza, falo dela quando terminar a leitura ... mas já adianto que é muito bom ler essas biografias porque elas, sim, contam histórias que, sem elas, estariam fadadas ao esquecimento, e esses livros são um capítulo importante da história dos negros no Brasil 

terça-feira, 14 de dezembro de 2021

EU LEITORA EM 2021

30 livros que li em 2021

Eu leio livros como uma criança, moro neles, comento as leituras em processo aqui na Internet, escrevo aqui depois, é uma longa trajetória, por isso não tenho a menor pressa em concluir a leitura, às vezes não consigo me desgrudar dos livros, eles interferem na minha vida.

Esse ano tinha a sensação de que li uns 200 livros, porque tudo foi muito intenso, mas na verdade foram apenas 30 livros, que li e me deliciei. Reunindo todos para tirar foto, fui acometida de diversas sensações com cada um, em qual momento li, o que eu senti, não tem melhor retrospectiva. Agora escrevo sobre cada um, primeiro a listinha na ordem da leitura e as fotos. Lembro que ELES TÊM POST NO PEQUENIDADES, que não vou linkar aqui, mas fazer outros comentários. Se 2020 foi o ano dos cinemas africanos, 2021 foi o ano da literatura! Que 2022 venham outras, muitas mais!

1 Torto Arado, Itamar Vieira Junior
2 Marrom e Amarelo, Paulo Scott
3 Um solitário a espreita, Milton Hatoum
4 Igbo, Marcos Cajé (Li, mas não tenho)
5 Omo-Oba histórias de princesas, Kiusam de Oliveira
6 A vida de Lima Barreto, Francisco de Assis Barbosa
7 Lima Barreto : Triste visionário, Lilia M. Schwarcz
8 Clara dos Anjos, Lima Barreto
9 Hibisco Roxo ,Chimamanda Ngozi
10 O Avesso da pele, Jeferson Tenório
11 Menino de Ouro, Claire Adam
12 Sob o olhar do leão, Maaza Mengiste
13 Do amor e outros demônios, Gabriel García Márquez
14 O amor nos tempos do cólera , Gabriel García Márquez
15 Ninguém escreve ao coronel, Gabriel García Márquez
16 A cabeça do santo , Socorro Acioli
17 Pedro Páramo , Juan Rulfo
18 As reputações, Juan Gabriel Vasquez
19 Bicho geográfico, Bernardo Brayner
20 Crônica de uma morte anunciada, Gabriel García Márquez
21 O capote e O nariz, Nikolai Gógol
22 O ano em que vivi de literatura, Paulo Scott
23 A palavra que resta, Stênio Gardel
24 Mar morto , Jorge Amado
25 Apague a luz se for chorar , Fabiane Guimarães
26 Tenda dos milagres, Jorge Amado
27 Antes do baile verde , Lygia Fagundes Teles
28 A descoberta da América pelos turcos, Jorge Amado
29 Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios, Marçal Aquino
30 Elza , Zeca Camargo

Uma lista muito boa, considero. No começo do ano eu queria ler livros que estavam sendo muito discutidos no Brasil, desde 2019, que tratavam da questão racial e etc. Dai que li livros maravilhosos, como Torto Arado e Marrom e Amarelo. depois quis concluir a leitura da obra completa de Hatoum, lendo seu livro de crônicas, mas esperando o lançamento do último volume da trilogia, que ainda não veio. Prefiro os romances, embora tenha gostado muito dos contos, mas as crônicas, estranhei um pouco.

Ai eu quis estudar um pouco a literatura infantil e comprei um livro sobre as princesas africanas (que achei um pequeno tesouro), que veio errado (por isso eu consegui ler o Ogbo, mas depois tive que trocar), e achei que esses livros sãp muito importantes, que as nossas meninas merecem conhecer OUTRAS PRINCESAS, que não apenas as da Disney!

