sábado, 21 de março de 2009

JUSTO EU, QUE NUNCA GOSTEI DE CACHORROS...

É verdade, nunca gostei de cachorros ( barulhentos, invasivos e fedorentos demais...)
Entretanto eu tenho pensado que talvez eu estivesse há longos vinte e nove anos espeando a vinda do CÃO CONTANTE, personagem da Jangada de Pedra, o que leva embora a ponta do fio de lã azul da meia que Maria Guavaira tecia e quando volta, trás consigo Joaquim Sassa, o homem que consegue enxergá-la a partir de dentro, e descobre a mulher mais bonita entre todas, tão bonita que só mesmo ele ele poderia ter visualizado!
Novamente estória de Conto de fada, porque sem imaginação a vida só tem gosto amargo!
E também, os cachorros devem ter alguma coisa de bom, né?
Sei lá, por enquanto em minha vida, nada de cachorro, fio azul muito menos príncipe que descubra algo de realmente belo no meu mundo!

terça-feira, 17 de março de 2009

DEIXANDO AS MARCAS DO PROCESSO...

Ainda sobre a revisão da minha dissertação de mestrado, assistindo ao vídeo da defesa e lendo as considerações à margem da cópia da professora Susana, percebi que eu não defendi uma idéia maravilhosa que eu tentei exercitar, mas não me ocorreu explicar no dia. Vejamos do que eu estou falando:
A professora dizia que eu levantava muitas questões, mas não me aprofundava em nenhuma delas! Isso eu esperava que alguém dissesse e tinha a resposta pronta na língua : Uma dissertação de mestrado tem como objetivo indicar portas possíveis para a continuidade nas pesquisas sobre o tema e não entrar em alguma delas para aprofundamento, até pelo pouco tempo disponível. Desenvolver as hipóteses ficaria para outos trabalhos, meus (ao que tudo indica meu doutorado vai ser o desenvolvimento de uma das possibilidades levantadas em meu mestrado), mas também podem ser idéias para o trabalho de outras pessoas, eis a pesquisa científica. Certo, ela compreendeu.
Mas uma coisa que ela perguntou e eu achei tão surpreendente que nem respondi direito foi: "Você escolheu as três estórias de tutaméia sobre as quais se debruçar porque elas tratam do tema da migração?"
Eu respondi que não, e não mesmo eu só fui descobrir que elas três tratavam da migração depois de longo caminho de tradução e interpretação do texto de Rosa, inicialmente os meus motivos foram outros... Aí, como eu vejo no vídeo, expliquei porque tinha escolhido aquelas estórias e o assunto foi para outro lado, então acabei deixando de responder algo legal: O que aconteceu foi uma coisa que seria esperada de uma historiadora ginzburginiana (como um dia eu irei ser): Não parti com idéias previamente definidas (tipo escolher os textos porque sei que eles apresentam determinado elemento...) , fui descobrindo seus elementos e estabelendo conexões ou rupturas ao longo da pesquisa. Claro, como boa aprendiz de Ginzburg, não apaguei essas marcas no meu texto. A idéia era que não restasse dúvida nenhuma sobre o fato daquilo ser uma narrativa produzida em um determinado momento de uma pesquisa na área de história, por isso comento abertamente as dificuldades encontradas, as perguntas que não foram respondidas ainda e a narrativa não é propriamente linear, com começo meio e fim concebidos previamente e com ligações previamente demarcadas...como ela é um texto científico, suas conclusões são sempre passíveis de questionamentos ou mesmo de superação.
É por isso que algumas recomendações feitas pela professora eu não acatei (como a indicação de algums obras que, no momento em que pesquisa estava sendo feita eu não tomei contato e seria leviano da minha parte indicá-las como se eu as tivesse estudado e considerado que não eram passíveis de comentários maiores...
Como estamos vivos para que possamos formular nossas narrativas pessoais, bastente singulares, que também chamamos História, esta dissertação deve ser precisamente um retrato da Camila, a moça que entre os anos de 2000 e 2009 estudou História e Tutaméia e ninguém mais a faria como eu a fiz, com os mesmo momentos brilhantes e rasos, com a mesma paixão ou indignação.
Tenho dito.

segunda-feira, 16 de março de 2009

DEPRESSÃO

PRA VARIAR. DISSERAM QUE IA PASSAR, MAS LÁ SE VÃO 07 LONGOS MESES.
PAREM O MUNDO QUE EU QUERO DESCER!