Ai tive que escrever um texto sobre Lima Barreto, autor que adoro, mas sem tempo, sem bibliotecas, ficou bem difícil, achei que nem ia conseguir, mas deu certo e deve ser publicado em 2022. Mas o fato foi  que, para isso, li e estudei Clara dos Anjos e duas biografias incríveis de Lima! Foi um grande desafio!

Louca para voltar a ler ficção por prazer, voltei preocupada em ler africanos, mais especificamente, uma autora nigeriana, a Chimamanda Ngozi, que é famosa mundialmente pelas palestras , vídeos e discursos sobre feminismo e racismo. Isso me fez admirá-la, claro, mas me dava um pouco de medo de não encontrar em seus livros o que mais me interessa, que é a construção ficcional (em outras palavras, tinha medo de que seu livro fosse um novo discurso tipo "os perigos de uma história única". Não foi o caso com Hibisco Roxo, que é um bom livro, falando de realidades nigerianas, Fela Cuti, conflitos culturais, etc.

Mas o melhor ainda estava por vir, assim que terminei o texto sobre Lima Barreto, tinha o Hibisco para ler primeiro, mas na verdade eu achei que precisava de uma preparação mais longa para ler O Avesso da pele, que eu temia, mas desejava. Vi partes de algumas entrevistas do Jeferson Tenório e peguei delas uma dica preciosa, que fez toda a diferença: estudar Hamlet. Pronto, passei a estudar o clássico de Shakespeare, que não contei na lista de leituras, porque fiz a leitura pela internet, acompanhando grupos no Youtube, não sei se aquilo foi propriamente uma leitura, mas sem saber que o narrador de o avesso , um dos mais lindos que li esse ano, tal qual o Hamlet da peça, dirige-se ao espectro de seu pai em busca de uma vingança pela sua morte e vida entrecortada pelo racismo. Só de escrever isso, me arrepio! Que livro, meus amigos!

Depois quis conhecer autores de lugares diferentes, vi no Instagram um vídeo de uma das Mandarinas (uma livraria bacana de São Paulo) falando sobre O Menino de Ouro, de uma autora de Trinidade e Tobago! Quis viajar para o Caribe e foi muito legal. Mergulhei super na trama dos gêmeos, me afeiçoei a um deles, lamentei quando coisas ruins lhe aconteceram e sai do livro cheia de questionamentos (como eu gosto). Um detalhe : essa edição da Todavia é a mais bonita de 2021!

Ai voltei a África, à um dos meus locais de ligação ancestral, a Etiópia. Li um livro maravilhoso de Maaza Mengiste, aprendi tanta coisa sobre a História recente daquele país, a perseguição política, o militarismo depois da saída do Império, tema de um documentário da Mostra de Cinemas Africanos e comentei aqui . Quero muito ler mais livros dessa autora, mas preciso esperar uma tradução!

Ai quis voltar a literatura mesmo, o realismo fantástico, então fui reler Gabo, Do amor e outros demônios, que tinha lido em 1996, quando achei legal, mas não tinha a maturidade para entender que se trata de um romance histórico, uma obra belíssima sobre a colonização na Colômbia no século XVIII. Então quis ler mais Gabo, reli O amor nos tempos do cólera (pela milionésima vez) e achei outras coisas que não tinha percebido até então. Ainda digo: Que livro belíssimo! Mas estava enamorada de Gabo e quis reler e ler algumas coisas que ainda não tinha lido, adorei a história do coronel solitário e a trama impressionante de Crônica de uma morte anunciada.

Nesse interim soube da história da Socorro Acioli, a autora que conseguiu fazer uma oficina de escrita com Gabo em Cuba e dessa experiência nasceu o delicioso A cabeça do santo, livro intricadamente ligado a oralidade e a referências literárias diversas, que ultrapassam apenas o Gabo. Depois soube que ela é uma premiada autora infantil e, seguindo-a no Instagram, percebi que as melhores dicas de livros é ela quem dá. Adoro!

Divididos em 2 partes: esquerda as primeiras leituras e a direita as finais

Estávamos na metade do ano e uma referência do livro de Acioli me fez ler , enfim, o mexicano Juan Rulfo. Foi a melhor coisa que eu fiz, que livro excelente, ele ligou todos os pontos soltos que eu tinha  deixado nas leituras de Gabo, de Rosa, de Saramago. Foi bem marcante, senti que tinha lido um livro da vida.

Empolgada com os latinos, aceitei uma recomendação de um youtuber e fui ler um colombiano contemporâneo, Juan Gabriel Vasquez, não fiquei tão contente, não porque o livro é ruim, mas não tem a grandiosidade de um Rulfo, de um Gabo, enfim, primeiro livro que não curti muito esse ano. 

Ai fui ler o livro do Bernardo Brayner, meu amigo de décadas! Fiquei muito emocionada e feliz por sua conquista.

Ai voltei aos clássicos, fui ao encontro de Gógol, eu amo! Estava tudo indo muito bem e resolvi ler outro livro de um desses novos autores que conheci ultimamente, e fui ler Paulo Scott, porque sabia que 2021 é o ano em que eu vivi de literatura. Não é um livro ruim, mas  foi uma leitura muito incômoda, muito mais do que Marrom e Amarelo, passei um longo tempo com ele entalado na garganta.

Tanto que decidi aceitar a indicação de Socorro Acioli e li o lançamento A palavra que resta de Stênio Gardel. Foi uma gratíssima surpresa, amei, amei, adorei. É lindo, poeticamente escrito, me lembrou tanto o Grande Sertão, Riobaldo e Diadorim, embora depois o Stênio me revelou que a inspiração foi Raduan Nassar. Que seja! O que importa é que esse livro é lindo!

E para continuar nesse clima de encantamento, li um dos mais belos livros da vida, Mar morto , do Jorge Amando, que é poético, é divertido, é romântico, é mítico, quase uma canção (praieira), uau! Quis ler mais Jorge Amado, li mais dois, o incrível Tenda dos milagres, que tem muita coisa a ser pensada para a eternidade,o. Brasil, e depois li o engraçadissimo A descoberta da América pelos turcos. Em 2022 quero ler mais Jorge Amado, tem muita coisa para descobrir.

Ai reli Antes do baile verde, que experiência, que autora é a Lygia Fagundes Telles. Quero ler mais, mas ainda tenho medo.

Então li dois livros contemporâneos, de títulos bonitos, mas de texto nem tanto, o Apague a luz se for chorar , livro fraco, senti que perdi meu tempo e dinheiro. E o tão festejado Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios, do Marçal Aquino, que não achei ruim, mas me encheu de ranços, podem me apedrejar!

Enfim, termino o ano com a Biografia de Elza, esse ano tão literário que só tenho a agradecer ter tido essa oportunidade!

segunda-feira, 13 de dezembro de 2021

Faces Camila 2021

 Bom, ainda em tempos pandêmicos, 2021 foi um ano mais pesado e cansativo. Para o meu  tradicional painel com fotos mês a mês vejo como comecei numa energia mais ou menos (ainda de 2020), mas aos poucos fui caindo, cansando, engordando, no segundo semestre, com a vacina, voltei para a academia e vim melhorando pouco a pouco e no fim deu certo. Todas as fotos tirei em casa, no meu quarto ou quintal, onde a luz nem sempre é tão favorável, nem sempre estava pronta para fotos, mas muitas vezes com livros, meus melhores amigos desse ano. Gosto de ver como eu melhorei visivelmente, isso me dá esperança de que vou melhorar ainda mais!



sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

Lançamento do meu livro "Escrevendo a lápis de cor: Infância e História na escritura de Guimarães Rosa"

Capa do meu livro, com desenhos do Marcio Reif 

Sim, meu primeiro livro foi publicado! Que emoção, minha gente! 