domingo, 15 de março de 2009

UM POST MARAVILHOSO

Não sou de fazer propaganda de posts de outros blogs, isso porque eu não sou propriamente uma leitora assídua de blogs, apesar de acompanhar alguns ( que significa conferir diariamente as últimas atualizaçãoes, mas muito dificilmente eu acesso o link para ler o texto completo, admito).
Uma atualização no blog do Saramago, no dia 11 de março, parecia merecer ser lida com atenção, coisa que eu só fui fazer hoje ... e não me arrependi!
Saramago falava sobre a beleza do sentimento de SOLIDARIEDADE, que ele exergava vivo em sociedades que foram vítimas de crueldades e anulações violentas, como a argentina e a espanhola. Penso que esse fenômeno - de aprender a ser melhor com experiências cruéis - não se deu no Brasil, porque aqui a herança da ditadura militar, por exemplo, sempre foi, é, e sempre será marcada pela tentativa de anular ou diminuir a intensidade da questão, quando no fundo alguns poucos dentre nós sabemos bem quanto de resquício nossa mentalidade ainda carrega daqueles momentos. Acho que quem pode abrir os olhos das pessoas são os professores (não só eles...). Quando eu dei aulas de sociologia, no ano passado, eu tratei bastante da herança da Ditadura Militar e a relação com a idéia da solidariedade...
Se eu tinha cerca de 100 alunos, considerarei um luxo se ao menos 10 se lembrarem dessas questões no futuro (na verdade, pra mim 1 que seja já é lucro). O que não pode acontecer nunca é deixar de alertar a quem puder, quando puder, sobre coisas que aconteceram, estão acontecendo e acontecerão, por debaixo dos panos....
Nessa travessia escritores como Saramago me acompanham. Confiram a beleza do que ele escreveu aqui!

sábado, 14 de março de 2009

MINHA DEFESA DE MESTRADO OU O LANCE DOS ESQUEMAS

ESTOU TRABALHANDO DURO NA REVISÃO DO TEXTO DA MINHA DISSERTAÇÃO DE MESTRADO, MAS NÃO QUERO DEIXAR DE FALAR DA DEFESA, AINDA TENHO COISAS A DIZER, COMO NÃO ESTÁ DANDO TEMPO, EU POSTO AQUI O TEXTO QUE EU FALEI NO COMEÇO DO EVENTO, PARA QUE QUEM NÃO LEU O TEXTO INTEGRAL(MAIORIA) SOUBESSE UM POUCO DO QUE EU ESTAVA FALANDO. AGORA TODOS MEUS LEITORES PODERÃO SABER:

"A dissertação procura encontrar um lugar legítimo para a história em Tutaméia, livro que Guimarães Rosa publicou em 1967

NA INTRODUÇÃO que chamei Mãos vazias e pássaros voando – Começo contando a anedota da desativação da Estrada de Ferro Bahia Minas, em 1966, que foi tema de muitos discursos artísticos e memorialísticos, nenhum historiográfico. Eu li essa narrativa como a do contexto imediato de escrita e publicação de Tutaméia. Aqui explico o título do trabalho, que é uma desconstrução do dito popular "melhor um pássaro na mão do que dois voando", que foi usado no texto de Rosa para comentar tentativas de anulação da dificuldade em sobreviver quando pouca ou nenhuma oportunidade é ofertada e as pessoas acabam sobrevivendo com "mãos vazias", mas os pássaros da imaginação continuam voando.
NO CAPÍTULO 1 que chamei A História nas Estórias - insiro os dois temas centrais do trabalho: as relações entre História e Literatura em Guimarães Rosa e o objeto de estudo que é o livro Tutaméia. Isso foi abordado a partir do que encontrei nos cerca de 101 textos de recepção do volume ainda nos anos 60 - que estão disponíveis no Fundo Guimarães Rosa no IEB USP - e também no que encontrei sobre História na Fortuna Crítica rosiana em geral. Também falei das idéias de alguns teóricos que se debruçaram sobre o tema da relação entre os diversos tipos de narrativa (como a historiografia e a anedota) e apontei a temática lúdica e infantil que observei em Tutaméia.
NO CAPÍTULO 2 que chamei A Hora da palavra – me debrucei sobre a linguagem de três estórias escolhidas, em dois momentos para cada uma– no primeiro momento fiz uma paráfrase explicativa para que no segundo momento pudesse apresentar minha interpretação. Para Lá, nas campinas interpreto a partir da temática da memória; para Os três homens e o boi dos três homens que inventaram um boi interpreto a partir da temática da invenção; para Palhaço da boca verde interpreto a partir da temática da temática da não-história. Correlata a essas análises, indiquei relações com outras formas interpretativas do texto rosiano, como a música. Ao final, apontei a necessidade de abordar detalhadamente as formas representativas ficcionais usadas por Guimarães Rosa para entender as relações entre a história e a ficção nessa obra.
NO CAPÍTULO 3: que chamei As mãos vazias: Estórias da história do sertão –tratei mais profundamente dos discursos sobre o sertão rosiano, que, na época da escrita de Rosa , já estava em fase de desgaste de todas as suas expressões tradicionais. Considerei igualmente os processos de esvaziamento registrados: anulações ecológicas, históricas e culturais, que fizeram com que as personagens optassem pela migração para garantir sua sobrevivência. Para abordar esse tema, parti das representações das tradições sertanejas e depois tratei das recriações ficcionais das modificações ou mesmo anulações que nelas foram sentidas.
NO CAPÍTULO 4: que chamei Pássaros voando - Por que e como ainda narrar estórias? - retorno a um dos temas abordados no primeiro capítulo: a importância de narrar e as dificuldades de executar este exercício. Tratei de algumas idéias de pensadores importantes sobre o tema do declínio da legitimidade da história no século XX, sobre a filosofia da linguagem, bem como das suas possíveis relações com o texto de Tutaméia e com a temática do humor.
NA CONCLUSÃO que chamei Nem mãos vazias, nem pássaros voando: invariáveis projetos? – voltei a tratar da anedota da desativação da Estrada de Ferro Bahia- Minas e as dificuldades de representação e vivência no sertão mineiro, tema da na introdução destacando a opção constante de projetar saídas definitivas para o cenário de privações que identificamos em meu recorte nas estórias de Tutaméia. "