No dia 3 de dezembro de 2021 aconteceu a live de lançamento da minha tese publicada em em livro pela Editora Desconcertos, com a presença do Editor Claudinei Vieira e a responsável pela Coleção Acadêmicas, Paula Autran: 


Um print da Live

Caso tenha interesse em assistir, está disponível aqui :


Primeiro  me  preparei para a ocasião


Depois fizemos os testes necessários 

Mas não foi o suficiente para garantir uma boa conexão, se não me engano, caí umas três vezes! Muitas pausas (M%, diria Rosa), e fiquei tão atarantada que não sabia onde estavam os livros que queria ter mostrado na hora. Estavam atrás do computador! Eram esses livros

Livros de contos de Rosa "Primeiras Estórias"(1962) ;"Tutaméia"(1967) 
E "A última aventura do Sete de ouro", adaptação de um conto de Sagarana (1946) para as crianças 
 pelo tio e autor infantil Vicente Guimarães (1960)  


Mas de qualquer forma pude falar bastante, sem chorar nenhuma vez! Sei que muita gente amiga estava assistindo, a Patricia Rafaini que foi da minha banca, o meu orientador na tese Elias Thomé Saliba (sempre os mais produtivos comentários), foi muito especial!
O livro do ano de 2021


Em determinado momento a Paula perguntou qual seria a importância desta publicação para os nossos dias atuais e eu  responder :
"Essa tese eu defendi em 2014, há sete anos, mas só agora em 2021 surgiu a oportunidade de publicá-la em livro e eu, como Guimarães Rosa, não acredito que nada aconteça por acaso: Em 2021, em um dos mais conhecidos prêmios literários do país, o Jabuti, premiou a obra Sagatrisuinorana , de João Luiz Guimarães, como  melhor livro infantil. A sinopse do livro nos conta:
"

"O livro Sagatrissuinorana é uma homenagem a João Guimarães Rosa que reconta a fábula dos Três Porquinhos, mas tendo como pano de fundo o rompimento das barragens de Mariana e Brumadinho. O texto segue a sintaxe rosiana, ao mesmo tempo em que não se furta a registrar criticamente duas das maiores tragédias socioambientais do país — e que tiveram as Minas Gerais como palco.

Afinal, o que fazer quando a realidade parece superar a ficção? Diante do devastador tsunami de lama ainda haveria a possibilidade de se temer o lobo? O simbólico e o real medem suas forças neste livro tão potente, com um final aberto a inúmeras interpretações."

Discussões tão atuais, trazidas às crianças, possibilitou que o livro levasse também o prêmio de LIVRO DO ANO 2021, destacando esse ano como o ano em que Guimarães foi associado ao tema infância e eu meu livro também participamos dessa marca! Fiquei muito contente!

Agora lançado, o meu livro continua em pré venda neste link .

A divulgação da live que a desconcertos fez trouxe até um trecho do prefácio escrito pelo Elias:


 O texto de lançamento: 

"ESCREVENDO A LÁPIS DE COR: Infância e História na escritura de Guimarães Rosa

Camila Rodrigues

Sondando uma documentação minuciosa, composta por correspondência de cartões-postais; as três séries dos trinta cadernos manuscritos de Guimarães Rosa; escritos dispersos em periódicos, desenhos ou sugestões de imagens e capas feitas pelo próprio escritor e de inúmeras outras fontes – além, é claro de amealhar toda a portentosa fortuna crítica de Rosa – quase que poderíamos dizer, com Willy Bolle, que Camila Rodrigues chegou bem perto de penetrar na “câmara íntima” de criação do escritor. 

Por tudo isto, incluindo a meticulosa e sensível escrita da intérprete, o livro é uma contribuição inestimável não apenas à uma história cultural da linguagem das crianças, mas também porque, ao amealhar e dialogar com a extensa fortuna crítica do escritor, ensaia uma inédita interpretação das incríveis narrativas do autor de Tutaméia."


Tudo muito bom para ser verdade, mas foi verdade sim! Viva Guimarães Rosa!


quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios, mas as leria neste romance?