quarta-feira, 11 de março de 2009

MINHA DEFESA DE MESTRADO OU A HISTÓRIA DA CIGARRA E DA FORMIGA, MAIS OU MENOS

Pois então, passadas algumas horas da minha defesa (detesto ser perguntada quando ainda estou em estado de tensão...), acho que já posso tentar formular algum comentário sobre o ocorrido. Minha banca - escolhida a dedo - trazia os nomes que mais me chamaram a atenção em dois quesitos fundamentais: Susana Lages e a opção pelo caminho do estudo da linguagem e Willi Bolle com o suas idéias fenomenais sobre Rosa e a história. Ambos foram ótimos, mas gosto de pensar nas perspectivas que cada um utilizou. Se Bolle deu um show, agradou a todos porque é genial, tem uma cultura de tirar o fôlego e é a pessoa mais sedutora que eu já conheci na vida (todos ficaram seduzidos por ele, suas brincadeiras e erudição)... incrível! A Susana também foi ótima, mas a abordagem dela é diferente, ela presta atenção nos processos do trabalho e oferece ferramentas para que eu me saia melhor nesse aspecto. Hoje concluo que eu não poderia ter escolhido uma banca melhor, pois com ela descobri que ao contrário da que reza a moral da fábula de Esopo, nem a cigarra, nem a formiga saem individualmente vitoriosos ... é preciso que tenhamos os dois lados para que consigamos obter os melhores resultados possíveis. Eu, por exemplo, mergulhei nas perspectivas encantadoras de Bolle, mas sempre com os alertas "de mãe" de Susana, para que eu não seja afogada pelas idéias maravilhosas e pela minha paixão pelo tema.
Tenho muito a aprender ainda, claro, mas uma coisa eu vi que já aprendi: Escolher ao lado de que tipo de pessoas eu quero continuar a caminhada.

terça-feira, 10 de março de 2009

NA CONCLUSÃO...


Defendi meu mestrado ontem. Parece que a cerimônia foi agradável, e os amigos mais queridos assistiram e devem ter gostado, pois foi engraçada e densa. Fui aprovada pelo trabalho com Guimarães Rosa, mas saí pensado em Drummond e não quis comemorar como comemorei tanto as defesas de outros...
"Saí pensando na morte, mas a morte não chegava.

Andei pelas cinco ruas, passei ponte, passei rio,
visitei vossos parentes, não comia, não falava,
tive uma febre terçã, mas a morte não chegava.
Fiquei fora de perigo, fiquei de cabeça branca,
perdi meus dentes, meus olhos, costurei, lavei, fiz doce,
minhas mãos se escalavraram, meus anéis se dispersaram,
minha corrente de ouro pagou conta de farmácia.
Vosso pai sumiu no mundo. O mundo é grande e pequeno."
Como a morte não chegava, ao invés de um bar com companheiros, "comemorei" na academia , fazendo esteira até não conseguir mais, para dormir e deixar que o novo dia chegasse, mesmo que com brilho fraco, e para não abandonar Drummond, em nome dos amigos queridos que estiveram comigo fisicamente ou não, lembro do Elefante, que é um dos meus favoritos:
"E já tarde da noite
volta meu elefante,
mas volta fatigado,
as patas vacilantes
se desmancham no pó.
Ele não encontrou
o de que carecia,
o de que carecemos,
eu e meu elefante,
em que amo disfarçar-me.
Exausto de pesquisa,
caiu-lhe o vasto engenho
como simples papel.
A cola se dissolve
e todo o seu conteúdo
de perdão, de carícia,
de pluma, de algodão,
jorra sobre o tapete,
qual muito desmontado.
Amanhã recomeço."
Recomeço? Não sei...