 

Só boas recomendações sobre este livro de Marçal Aquino, foi meu “contemporâneo” do mês de novembro porque adorei o título! Ele chegou aqui em casa no dia do meu aniversário. embrulhado pra presente, expectativa não me faltava. Mas como dizem, expectativa é mãe da decepção, né? Será que foi o caso? Vejamos minhas impressões de leitura.


Poxa, agora que concluí a leitura, é estranho lembrar que minha primeira referência foi  Milton Hatoum! Depois não pensei mais nele, não vi necessidade. Esse ponto que destaquei, do filme ser muito imagético, parecendo até um roteiro de cinema, é mesmo verdade. Gosto especialmente das cenas na pensão da dona Jane, onde o narrador de grande parte do romance, o Cauby, interage com o homem careca, que conta sua dramática história de amor a um menino e o fotógrafo, espertamente, faz uma analogia com a história central do romance entre ele e a Lavínia.  Se eu fosse cineasta, faria um curta dessa história, ficaria bonito. Mas minha dificuldade em engrenar na leitura apareceu logo:

EU RECEBERIA- Passado o primeiro contato bastante positivo com o livro de Marçal Aquino,  constato que a leitura não flui tão bem nas primeiras 50 páginas. Sei que é melhor comentar só quando estamos perto ou passamos a metade do livro, mas tanta expectativa em torno dele me dá a sensação de que passei da hora certa de ler esse livro, isso me obriga a tecer alguns comentários agora. Menos poético (às vezes até cafona, talvez propositalmente, como que dialogando suavemente com o universo tecno brega do Pará? Uma palavra muito usada no início é "eletricidade"...) do que eu gostaria e ele prometia, gosto muito dele  ser um livro centrado na fotografia, no olhar fotográfico para a vida (está na capa e até o amor é sutilmente construído a partir dessa chave), acho original e divertido tantas citações a palavra "filme" fotográfico, mas a leitura não me arrebata como eu gostaria. Espero que quando chegar na metade a sensação melhore, porque abandonar a leitura eu não vou...

Acontece que a vida me chamou e eu acabei tendo que deixar o livro de lado por um tempo, mas quando  voltei  comentei: 

EU RECEBERIA - Depois de uns dias fora, volto pras histórias do Cauby. Não sei porque, não confio muito nele, sempre acho que ele vai se revelar um vilão e esse amor por Lavinia, romântico demais até pra mim, me cheira a disfarce. Não é que não fui com a cara dele, achei só um chatinho, mas algo me faz desconfiar de suas boas intenções... Veremos!

Mas seguia lendo o livro, que ao contrário da impressão inicial, não é poético e nem prende a atenção da gente na leitura como eu gostaria. Até que cheguei na metade



Acho o Cauby um chato. Paulistano (tinha que ser), está no Pará, até curte, mas não se envolve, é tudo tão fake, fica fumando maconha, lendo poemas e filósofos  e  seus momentos inesquecíveis são os que ele transou loucamente com a mulher ao som de Beethoven! 😵 Tudo isso poderia ser cômico, mas nem isso! Cauby é um deslocado, não é um cara mau, é só um mala paranóico na moça. Já o pastor Ernani , marido da Lavinia, é o próprio lobo mau em pele de cordeiro,  se acha o salvador da pátria e, claro, quer salvar a Lavinia, não importando o que ele precisa fazer para isso. Sobre ele eu comentei, transcrevi até um trecho (nesse livro não tem post its)  :

"Ernani achou bonita a mulher, uma das que tocaiavam clientes de um jeito dissimulado nas imediações do hotel. Gostou dos olhos escuros, pareciam misteriosos, ancestrais. Tudo poesia da cabeça daquele servo de Deus: na verdade, Lavínia estava baratinada com anfitaminas. Mal conseguia ficar em pé. Era assim que sua metade suave suportava a vida áspera que andava levando." (P. 85)
O capítulo mudou, por enquanto não estamos mais vendo a história a partir dos olhos do Cauby, o fotógrafo quarentão do tipo que "cita filósofos"🙄, mas o interesse que o rosto de Lavínia ("quase uma antiguidade") despertava nos homens continua. Como de costume nos livros de escritores homens, as mulheres acabam sendo um lindo mistério, a gente se pergunta, muitas vezes sem resposta, quem é essa mulher? Muitas vezes essa é a grande questão.

Depois tem um capítulo sobre a vida pregressa de Lavinia, meio que para tentar "explicar" o fato dela se uma mulher atribulada, que assume várias personalidades a cada momento, mas isso é bem pouco explorado. Assim como o contexto de guerra pelo ouro, que é muito interessante e importante, que explicaria melhor muitas tramas do livro, mas Marçal preferiu ficar centrado nesse amor cafona (nada contra cafonice verdadeira, mas no livro não é  autêntico) do Cauby pela Lavinia. 

Ai gente, não é que achei o livro ruim, mas tem tantos livros melhores, eu poderia ter dado meu tempo para outra obra, né? Não pude deixar de pensar isso. Até que eu, enfim, cheguei na parte final do livro :

TEMPO DA ESPERA -Poucos perceberam, mas estava sem internet desde ontem por volta das 22 horas. Fiquei muito pistola, afinal amanhã é lançamento do meu livro, cadê meu wi-fi? Pois o técnico veio resolver, descobriu que precisava receber instruções da central, então ficamos mais tempo esperando do que outra coisa. Eu, por outro lado, deixei ele absorvido com o tel da central e peguei o livro do Marçal Aquino para terminar de ler. Terminei. Com dois dias de atraso e por causa de um longo tempo de espera, meu novembro, enfim, acaba de terminar! Quando tiver um tempo escrevo no Pequenidades sobre o romance, juro q tentarei ser menos arisca do que fui nos comentários durante a leitura, porque agora (quem diria), estou até num luto por essa leitura!

Agora que estou escrevendo. infelizmente, não estou mais amistosa com o romance. Sinto falta de ler um romance, mas preferia que fosse um melhor. 


Acho que é isso!

O FILME


Como disse, temos adaptação para o cinema, com a linda Camila Pitanga como Lavinia. Não assisti, queria ler o livro antes, mas como não deu nada certo, é certo que nem vou ver. Já deu!
Mas queria saber se a dançante e instigante música "Império de Lei", do Caetano, que destaca a questão da violência da guerra entre os seringueiros e a mineradora, que foi e é a realidade dessa parte do Brasil, foi feito para ser trilha desse filme ou não. Mas é o próprio Cae quem respondeu em duas entrevistas :

"Vendo o filme ["Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios"], fiquei muito emocionado e pensando nessa situação do interior do Pará, que a gente acompanha pela imprensa há muitos anos, com a sensação de que o império da lei ainda não pôs seus tentáculos ali de modo firme. No filme, Dona Onete canta sobre uma batida, eu queria essa batida para essa música. Falei com a banda, e eles entenderam logo. No filme,  a batida estava discreta, eu queria trazê-la para a frente. Queria algo bem forte, pra ser um brado mesmo. Pelo ritmo, tem um certo caráter de canção de festa, mas é nitidamente um brado de luta." (Caetano Veloso para o Jornal O Globo, 2012).

"O Império da Lei, nasceu de eu ter visto um filme brasileiro chamado "Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios". A história passa-se no Pará e há assassinatos anunciados, como aconteceu com Chico Mendes e com a freira Dorothy Stang. Usei essa expressão "império da lei", tão repetida na lista de características das democracias liberais do Ocidente, o que é meio estranho. Parece que não abandono o espírito tropicalista de deslocar palavras, imagens e ideias dos seus contextos." (Caetano Veloso para o jornal Público, 2014).  


Só esses comentários, e também a beleza da Camila Pitanga, me deu vontade de ver esse filme, vai que no filme essa guerra não fica só de pano de fundo, como é, angustiantemente,  no livro! Mas segundo esse Youtuber, o único que fez críticas mais bem construídas do livro,  compara livro e  filme, também não tem. Aff

Desculpe a impaciência de falar desse livro, mas tinha que ser sincera.